Terça-feira, Setembro 09, 2008

"Lembranças"

Minhas fotos já estavam rasgadas,
minhas forças despencadas,
sem entender muito bem onde as coisas se perderam,
sem me preocupar com quais situações não devo mais falar...

E está tudo sem sentido pra mim,
todas as lembrancas muito confusas,
todas as imagens distorcidas
de um tempo que só eu imaginei ter existido...

Desde então tenho olhado pras coisas sem risos estonteantes,
sem brilhos exacerbados,
sem a intensidade excessiva,
sem minhas tão conhecidas barbáries...

Minhas fotos ja estavam há muito rasgadas,
amareladas, esquecidas, renegadas, entristecidas...


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Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008

"Boneco sem lágrimas"

Juro,
te escrevi, te olhei de longe, o mesmo olhar,
o mesmo fogo, o mesmo sintoma, a mesma verdade,
mas de longe como sempre,
alheio como sempre, sempre em segundo plano, como sempre...

Olhei de cantinho de olho pra não me arrepender de novo,
fiquei cabisbaixo por saber que fracassei no único momento que não podia,
por saber que deixei escorregar por entre meus dedos todas as idealizações que pus no papel...

Cada dia mais me apago, cada semana que passa me distancio,
me contento, me distorço pra me acreditar,
e ofereço tudo a todo mundo, de mãos beijadas, sendo que sempre estive de mãos abanando...

Troquei juras de amor, troquei beijos escondidos, roubados,
exalei o mais doce dos meus sentimentos pra você me cheirar inteiro,
mas você sabia sempre onde me encontrar, como sorrir pra me ter, e fui perdendo a graça, como aquele boneco velho que está no seu armário até hoje, totalmente esfarrapado, sujo e empoeirado, mas que você não tem coragem de jogar fora...


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Terça-feira, Fevereiro 05, 2008

"Flor mais linda da Amazônia"


Já vivi, amei, fui amado, abusei, já abusaram da minha boa vontade, desfilei, desfilaram comigo como se eu fosse troféu, tropecei, cai, me ergui, ergui muita gente do ostracismo, tirei muita gente da solidão, ensinei horrores, fui ensinado horrores maiores, aprendi muito com tanta gente, aprenderam demais comigo, andei de mãos dadas com pessoas que o destino me obrigou a gritar em determinados momentos, gritaram demais comigo, já me humilharam em praça pública, já humilhei com apenas um olhar, li diversas almas, leram diversas vezes minha alma, já fui dissecado, dissequei, defequei em potes de ouro lambuzados de mel, tratei com carinho potes de fezes, trilhei milhares de caminhos e trilharam minhas milhares de possibilidades, mas nada, nada do que vi, ouvi, senti, cheirei, usei, descobri, trilhei teve a leveza e a grandiosidade do que vivemos, nada é comparável ao que sinto, ao que almejo para nós, ao que espero ansiosamente do futuro.
Tinha um histórico de quase 25 anos de tpm´s dominicais e faz 16 domingos que vejo tudo colorido, tudo disposto, finais de semana tão fantásticos que os emoldaria e os colocaria numa parede que reluziria nobreza, verdade, carinho, compreensão, amizade, companheirismo, muito amor, muitos detalhes de uma riqueza intransponível e infinita, de uma completicidade apenas vista no ciclo da natureza intocada pelo homem.
Nos sinto com tal sintonia que o mundo opaco que vejo hoje se restringe ao esbaldar das minhas alegrias, e tudo que faço ao seu lado ou somente contigo em pensamento se torna etéreo, eterno, tenro, terno.
E quando te revi naquela noite turbulenta senti que viveria uma história, mas você me surpreendeu nesse conto de fadas, colocou armadilhas deliciosas na trama e me esbaldo cada vez que caio de cabeça nesse enredo, me delicio a cada surpresa, a cada nova descoberta que tenho do meu e do seu interior, e me esforço para ser o príncipe que quando pequena você almejava encontrar, me desdobro para construir e conquistar uma situação favorável para criarmos e educarmos os filhos que sonhamos em ter, ouso demais para te surpreender e não levar nossa relação à mesmice, me incendeio para te dar muito prazer, para que tenha de falar de mim para todos, me enriqueço de cultura para que tenha uma vontade insaciável da minha presença, do meu estilo, dessa montanha russa que te proponho do acordar ao dormir, do sonhar ao realizar, e sopro seus sonhos como quem sopra uma semente no jardim, rego seus anseios como quem alimenta um cachorrinho pequenino, e me esforço ao máximo para encher sua vida de alegria, de sorrisos, de manhãs deliciosas, de amor eternizado pelas estrelas que nos unem, para vivermos a vida recheada de sentimentos que nos esperam de braços abertos e bandejas com nossos doces prediletos.
Cinza, amo você minha cor predileta, minha jóia rara, flor mais linda da amazônia...

Sexta-feira, Outubro 26, 2007

"Janela ao Desconhecido..."

Ando seco, sujo e mudo...

Queria hoje me esquecer de tudo,
e só morrer de ardores, sentir essa incoerência que sinto toda vez
que mudo o mundo a se enxergar,
sentir todo dia, como se fosse a primeira vez,
essa maluqice que sinto de vez em quando...

Bem de vez em quando...

Olho para as coisas com um olhar cansado,
falo sem prestar atenção, sem aquela presteza marcante,
sem aquele desespero por contar, por ouvir, sem aquela esperança de encontrar o incontrolável,
falo, olho, digo por dizer, exclamo por obrigação,
e isso é desgastante, é não se ver nos outros olhos,
é ser sempre um estrangeiro em sua própria casa, sem poder acender a luz de madrugada,
sem poder acenar da janela para o desconhecido...

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Terça-feira, Julho 17, 2007

"Livre de presunções"

O papel perdeu a graça, deixou a atenção de lado e partiu pra vida, sem pedir licença, sem pedir recesso. Passou a se transformar em tudo o que via pela frente e a se transportar para qualquer lugar que pudesse existir, em meio ao turbilhão dos seus pensamentos. E agora ele está aprendendo mais do que ele podia imaginar, está aprendendo a se cuidar, a falar mais baixo e a não derramar sua comida na mesa, mas um eco, lá longe, o atormenta, o chama de volta, pede pra chorar, pede pra ir além e voltar com tudo o que realmente o atormentava. Mas perdeu a graça, ficou fácil, passageiro, efêmero como não gosto de ser, contraditório e muitas vezes sem uma resposta fixa. Mas existe um eco, ele é palpável, ele é real e lírico, bonito pra caralho, ele chama com sua voz mais sensual, com sua voz mais aveludada, implora pra deitar em mim como fazia antigamente, implora pra cantar em mim, pra me molhar com suas lágrimas de tristeza, e é difícil não cair em tentação, não cair em devaneio, naquele devaneio onde tudo posso, onde tudo quero, onde deixa minha ânsia ainda mais desesperadora. Mas o papel perdeu a vontade, entregou suas máscaras, parou de iludir com suas mentiras e falsas promessas, se reciclou e se descobriu com uma tonalidade levemente acinzentada, mais grossa do que estava acostumado, com algumas ranhuras e feiuras, mas totalmente livre de presunções...


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Domingo, Junho 10, 2007

"Posso permanecer inerte aos seus olhos...(?)"

Posso permanecer inerte e passivo a todos os acontecimentos,
posso cometer sucídios de muitas vontades no silêncio do meu quarto,
posso idealizar momentos fantásticos,
posso entrelaçar sua alma, seus olhos e corpo lindo com a facilidade que escrevo poesia,
mas quero mesmo ter a certeza do especial, quero o falar baixo,
quero olhos inflamados como os seus nos meus íntimos segredos,
quero verdades perigosas e não tão confiáveis,
aventuras ímpares que nos tornem mais vivos,
quero entreter sem precisar falar, só na troca do brilho,
só nas expressões de cada olhar, pela vaidade nítida que conseguimos corromper, por vaidade...

Poderia facilmente lhe dizer mil parábolas, estrofes, jargões, refrões, contos, haicais,
mas seria inútil descrever em palavras a intensidade, o peso, a profundidade dos seus olhos,
o impacto que me causa, a cada imagem, a cada curva escondida do meu pensamento hábil,
seria inútil lhe dizer o que quero, por quê vim, como sou, lhe dizer que não te deixaria respirar,
que não te deixaria morrer de asfixia, que suas olheiras iriam aumentar,
que iria fazer amor com você de dia, de noite,
no banho, na sala, no carro e na rua, que iria desfazer cada um dos seus penteados,
que iria marejar seu rosto com apenas um sopro no seu pescoço,
seria inútil tudo isso, confesso querendo o contrário,
querendo o contágio, sentindo saudades daquele nosso último mísero abraço...

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Sexta-feira, Maio 18, 2007

"Cisma despertar em mim"

Faz um tempo que venho escrevendo longos textos
apenas no imaginário, sobre coisas que continuam ocultas,
coisas que vagueiam incessantemente dentro de mim,
em minhas esquinas, nos meus estranhos destinos,
nos meus desertos solitários, com remorsos por serem reais...

Só gostaria de me lembrar da data exata em que me perdi,
da data inexata que pude ser mais feliz por ter visto coisas mais simples,
por ter me espelhado em um olhar que brilhava muito mais que o meu,
mas que tinha muita vergonha, por saber se irradiar...

Gostaria também de esclarecer que posso recuperar
todos os meus dons e minhas vontades absolutas,
que posso me embriagar de amor, de paixão e de tesão,
que posso me lembrar de cenas inacreditáveis,
que poderia agir diferentemente de como sempre ajo,
mas sempre acabo me reunindo com minhas partes libidinosas
e erro no tom do olhar, no brilho da voz,
na intensa verdade que você cisma em despertar em mim...

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Domingo, Maio 13, 2007

"Minhas possibilidades"

Existem no meu mundo recheado de fantasias
muitas possibilidades infundadas para o erro,
para a absorção do pior que pode existir do próximo,
e eu sempre caio nas mesmas armadilhas,
e eu sempre transformo todas as cores de tudo
em poesia deprimida, hostil, indiferente, para ser como sou...

As possibilidades me tornam uma pessoa impossível
de se acreditar, impossível de se manter perto, junto,
com o fogo incessante do início, sempre olhando pro lado...

As possibilidades me mostram um mundo tão vastoe tão sem companhia...
Tão rico e tão sem companhia...

Tão vivo e tão mórbido, enclausurado por dramas que eu crio para fugir da responsabilidade que eu significo para tantos e tantas...

As possibilidades me deixam cada vez mais perdido nas minhas certezas,
cada vez mais comedido nos meus atos,
cada vez mais apaixonado por mim mesmo,
mesmo sendo esse alguém mesquinho, ordinário,
que aprova tanta baixaria e demonstra tal falsa riqueza...

As possibilidades são o que sou,
sem que eu saiba ao menos digerir qualquer sentimento bom,
qualquer respeito,
qualquer ato ou consequência de honestidade....

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Domingo, Abril 15, 2007

"Capricho da sua vaidade"

De que adianta eu tentar responder os fatos à você, minha flor,
se com os olhos eu digo tudo,
se com os olhos eu invento um novo amor a cada amanhecer,
se com os olhos eu digo eu te amo sem o menor puder,
se com os olhos eu te mordo daquele jeito que te deixa arrepiada,
que te deixa sem saber pra onde ir,
sem saber se se entrega ou se foge com medo de você mesma...


De que adianta eu tentar dizer tudo à você com minhas palavras confusas e gagas,
de que adianta eu mandar suas flores prediletas pra sua casa sem cartãozinho
assinado,
de que adianta te escrever centenas de poemas se você gosta mesmo é de crônica,
de que adianta ir na sua janela tocar mpb no violão se gosta mesmo é de rock,
de que adianta ser eu mesmo pra você, se você cisma em me confundir?


Eu tento, sempre, te persuadir, te conquistar,
muitos momentos que te tenho nos meus braços acredito vêemente que suas caras e
bocas de tesão são verdadeiras...


Confesso que continuo a sair da sua casa com as pernas bambas como antigamente,
mas com uma fisgada na alma,
sem saber se foi tudo de verdade ou apenas um capricho da sua vaidade...

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Quinta-feira, Abril 12, 2007

"Rápido demais pra se mostrar"

Queria ter coragem de dizer todas as minhas verdades na sua cara,
dizer tudo sem milongas, jogar na sua cara que tudo não passou de um jogo,
que tudo não passou de uma forma ilícita para naufragar seus sonhos e te fazer pagar pelos seus inúmeros erros,
pelos erros que fizeram tão mal a tanta gente e que você, cínica como sempre, não percebeu...


Queria ter coragem de esbofetear seu sorriso indiscutivelmente lindo,
para que deixasse de se preocupar tanto com suas abstrações,
para que deixasse essa minha imagem tão distorcida que você criou de longe de tudo o que me cerca.


Queria ter coragem de te confessar, mesmo que por entre lágrimas, que entrei nessa verdadeiro, mas que sua frieza me distanciou milhas e milhas de tudo o que no início acreditei ser real,
queria poder contornar toda a história, voltar no tempo,
dizer não naquela noite em que estava embrigadado, na fissura apenas por uns beijos de uma noite e por um sexozinho barato,
queria poder não me deixar levar pelos seus telefonemas de madrugada,
pelas suas mensagens carentes e necessitadas da minha ajuda,
mensagens que só via no dia seguinte e me deixava com um nó na garganta,
por saber que eu era apenas uma farsa mal contada e mal planejada, mas você não me deixou respirar, você me sufocou com seu desespero,
você me mostrou rápido demais que não valeria a pena brincar com você...


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Sexta-feira, Março 23, 2007

"Toda vez"

Toda vez que te vejo,
toda vez que te abraço,
toda vez que entro no seu quarto,
toda vez que adentro seu corpo,
toda vez que telefono pra você de madrugada,
pedindo um pouco de atenção,
pedindo um pouco de amor,
é parte da minha forma de dizer as coisas,
é parte da forma com que desejo felicidades,
é a forma que encontrei para que retome seu sorriso quando angustiada,
é a forma que encontrei para que renove sua paixão pela minha voz,
é o jeito que tracei na minha memória para quando tivesse em meus braços,
vibrante, por inteira, destemida como sempre,
decidida, sabendo o que quer comigo como sempre soube o que queria em você...

Toda vez que te vejo,
atrasada, com tosse, com sono, com dor de cabeça,
acordando, indo dormir,
com seu baby doll cinza de bichinho que eu adoro tirar,
com o seu cabelo no rosto e seu jeito peculiar de dormir,
tenho certezas tão absolutas, certeza da nossa verdade,
certeza da nossa sensibilidade,
certeza do nosso carinho com nosso jeito único de trocar as palavras,
certeza de que tenho certeza que você é perfeita para me transgredir...

Toda vez que me inflo com seu carisma,
vou dormir tendo a sensação de que sou abençoado,
de que sou privilegiado,
de que compartilho algo a mais com o sorriso e a maneira mais incrível de ver o mundo....

Toda vez que penso em você,
meus olhos se enchem de água,
meu peito se enche de ternura,
minha vida se enche de você....

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Sábado, Março 17, 2007

"Carne exposta"

Muita gente tenta a todo momento me persuadir,
tenta determinar a mim mesmo como devo agir,
como devo me vestir, me portar, suportar um monte de gente
que considero insuportável e torço o nariz, sem receio.

Estou cansado de me sentir escravo de uma dúzia de coisas,
de ser doente por pensar diferente,
ou de ser punido por não estar sintonizado na mesma rádio
que o resto do povo.

Estou farto de igualdades,
estou com o saco ligeiramente inchado
por tanta saudade, por tantos sonhos eróticos toda noite,
por tanta vontade de abrir suas pernas,
entrar com toda minha força dentro dos seus sonhos encharcados,
enlouquecer sua pele, puxar seus cabelos do jeito que te faz amanhecer,
despejar em cima de você todas as minhas verdades e mentiras,
te morder da cabeça aos pés, roubar seus defeitos e qualidades,
te tornar imortal e dizer toda manhã que te cultivo
para te levar comigo por todo canto,
na lembrança, no hálito, na minha carne cúmplice de você....

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Sábado, Março 03, 2007

"Sua distância me distancia da paz..."

Sua distância me distancia da paz,
sua distância determina em mim rituais que não me agradam,
que não são amigáveis,
em uma punição constante, convenientes a você...

E fico tentando me convencer que não vale mais a pena,
que nossa loucura não é a melhor,
que a nossa amizade não é mais tão estupenda,
fico mentindo pra mim a todo instante,
para tentar não deixar esse martelar constante tomar conta de mim por completo...

Fica a saudade, fica o jeito peculiar de lembrar,
fica guardado na lembrança nossos suores,
nossos corpos unidos enquanto fazíamos amor,
fica a lembrança pura do nosso primeiro beijo,
roubado, escancarado, eu puxando seus cabelos,
falando todas as minhas verdades e mentiras de uma só vez,
louco pra te reconquistar, louco para te reviver,
insano para te contar todos os dias, sem rodeios, mas com charme,
que eu adoro amar você,
que luto para sobreviver,que sonho dia e noite, torcendo pelos seus sonhos,
torcendo pelas suas idealizações,
vivendo de longe nossa verdade de perto...

Eu te espero, minha flor roubada,
de braços abertos, coração apertado e alma entregue,
com os olhos de sempre, que ainda redesenham a dança das nossas almas...

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"Eu te trago sem pedir com licença"

Eu te trago uma ferocidade indizível à felicidade, eu te trago um sabor de algodão-doce na boca, aquele gosto de quero mais de quando ele termina, eu te trago também uma leveza e uma destreza para com as palavras, te trago tudo o que você sempre sonhou encontrar e não pôde nunca desfrutar.


Não te trago apenas glórias e delícias, te trago também a frustração da saudade, do tempo perdido, do ciúme por ter me visto na noite passada com uma loira fútil, siliconada e fresca, te trago a indomável sensação de que tudo pode ser realizável, de que tudo pode se tornar possível se estiver de mãos dadas comigo.


É explícito com os olhos, com o charme mal resolvido que atiramos todas as vezes, com a mão calejada e as palavras repetidas, mas gosto de dizer sempre, em poesia, cara-a-cara, via internet, via embratel, que te trago a indiscutível verdade em você mesma, te trago a beleza de ser quem você é antes de dormir, sozinha, sonolenta, te trago a relembrança de outras vidas, de outras épocas mais vivas e amenas, te trago tudo de todas as maneiras, sem cobrar nada, sem pagar nada, sem dizer ao menos com licença....


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Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

"Incondicionalmente"


Amor, o que seria de mim sem seu sorriso,
sem o brilho instantâneo que aparece nos meus olhos quando te vejo,
o que seria do meu dia-a-dia sem compartilhar com você,
sem retratar tudo que engloba sua presença como a coisa mais importante para mim,
o que seria de toda a minha dedicação, de todos os meus sonhos pra nós dois,
o que seria também do meu corpo tão habituado ao seu,
de todos os meus pensamentos que acordam e vão dormir abraçados com você,
de todas as minhas vontades que me consomem todas as madrugadas,
dos meus desejos que chegam a me constranger em determinados momentos,
como quando entramos na padaria pra comer seu pão bem torrado de toda manhã,
você rindo de mim, e eu perdido, desnorteado, sem saber como me esconder,
sem saber como tirar o vermelhidão do rosto...

Amor, o que seria dos meus poemas que faço com tanto carinho pensando em você,
das poesias que fico a todo instante improvisando bem baixinho no seu ouvido,
o que seria das nossas piadas e brincadeiras que só nós entendemos...

Mas penso também o que seria de mim sem mim,
o que seria dos meus passos sem a certeza de quais precisam ser tomados,
o que seria da razão de todo o comprometimento, de toda a verdade,
de toda a cumplicidade que tão lentamente cultivamos,
nessa sintonia fina que julguei a vida inteira não existir...

Amor, eu tento todos os dias, de todos os jeitos, te fazer mais feliz,
cada vez mais, vivendo cada momento sabendo que não teremos reprises,
e por isso te nego o direito de ficar mais um segundo longe de mim,
te nego o direito de não dizer que me ama de uma forma diferente do dia anterior, todas as noites...

Amor, sinto muito a sua falta,meu quarto está fervendo,
habitando nele meus arrependimentos,
meu mau humor por te ter tão longe,
aturando meu falatório amargo e carregado de saudades dos seus olhos....

Amor, eu amo você em silabas, tons, cores, improvisos, formas e temas, incondicionalmente....

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Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

"Silêncio que dita"



O silêncio que consome o homem,
a frase dita escapulida, desapercebida,
tantas vezes lida,
tantas vezes ouvida, sofrida,
sempre se despedindo com um certo rancor na voz,
dizendo que mudei, que ando muito pirado ultimamente,
deixando tudo de pernas pro ar até o nosso próximo olhar...

Fico na espreita, à espera, mas nosso próximo olhar não rola nunca,
estamos diariamente usando nossos compromissos como desculpas,
e minha vida vai ficando cada vez mais sem graça sem seu jeito peculiar,
sem seus problemas puros, muitas vezes infantis,
que vão deixando nossa história ainda mais sem final do que quando começamos,
muito mais complicada do que imaginamos quando nos olhamos pela primeira vez,
muito mais distorcida e retorcida que nossos cabelos quando acordo de uma noite turbulenta, por ter sonhado com você...

E o silêncio vai me consumindo, me corroendo,
vai me dizendo pra voltar,
vai me pedindo encarecidamente para que eu ceda,
implorando pra que eu declare meus sentimentos,
implorando pra que eu declame meus poemas,
na inocência, sem saber que o uso para fortalecer nossa falsa eternidade...

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Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

"Nosso mistério"



Eu poderia dizer a você coisas que não estão acontecendo comigo,
poderia manter em silêncio minhas angústias para conseguir te manter presa ao meu jogo,
poderia muito bem desmentir tudo que a tanto custo conquistei,
pois te conheço bem, sei que nas suas maluquices seus pensamentos vão além,
que você sonha com cores bem específicas, que você colore sua estadia do jeito que me apaixono,
mas detesto mentir a qualquer um, detesto sofrer calado como o babaca que não tenho vergonha de esconder que sou,
e lhe abro as portas da minha vida, pela porta da sala, pela porta da cozinha, pela porta do quarto,
pela janela do meu nono andar, sem receio, pedindo insistentemente e sozinho que você entre.

Mas você não entra...

Insiste em dizer que me esperou a noite inteira, chorando a minha falta,
eu insisto em tentar contornar uma situação, mas há muito eu insisto em não acreditar em suas palavras e promessas,
porque sempre foi tudo em torno de um único propósito, de uma única intenção,
de um único lado da história.

E agora você foi embora, eu fiquei preso dentro dos meus planos ridiculos e mal estruturados,
me olhando no espelho, bêbado, descabelado, com a roupa suja do nosso último whisky,
com a roupa ensopada do nosso último suor, com a alma lambuzada com nosso último beijo,
e já faz tanto tempo que você partiu, e já faz tanto tempo que você partiu que eu não consigo acreditar
que não consegui que se entregasse, que não consegui conquistar sua essência,
que só iludi e brinquei com as possibilidades que fantasiamos,
que abriguei em vão as verdades deliciosas que acreditei serem verdadeiras...

Agora tudo apodreceu dentro de mim,
que eu queria poder te olhar nos olhos de uma forma diferente,
que eu poderia sentir o seu gosto de pra sempre em mim, como sempre deixei que sentisse,
sem essas fugas, sem tantas esperas, sem mentiras,
sem ter que ser sempre uma surpresa incrível, mas pra mim, falha...

Eu só queria te olhar nos olhos,
dizer que estou com saudades de tudo em você,
tocar seu rosto com o toque mais sutil que minhas mãos possam proporcionar,
dizer que te amo, te abraçar como faço todas as noites com meus travesseiros
e florescer das sombras o frio na barriga que sempre determinamos como o nosso mistério...

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Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

"Livro imenso de saudades"



Desculpe-me ter que te falar sobre minhas vontades,
sei que estou viajando ao tocar nesse assunto,
sei que estou viajando de não ir logo te ver,
com toda aquela sede misturado com a febre que tenho por você,
que me deixou inerte, pensando em tudo, imaginando nomes para nosso cotidiano,
para nossos possíveis filhos,
para nosso universo paralelo,
que é como me sinto quando estou com você,
como num mundo totalmente colorido onde só eu posso entrar,
e nele eu desenho coisas, faço travessuras e é tao natural....

Gosto da naturalidade que existo ao seu lado,
uma naturalidade que insiste existir...

E fico te pedindo para lhe te dizer algo,
pedindo para lhe contar em segredo
que eu estava completamente apaixonado por você,
e o que fez isso mudar foi eu gostar demais das coisas a dois...

Confesso que senti medo,
senti que poderia me machucar
mas você ainda mexe comigo, demais, demais,
você mudou muito comigo, você me deixou um pouco de lado,
e por isso decidi que vou te eternizar numa música,
pra te provar que em momento algum eu mudei,
que estou mesmo é ocupando-me para ter uma boa desculpa,
mesmo sabendo que é estupido dizer isso,
mas dentro de mim não mudei
e o seu ponto de vista está atrapalhando a nossa história de fluir...

Estou me abrindo pra você,
não estou diferente,
mas é que não te sinto mais com vontade de ficar comigo como era antes...

Parei de escrever mesmo achando péssimo,
parei de tentar te conquistar na marra,
parei de usar todas as minhas forças,
porque você é muito intensa, você mexe muito com minhas vontades,
com minhas fantasias, e o meu livro já está imenso de saudades,
difícil de carregar sozinho, como você insiste em me deixar...


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Domingo, Janeiro 14, 2007

"Obtusas"



Cenas, dramas, confissão,
vida, morte, alegria,
ordinária, vagabunda, amor,
mentira, falsidade, paixão,
podre, hipócrita, perdição,
força, luta, disparo,
lentidão, fração, segundos,
giro, mundo, formas,
choro, alívio, repente,
cárcere, livros, religião,
liberdade, sentido, desemprego,
doença, família, contagem,
eutanásia, alívio, lembrança de como amei você verdadeiramente...

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"Falsidade irresponsável"




A falsidade do amor que sinto por você destoa,
ela é capaz de forjar um plano mirabolante,
te meter em uma enrascada irreparável,
pela possível e incoerente massagem no ego...

A falsidade que sinto quando sinto os seus sintomas
é surreal ao ponto de me embriagar,
é como filme de suspense no final,
lindo, harmonioso, fantasioso, irresistível...

Não resisto a mentir para você,
não resisto a essa falsidade deliciosa
que te faz de otária e me deixa cada vez mais entregue,
mais eloquente, mais sensato nos meus segredos irresponsáveis...

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"Campinas com Paulista"



Você se pergunta demais, eu sei,
mas é porque você não tem cotas pra sonhar,
você é livre pra exercer seus fundamentos,
você é lírico o suficiente para demonstrar seu carinho,
seu carisma,
sua futilidade,
sua magnitude para com tudo que existe...

Você gosta de ver o mundo,
de se ajoelhar perante ele e se valorizar digno,
você pode tudo o que quiser,
e enquanto você passa suas madrugadas aí,
questinando-se deliberadamente,
eu vou dar uma passeada tranquila pela Paulista...

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Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

"Demasiado"



Hoje não tem estrelas no meu céu,
porque você está longe daqui,
porque eu não consigo ver nada além disso tudo,
nessa neblina que persiste em ficar no meu olhar,
perdido pensando em você...

Hoje também não apareceu lua, não apareceu cometa,
só a saudade que ficou por aqui,
o tempo todo, lado a lado, andando grudada em mim,
saudade do seu riso afoito e da sua rouquidão para com tudo,
falta grande de sentir tanta coisa boa,
sobrou você aqui em mim, de todo jeito,
e eu fiquei tirando fotos com os olhos pra te mostrar em poesia,
e eu fiquei filmando tudo, guardando tudo pra te presentear,
sem saber se teria como te entregar,
sem saber se gostaria de receber...

Mas minha coragem é múltipla,
meu gosto pra saber sua verdade é verdadeira demais pra ser desperdiçada,
minha mão é ávida o suficiente para não ser capaz de esquecer seu corpo dócil,
meu peito é demasiado apaixonado para deixar de me apaixonar por você, sempre...

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Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

"Minhas mãos não são capazes para com sua cadência..."



Tenho abstinência de você, sim,
tenho saudades da sua pele, da sua voz,
tenho suspiros a noite por lembrar da sua maciez,
tenho desejos incontroláveis no meio da rua,
ao lembrar do seu sorriso de lado, fazendo charme,
dizendo todas as coisas que me enlouquecem por completo...

E sua beleza, que resplandece,
que reproduz o meu melhor, o melhor de quem te cerca,
sua beleza que corrompe a cada olhar,
que inebria, que transforma tudo o que sou em poesia,
transporta tudo quanto é sonho pra perto de você,
e me deixa paralisado à espera para rever o rubi dos seus olhos,
o brilho que brilha diferente para mim,
em segredo, escondidinho e perspicaz...

E ao contrário do que você pensa de mim,
sou sim um ser apaixonado por você,
do meu modo maluco de ver as coisas,
do meu jeito estranho de dizer isso sem dizer,
da minha forma abstrata de levar as coisas,
mas apaixono toda vez que te reencontro,
que entro no seu campo magnético e sinto seu arrepio instantâneo,
apaixono toda vez que ouço seu sorriso,
apaixono toda vez que falam de você pra mim,
e fico degustando essa luz aqui dentro,
sorrindo numa liberdade absoluta,
imaginando como os passarinhos que pedi para cantarem para você de manhã
estão executando nossa música predileta,
torcendo para que as flores exalem um cheiro ainda mais doce
quando tiverem perto de você,
tudo para te realizar, para te colorir de alegria,
para te acariciar a alma como você acarinha a minha vida....

Que coisa mais linda do mundo sentir tudo isso,
que coisa mais deliciosa que pode existir do que essa?,
essa sensação boa de saber que o impossível está ao nosso alcance,
que aquele beijo maravilhoso está a sua espera,
que aquela conversa de esvaziar o coração está sempre disposta,
que coisa mais linda do mundo você é,
com seu jeito peculiar, confuso, carente e perdido,
é como um mundo que supera todos os outros,
delicado, dedicado, delicioso de ser,
que coisa mais linda do mundo passar as mãos pelos seus cabelos,
que coisa mais linda do mundo acordar sabendo que do outro lado
alguém acordou pensando em você,
que alguém sonhou com você,
que alguém descobriu algo novo e agradeceu essa dádiva
que sabemos ser eterna...

Eu tenho muito a te propiciar,
tenho muito amor pra lhe dar de bandeja, de graça,
tenho muita poesia pra escrever olhando pros seus olhos emocionados e cheios de lágrimas,
muito cheiro a me presentear,
muito pescoço quente pra sentir seu riso,
muito de muita coisa pra viver ao seu lado,
ainda não deu tempo de você saber quem eu sou realmente,
como me comporto, como me surpreendo ao te surpreender,
mas sei que o muito que reside em mim é seu,
é todo seu, entregue como um presente raro,
desses poucos que a gente recebe na vida...

E te faço agora uma promessa,
que todas as suas lágrimas serão secas por mim,
pelo meu rosto que sempre estará pronto para colar-se ao seu,
e prometo também todas as minhas palavras para te reconfortar,
prometo todos os meus esforços,
minhas mãos, meu peito aberto e meu coração exagerado,
que te quero minha, que me faço seu,
prometo até o que não tenho para te ter em minhas noites,
com sua alma iluminada deitada em cima de mim,
descobrindo o que realmente significa amar...

Eu nao tenho mais o que te falar, meu amor,
minha poesia é pequena demais para te descrever,
minhas palavras soam incorretas ao te desenharem,
minhas mãos não são capazes de acompanhar
o ritmo insandecido do meu pensamento em você,
minha cadência corporal nunca poderá ser descrita,
porque seu brilho, meu amor, é sublime,
é cheiroso demais, é a parcela mais importante que me faltava...


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Domingo, Dezembro 17, 2006

"Meticulosamente"



Hoje eu poderia ter qualquer sonho,
qualquer desejo que fosse,
que seria apenas uma idealização,
porque estou afogado nos meus próprios receios,
afogado na minha inércia que há tanto me perturba...

Hoje poderia ser quem eu quisesse,
se tivesse coragem de encarar minhas situações de frente,
mas tenho que fingir,
e isso inflige minhas regras,
tortura a única lei que deveria ter como certa.

Hoje eu poderia ter a conversa mais incrível com meu instrumento,
mas não consigo, por medo de perder...

Hoje eu poderia ter sido um cara mágico,
poderia ter dito coisas apaixonantes,
poderia ter determinado a mim um sorriso largo e aberto,
aqueles que sinto saudades de soltar toda hora,
poderia ter me superado sem pedir ajuda,
mas como sempre não consegui,
escolhi colocar meus óculos escuros,
colocar um fone, aumentar o som mesmo com a cabeça doendo
e blasfemar a desculpa de um dia introspectivo,
desculpas para tempos que estão me vencendo,
desculpas para um tempo enorme que venho jogando no lixo,
sem conseguir cumprir sequer minhas obrigações...

Acho que hoje eu não poderia nada,
porque não consegui vencer meu sono ao acordar,
porque não consegui me manter calado durante o dia,
porque me dói muito de noite,
quando estou sozinho, sem conseguir parar de pensar em alguém...

Hoje... Eu poderia esquecer hoje,
eu poderia pensar em amanhã,
mas hoje ainda me lateja muito,
hoje me relembra que por muito não fui capaz,
hoje me recordo que estou confuso com meus objetivos,
hoje me comprova que preciso esquecer
tudo aquilo que insiste não deixar,
hoje complementa a tristeza dos meus dias anteriores,
hoje me termina novamente assim,
perdido no seu cheiro, apaixonado pelos seus cabelos,
degustando meticulosamente a falta que você me faz...

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Terça-feira, Dezembro 05, 2006

"Luz do seu caminho"




Tudo deixa de ser quando ouço sua voz,
tudo aquilo que fiquei dias, sozinho,
planejando lhe dizer, planejando executar se perde ao te ouvir,
ao sentir o felling explícito que nossos corpos e almas celebram...

E eu fico me perguntando se vale mesmo a pena sonhar,
se vale a pena me aprisionar nesse mar de encantos que você tão bem sabe exalar,
nessa fantasia deliciosa que seu riso sutil e leve sabe tão bem me transportar.

E eu estou secando, transbordando,
pedindo, dormindo, te provando que é possível,
que é fácil manter,
que é coerente dizer que está confusa,
que é imprescindível essa troca,
que é libertadora essa energia,
que é incrível a nossa semelhança...

E me vem sempre a lembrança do nosso toque,
percebo que preciso de mudanças drásticas para não ficar doente,
percebo que não tenho escolhas,
que eu sou a parte preta que você nega,
sou a parte branca que você não consegue administrar,
sou seu vermelho, sou sua abundância,
sou seu corrompimento, sou sua algema,
sou sua parte adorável, sou seu desespero,
sou sua ilusão, seu risco predileto,
sou sua história antes de dormir,
sou a luz do seu abajour,
gasta, fraca, opaca, imprescindível...

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Sexta-feira, Dezembro 01, 2006

"Sou como você"



Sou de água,
porque eu amo,
porque eu quero,
porque eu sofro como um burro por todas as idiotices que faço nos meus dias,
por tudo que deixo de me libertar para me libertar,
por todos os momentos que tenho que rir sozinho por precaução...

Sou de água,
porque sou efêmero,
porque sou vulgar,
porque sou como você...

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"Eu também estou mal"



Eu estou mal,
sei que é sua culpa me deixar trancado no meu quarto,
escrevendo odes que considero incríveis,
mas que deixo guardadas nas minhas poucas gavetas abarrofadas,
com medo de que você leia e tenha certeza de tudo,
deixo tudo estocado, se perdendo no tempo enquanto me perco na vida,
e decido desistir, decido ir embora de vez para um lugar onde não seja escravo desse sentimento doentio que venho vivendo,
decido voltar a ser quem eu era antes desse jogo que você me obrigou a entrar e agora pede para que eu saia implorando para que eu fique...

Hoje, ontem, amanhã, semana passada, ano que vem...
Já me conformei com dias cinzentos, palavras de solidão,
cortes profundos nas coisas mais lindas que planejei para nós dois,
já me transformei nesse ser ignóbil, rastejante, implorador barato por atenção,
já me tornei estéril, seco, nulo,
já me fantasiei de nômade aqui em casa para ver se me encorajava e mudasse de atitude,
já me pintei com máscaras para não me reconhecer e optar por novas formas de te encarar,
mas toca o telefone, você sussurra o meu nome completo e composto com uma voz rouca de amor, paixão e tesão,
diz que sente minha falta, pergunta inutilmente se sinto a sua,
e eu esqueço de como foram ruins os meus dias anteriores,
esqueço de como pedi para não mais te adorar,
esqueço de como me fantasiei, de como me pintei de palhaço,
esqueço de como fiquei triste quando estava sentindo ausência,
esqueço das minhas mentiras à mim mesmo,
recobro minha vida transfigurado de carinho,
colho todo o meu jardim interior com cuidado
e entrego tudo de uma só vez, para que entenda
que o que eu sou por você pode ser eterno,
pode ser verdadeiro,
pode ser a verdadeira razão que me faz transgredir as regras nesse caos...

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Terça-feira, Novembro 28, 2006

"O gosto do meu vício que encontrei em você"



Eu estou sufocado com esse sentimento que fico regando todos os dias,
fico completamente fora de mim ao pensar em cada pedaço lindo do seu corpo,
fico compenetrado, criando, jogando, vivendo, de braços abertos, amando,
sorrindo com o meu peito aberto, sorrindo com meus cabelos,
sorrindo com minhas mãos afoitas que te buscam afobadas todas as noites,
mãos que buscam as borboletas que tão lindamente brindam a vida dentro de você,
buscam as pétalas que esfumaçam quando você anda se mostrando pra mim,
buscam sua luz incrível que você exala naturalmente,
buscam o enxame de vaga-lumes que te cercam, dedicados,
para se alimentarem com seu brilho,
buscam o arrepio incrível que temos quando entramos no campo magnético um do outro,
buscam todas as noites os seus lábios,
os seus pêlos,
as suas pernas despidas e lisas, o gosto do meu vício que encontrei em você,
a curiosidade para descobrir algo novo nos seus atos, na forma sublime que você se entrega,
algo que eu possa acreditar e transformar o meu mundo em alguma perfeição,
minhas mãos, meu peito, minhas vontades buscam aquilo que só você tem,
buscam saciar a saudade que não quer sair daqui de dentro de mim,
e eu fico perdido,
completamente fora de mim ao pensar em cada pedaço lindo do seu corpo,
fico sufocado querendo te ver todos os dias,
fico querendo muito dormir abraçado com você,
querendo te acordar com beijos dos mais diversos tipos,
querendo te lambuzar inteirinha com torta holandesa para te morder com mais doçura,
querendo te entregar flores roubadas e músicas inéditas,
fico querendo te guardar no meu melhor abraço, pra sempre,
ser o seu maior sonho, realizar a sua maior fantasia,
ser a sua brincadeira predileta de criança,
te transportar para a casa linda que venho, desde que te reencontrei,
construindo nas nuvens, lhe entregar uma estrela todos os dias antes de dormir,
soprar amor na sua barriguinha macia, sentir no meu abraço os seus seios e a sua nuca,
devotar minhas verdades ao pé do seu ouvido, baixinho, arrepiante, corajoso,
declarar a coisa mais linda e romântica de manhã para me superar a tarde,
para celebrarmos diariamente a riqueza singular que nossas almas expõe naturalmente,
para celebrarmos o reecontro de nossas almas gêmeas, recíprocas, mútuas, submersas...


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Sexta-feira, Novembro 24, 2006

"Viver e não viver do jeito que nascemos para viver"



Tudo que não demonstro tem o meu significado,
tudo que presto atenção nos seus atos são para te conhecer melhor,
para não distorcer dentro de mim quem você é,
como você gosta de se mostrar, como você gosta de me conquistar...

E sempre que vejo a maneira linda com que você mexe as mãos,
o jeito deslumbrante com que você arruma seus cabelos,
o êxtase em seus olhos buscando os meus, para me notar em detalhes,
me transborda, me conquista, me deixa com vontade de dormir
para sentir seu calor, que todos os dias idealizo nos meus lençóis.

Eu relembro, relembro, relembro cada ato e cada movimento,
passo o dia inerte com a lembrança da seqüência do seu suspiro,
seguido da sua lenta e rouca confirmação,
dizendo com seu silêncio as coisas mais lindas que já ouvi,
dizendo que está na mesma viagem sem rumo e sem volta que eu,
afirmando diariamente com atitudes o que preciso desesperadamente
afirmar com palavras e poesias, que estão longes de expressar
o que realmente borbulha dentro de mim...

E eu tenho tanto a dizer,
tenho tanto sorriso pra te entregar, três ou quatro para cada momento,
tenho tanta risada solta e tranqüila pra te envolver,
tantos beijos como só os nossos (poucos ainda) são possíveis,
tenho poesia, charme, baladas, brincadeiras, poemas longos só para você,
tenho puxão-de-cabelo, brincadeira no parque e ceninhas de ciúmes pra interpretar,
tenho tanta coisa linda pra te proporcionar, e tão pouco tempo ao seu lado,
e eu não sei mais pedir,
pedir me dói na carne,
transmuta a minha alma,
me corrói suspeitar que você me imagine normal, igual,
me corrói te ver com dor de cabeça e não poder te acarinhar,
sentir saudades e não poder te sentir,
não poder e ter que aceitar,
viver e não viver do jeito que nascemos para viver...

Gostaria agora, nesse momento, apenas de olhar no fundo do seu sentimento,
acariciar a sua pele incrível com a pureza que sempre acarinho,
suspirar juntinho de você o mesmo suspiro delatador de sempre,
e dizer que estou realmente com saudades do seu beijo macio, úmido, entregue, meu...

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Terça-feira, Novembro 21, 2006

"E quem resolve sumir?"



E quem ousa viver aquilo que era uma idealização,
e quem desiste de desistir do sonho bom e descobre uma intensa verdade,
e quem chama para si a responsabilidade de todo e qualquer ato,
sejam eles bons ou confusos,
merece mesmo ficar escondido do tempo,
à espera do óbvio para sentir a profusão mais linda de sua lembrança?

E quem joga tudo para cima para ser feliz,
e quem forja uma situação,
mente, corrompe, ludibria,
mas deita sorrindo e realizado,
é uma pessoa condizente?

E quem se determina a uma vibração explícita ,
e quem entorpece em busca da brutalidade desleal do amor,
e quem se lambuza de paixão,
e quem se engana para se espalhar,
e quem conjuga verbos intermitentes em busca da mesma atenção,
e quem joga mesmo não podendo, mesmo sabendo que perderia,
pode ser verdadeiro consigo mesmo,
pode ser inteiro, pode ser eterno?

E quem diz baixo e timidamente que ama sem saber direito o que é amar,
sem saber direito o que é toda essa insanidade sentimental,
pode ser correspondido?

E quem se permite todas as possibilidades,
conseguirá uma nova chance nesse paradoxo confuso e desumano?

E quem determina as suas próprias verdades,
será novamente escutado, beijado, transgredido, perfumado?

E quem ousa viver aquilo que era apenas uma idealização,
fica com qual papel na história?

Com o de santo ou com o de poeta?

E quem resolve viver o que era pra ser apenas uma peça de teatro,
fica com qual sentimento preso na garganta?

E quem resolve sumir de vez, para se tranquilizar,
será que consegue suportar a ausência por quantos minutos?


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Domingo, Novembro 19, 2006

"Tão nosso..."




Eu te conheci um dia, em um outro lugar,
em uma outra história, em uma cidade distante e desconhecida,
mas era exatamente você que eu via, como te redescobri aquele dia,
entregue, sublime, recíproca...

Eu te reconheci quando pude olhar diretamente nos seus olhos,
quando me deixei perceber que você é única e especial,
que você nasceu com uma marca igual a minha, marcada na alma...

Somente você pode decidir como direcionar as suas escolhas,
saborear apenas o que é melhor pro seu paladar,
amaciar seus lábios apenas com lábios raros,
amansar seu espírito com mãos apropriadas e dedicadas...

Somente você pode se deliciar com a delicia do seu sonho,
com a delicia do seu sono,
com a imensa poesia que caminha contigo todos os dias, de mãos dadas...

E eu me perdi por inteiro,
me apaixonei pelo brilho dos seus olhos apaixonados pelos meus,
desabei quando senti a força macia e quente
dos seus lábios beijando meu pescoço suado e entregue,
quando passei a mão pelo seu corpo mágico
e senti o mesmo arrepio que venho sentindo todos os dias
nas minhas noites idealizando sua presença e suas atitudes,
quando fui dormir com o seu cheiro nos meus cabelos
e não me permiti lavá-los,
quando segurei seu rosto e pedi um beijo escondido,
quando senti seu suspiro pelo carinho que te fiz sem que percebesse,
quando sussurrei nos seus ouvidos de surpresa que eu amo você,
quando exigi de você tudo em demasia,
quando pude compreender o nosso verdadeiro papel nesse mundo tão doce,
tão diferente e verdadeiro, compenetrado, visceral, paralelo...


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Quinta-feira, Novembro 09, 2006

"Me rendo por você"



Essa noite eu quis muito acarinhar cada pétala sua, minha flor,
quis muito dançar com você no escurinho, com aquela nossa trilha musical perfeita,
quis muito saborear a temperatura da sua pele frágil,
respirar o seu cheiro do perfume que escolhi sem saber,
para transtornar o mundo das flores e dos sonhos...

Essa noite eu quis muito muitas coisas,
fiquei do lado do telefone esperando você retornar o toque que eu dei,
aquele nosso toque que dou quando estou pensando em você,
fiquei imaginando suas pernas claras brincando com meus desejos...

Essa noite eu quis muito dizer a coisa mais recíproca nos seus ouvidos,
ardi de vontade de vivenciar a sua sutileza,
fiquei como o cara perdido que sou, buscando um rumo pra te encontrar,
pra sentar do seu lado e ouvir as suas histórias que me deixam apaixonado...

Incrível como essa noite pude comprovar o quanto você mexe comigo,
incrível como pude perceber a falta que você me faz,
incrível como pude perceber que nada do que foi dito foge do que realmente sou,
do que realmente me tornei tempos atrás,
me moldando sem saber para seus ideais,
estudando, criando, fantasiando para enobrecer seus segredos ocultos,
descarrilhando seu rumo, trazendo á tona aquele pensamento que você sempre quis ter pensado, e estava guardado, com medo das consequencias deliciosas que elas já lhe trouxeram...

Essa noite eu respirei bem diferente,
eu me deixei levar pelo possível,
me deixei encantado e pleno por você,
me deixei ser livre sem ter medo de ter medo...

Essa noite eu quis muito acarinhar cada parte do seu corpo, minha linda,
quis puxar bem devagarinho seus cabelos para soprar sua nuca,
quis falar baixinho para ter que repetir sussurrando nos seus ouvidos,
quis parar o mundo de novo, para lhe dizer que te sonho,
para lhe dizer que te busco, para lhe mostrar que me rendo por você...

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Domingo, Novembro 05, 2006

"Regras doadas"




Estou a flor da pele,
para fazer os seres humanos sentirem minha intensidade,
quero mostrar ao mundo o que eu aprendi a gritar sozinho,
o que eu retraio por medo de me desapontar.

Quero denominar novas formas de ver a vida,
quero transcender o mais cético dos homens,
quero abduzir um mundo que está sem esperança para os sonhos,
quero radicalizar todos os momentos dos mortais.

Quero também compartilhar ensinamentos que sei que domino
mas que estão camuflados pelo meu ostracismo,
quero indicar caminhos frutíferos a quem tanto precisa.

E demonstrar também o quão necessário é termos carinho
pelas flores e pelas formas, o quão necessário é idealizarmos
um futuro brilhante para servirmos de exemplo e não termos vergonha
de assumirmos nossas delicadezas.

Quero demonstrar que é preciso ter vida para viver.

E dou voltas, voltas por tantos mundo, cheios de muros,
cheios de afazeres mentirosos, e tento passar desapercebido,
passando ensinamentos apenas pelo subconsciente,
e desmoronando preceitos tão fiéis e difíceis de serem quebrados...

Faço de tudo, grito, choro, clamo,
para demonstrar que nasci para ser eterno,
que blasfemo contra toda a hipocrisia que me ronda
para conseguir trilhar meus feitos, e me declaro intenso a todo minuto
para viver a intensidade dessa eloquência toda que me cerca e me enche de brilho,
que me enche de vontades, que ditam as regras do meu estilo de vida...

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Quinta-feira, Novembro 02, 2006

"Como é bom"



Como é bom vivermos as histórias
que não podemos escrever,
tão difíceis de esconder,
tão fáceis de sentir...

Como é bom estar ao lado de quem nos completa,
aconchegado nos braços que apertam
meu distraido coração,
que ludibriam minha nobre solidão...

Como é bom recitar poesia,
como é bom fazer música com requinte,
como é bom subir ao palco e encenar
o que sempre sonhei em encenar aqui fora.

Como é bom vivenciar a magia de olhos verdadeiros,
como é bom preencher nosso tempo com alegria e divertimento,
como é bom se deixar levar pela vida...

Como é bom estarmos plenos,
como é bom sentir o sutil aroma
das flores da sua aura,
da sua cor azul clara,
da sua destreza para me fazer voar...

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Quinta-feira, Outubro 26, 2006

"Dizendo"



Cada dia que passo longe de você me deixa mais apegado ao seu cheiro, ao seu calor, à nossa intensidade...

Sentir seu sorriso escancarado, perdido no meu pescoço, brincando com minhas manias me deixam com muita saudade, e me pego contando os minutos para reencontrá-la, para rir o meu melhor riso, para ficar com meu melhor humor, porque isso tudo eu só consigo ao seu lado, essa sensação de viver é mais colorida quando estou com você, brincando, te jogando pra cima, te mordendo, dizendo que te amo...

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Terça-feira, Outubro 24, 2006

"Hoje eu vim avisar"



Hoje eu vim avisar que estou partindo,
essa história de você ter namorado é muito difícil de lidar,
essa história de saber que outro homem encosta nos seus cabelos macios e coloridos me deixa atordoado,
essa história de saber que é impossível, que é confuso, que irei tirar as suas máscaras teatrais me deixam perdido, confuso,
me deixam compenetrado e dedicado em um mundo tão nosso e tão solitário...

Hoje eu vim avisar que contra minha vontade estou partindo,
avisar que gostaria de lutar com todas as forças para sentir ao menos um abraço verdadeiro, aqueles que só consigo com você,
aqueles que reacenderam a minha sede poética,
aquele abraço que você me prometeu durante tantas noites,
noites roucas com nossos sonhos livres e alegres,
noites sem essa sua luta desnecessária,
hoje percebo o esforço descomunal que você transmite,
que está suficiente sem meu riso,
percebo claramente o seu desespero pra não demonstrar o quanto ainda me quer, o quanto ainda me sente ferver nos seus olhos e nas suas pernas, o quanto ainda sabe que temos a viver intensamente...

Hoje eu acordei decidido a ir embora,
embora tenha te ligado,
embora tenha dito que queria te beijar uma única vez,
embora tenha dito que queria te morder,
embora tenha dito que queria te despir,
embora não tenha dito que queria chorar junto de você por alegrias,
embora não tenha dito que queria saltar de paraquedas com você,
embora não tenha dito que você é incrivelmente linda, cheirosa, gostosa, gentil, sutil, febril, amável, carismática, suave, sedosa, e que não consigo parar de te olhar,
e que não consigo parar de pensar em você ultimamente,
embora eu não tenha dito que você conseguiu em pouquíssimo tempo
me fazer sonhar mais do que não conseguia fazer em anos,
embora não tenha te dito que estou com as olheiras cinzas por não conseguir dormir, por já logo sonhar estripulias com você,
embora não tenha dito que arrisco para ser feliz,
embora não tenha dito que sou maluco o suficiente para viver uma história nova de amor...

Vou embora deixando meus rastros para que me siga,
porque meus caminhos não tocam o céu sem você,
porque meus caminhos não tocam música sem você,
porque meus caminhos sem você são silenciosos e discretos,
porque tenho muita coisa pra arrumar,
muita promessa pra fazer,
muitas palavras que você não está mais disposta a ouvir...

Hoje eu vim avisar que contra a minha vontade estou partindo,
mas tracei planos e rotas de viagem bem lentos,
para que quando perceber o que somos
volte soletrando o seu mundo mágico de fantasias...

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Segunda-feira, Outubro 23, 2006

"Abacaxi com cereja"



Desabei de vontade de captar as coisas mais incriveis,
tentei ao máximo explorar todas as suas necessidades,
forjei planinhos pequenos e mesquinhos
para roubar mais da sua atenção,
para ter plena certeza...

Fiquei aqui em casa, absorto num silêncio desumano,
idealizando cada forma sua,
cada curva do seu corpo lindo e sutil,
fiquei passando a mão em você inteirinha,
deixando-me levar pela imagem tão perfeita na minha frente,
deixando-me incendiar distante da nossa verdade,
distante da nossa magia...

Eu pude ver de longe todas as vontades que eu sinto,
eu pude ver de longe todas as manias que eu vejo como qualidades,
pude ver seu riso alegre, seus cabelos se enroscando nos meus dedos,
despropositadamente forçado,
consegui sentir a temperatura de alguns pedacinhos do seu corpo,
consegui ver de longe as diversas expressões do seu rosto claro,
consegui ver de longe a vibração das minhas pernas ao te ver,
consegui ver de longe o pulsar do seu sorriso,
o pulsar do brilho dos seus olhos,
conseguir ver de longe a vontade que eu tenho de ser você em mim,
de me deixar ser eu em você,
de nos deixarmos enriquecer cada segundo de nossos passos,
tornando cada centavo de alma muito valioso,
precisando aplicar na poupança da nossa vida,
tornar cada riso eternizado em poesia,
cada encanto homenageado nos meus tantos altares,
esses que carrego dentro de mim,
que estão à espera de preciosidades que os iluminem...

Pude entender tanta coisa,
pude deixar meus acertos tão livres dentro de mim,
pude deixar minha cabeça girar nos mais incriveis assuntos,
tudo por saber sentindo que estava energizado,
que estava claro para mim os trajetos a serem seguidos,
por estar óbvio demais a nossa sinergia,
por ser calmo o nosso paradoxo do adulto criança,
por ser como queijo e goiabada,
por ser como pular amarelinha,
por ser como abacaxi com cereja,
por ser como amor e paixão...

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Quinta-feira, Outubro 19, 2006

"Tateio antes de ter"




Minhas mãos te tatearam solitárias essa noite,
sentia dores distintas, dentro e fora de mim,
fiquei apagado, lendo um livro incrível até muito tarde,
querendo muito lhe telefonar para ouvir sua voz de sono,
querendo muito desejar à você o que venho tentando esquecer...

Meus lábios inocentes tatearam seus olhos outra vez,
esquecidos e amaciados numa almofada azul que ganhei de presente,
uma almofada tão linda que guarda tantos segredos comigo,
que guarda tantos retratos das minhas confissões...

Meu corpo transgrediu tudo quanto foi regra nessa noite,
desabou em silêncio no escuro do meu quarto frio e impessoal,
deixei minha impessoalidade a beira de um ataque de nervos,
baixei todas as minhas defesas para me defender,
deixei aquele poema lindo que compusemos juntos esquecido e dobrado
no meu caderno velho e desbotado de poesias,
deixei meu cabelo bem arrumado, daquele jeito que você detesta,
aumentei o volume do som pra ver se não te escuto,
pra ver se consigo deixar de ouvir o que vejo com os olhos,
pra ver se deixo de sentir o que me faz nobre e sonhador,
pra conseguir entender de uma vez por todas a nossa mágica sintonia...


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Terça-feira, Outubro 17, 2006

"Cabelos Coloridos"




Cabelos coloridos, jogados e sem sentindo,
cabelos esfumaçados que tanto mexem comigo,
cabelos perfeitamente desalinhados, unidos aos meus,
cabelos travestidos de viagem astral,
cabelos recobertos de sonhos e estrelas,
cabelos estranhamente plugados por uma sintonia diferente,
cabelos amarrados atrás da cabeça só pra me encher de paixão,
cabelos cheirosos que amaciam meu peito,
cabelos armados para que eu puxe abarrofado de tesão,
cabelos com cachos brilhantes,
cabelos que vêem além do infinito,
cabelos que imaginam luz e cor,
cabelos que seduzem poetas que divagam na noite,
cabelos que trazem a lembrança da infância,
cabelos que fazem com que eu me apaixone diariamente,
cabelos que medem a minha tristeza e a minha alegria,
cabelos que manifestam a sede por viver,
cabelos que giram no ar como bonecos de circo,
cabelos que cismam em mostrar o ritmo da minha vida,
cabelos que indagam sobre minhas atitudes,
cabelos que dizem diretamente os meus erros,
cabelos que ditam regras novas para velhos paradigmas,
cabelos que renascem a poesia já seca,
cabelos que sintonizam a verdade,
cabelos que trazem uma nova chance,
cabelos que se deixam olhar por dentro,
cabelos que se enxergam como raridade,
cabelos que destilam a graça da sua beleza,
cabelos que me pregam peças diárias,
cabelos que se enroscam no tudo que sempre soube que existia,
cabelos que se apoderam de todos os meus sonhos,
cabelos que cantam a minha música predileta,
cabelos que filmam os meus olhos sem medo,
cabelos que são a metade dos meus,
cabelos lindos de matar, tenho uma confissão a te fazer:
eu juro pelos seus cabelos, que seu gosto eu preciso ter,
que seus cabelos eu preciso ser,
que seus sonhos impreterivelmente eu preciso viver...



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Quarta-feira, Outubro 11, 2006

"Ser músico"



Ser músico é respirar a grande verdade que nos cerca,
é transparecer grandes detalhes com os olhos fechados,
é sentir dores e incertezas para transformá-las em poesia...

Ser músico é recitar todos os sorrisos,
é transbordar as pessoas sem preconceito,
é reviver a fantasia de todos os adultos,
é brincar de ser feliz com apenas um gesto gentil...

Ser músico é ter a inevitável destreza para o mundo que nos cerca,
é tratar essa imensidão tão rica e conturbada com carinho,
é se doar com a leveza do pouso de um flamingo em águas calmas e frias,
é tratar o próximo como uma criança trata os seus sonhos...

Ser músico é ser fiel a tudo o que se imagina,
é transformar aquela dissonância que não nos deixa dormir
em algo sublime,
é corresponder-se com corações muito diferentes dos nossos,
é transmitir-se até com quem pensa demais,
é transformar pessoas que não esperam mais nada delas mesmas,
revivê-las ao ponto onde possam novamente fechar os olhos
e entenderem o verdadeiro significado de suas escolhas...

Ser músico é captar a essência do universo,
é transcender o óbvio,
é enxergar e apaixonar além do limite,
é aproximar todas as almas especiais de outras vidas em nossos corações.

Ser músico é deixar-se aberto para ouvir todos os sussurros com a imaginação,
é deixar ferver o sangue com a alegria de um sol nascendo,
é ter sensações tão nobres quanto advinhar desenhos novos em nuvens claras,
é como sentir o pulsar magnífico de uma mulher apaixonada,
é como soprar desejos de mansinho em lábios largos e claros,
é como guardar segredos incríveis, sem medo de ser descoberto...

Ser músico é o grande dom dos seres pensantes,
é a grande arte que complementam os poetas tristes,
é a incrível mágica com que degusto meus dias...

Terça-feira, Outubro 10, 2006

"Minha poesia para almas especiais" - A.N.




Poesia é a arte que poucos sabem entender,
é o novo grande amor ao aquém
sendo transfigurado em palavras...

Poesia é a quebra de sigilo do sentimento,
é o contentamento dos pobres e a luxuria
como fragância para os endinheirados...

Poesia é a composição perfeita à eternidade,
onde tudo significa nada,
e o nada define em si a mensagem.

Poesia é o sopro leve da brisa,
é a sinfonia ao maestro dos sons,
a tela ao maestro das cores,
é a vida do maestro das letras...

Poesia é o renascimento da nova natureza,
é o sibilar dos pássaros extintos,
é o roncar dos troncos mortos.

Poesia é o paraíso do pobre perdedor,
é o descanso do aqui vencedor,
é a eternidade para o vão escritor...

Poesia é o meu sangue,
em forma de palavras,
em forma de poesia...

Quinta-feira, Setembro 28, 2006

"Silencio"




Silêncio...

Tem alguma coisa acontecendo aqui dentro de mim,
tem alguma coisa destoando do contexto,
ferindo a imagem nunca cuidada,
simbolizando novas formas para minha forma sem forma...

É impossivel a capacidade do seu corpo
mexer com o meu,
deixar minhas pernas trêmulas e meu peito em torpor,
é causticamente abalável as suas estripulias,
as suas brincadeiras de criança já adulta...

E eu me vejo ali debaixo do seu palco,
prepotente, egocêntrico no meu mundo de palavras decoradas,
te vendo de ponta cabeça,
te sentindo sem que você saiba,
te redesenhando nos meus sonhos para aliviar minha libido,
te transformando em noite só para ver o meu dia clarear em seus braços...

Tento lapsos, tentativas em vão de me conectar com o seu carisma,
sorrio o meu sorriso mais cafajeste,
tendo a certeza de que não serias capaz de resistir,
declamo o melhor dos meus poemas num sussurro que julgo ser arrepiante,
declaro abertamente uma guerra para conquistar a sua atenção,
para conquistar o seu riso suado no meu pescoço carente,
para deixar de sentir a solidão que venho inutilmente camuflando...

Silencio para escrever um novo poema,
novas frases que novamente você deixará de ler,
novos versos incoerentes ao seu extenso português...

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

"Energia do nosso olhar"




Ela é linda, espevitada, sapeca, charmosa,
ela pula no chão cheia de graça,
ela é lírica de boca fechada,
expressando tudo com os olhos,
dizendo a mim que sonha como eu,
que sente como eu tudo intensamente,
tudo incrivelmente sem controle,
tudo unicamente sem conceito,
tudo junto, separando cada frase pra cada olhar,
chorando e sorrindo por dentro,
descobrindo em mim o que nem eu ainda pude ver,
me transbordando sem saber quem somos,
me iludindo nesse sentir platônico
tão gostoso e bonito de se ver,
virando de ponta cabeça minha ainda única noite...

Tudo tão novo, tudo tão semelhante ao que tanto fui discriminado,
tudo tão de repente, tudo tão óbvio pra mim...

Como posso agora seguir meus passos
sabendo que seguem os mesmos passos meus,
sabendo que filmam o que meus olhos filmam,
sabendo que dançam o que minha alma clama...

Eu tive sorte nesse novo sonho,
eu tive calma nesse novo mundo,
eu tive perspicácia nesse novo sintoma,
eu tenho paciência pra esperar o novo encontro de nossas mãos...

Eu tenho um segredo enorme pra te contar,
eu tenho uma verdade na ponta da lingua pra segregar,
eu tenho um vinho guardado na geladeira,
um vinho bom, desses caros, espumante importado,
menos gostoso do que quero te proporcionar,
menos valioso do que quero te fazer viver,
menos saboroso que a energia do nosso olhar...

Terça-feira, Setembro 12, 2006

"Dias contados"



Estou me perdendo por muito pouco,
estou me deixando levar por uma máscara que não cabe em mim,
estou fingindo que me sacio com uma migalha a cada dia,
a cada nova figuração que venho constantemente vivenciando.

Quero me desprender de todo esse ócio,
de toda essa necessidade falsa,
de toda essa pose que não me convence por completo,
de toda essa papagaiada que todos acreditam,
menos quem realmente importa...

Quero alçar o vôo que sou capaz,
quero me soltar dessas agarras imundas que tratei e cuidei com tanto amor,
quero sair dos lugares de cabeça erguida,
consciente de estar fazendo de mim o que sempre sonhei,
convicto de que meus fardos têm realmente de ser aqueles que não carrego hoje.

Ontem tive um sonho, desses que a gente tem acordado,
e tomei uma decisão difícil, tomei a decisão de ser eu na íntegra,
de me encarar sem medo do que pensem,
de ir além dos meus passos de hoje...

Hoje eu acordei sonhando minha realidade,
acordei sabendo o meu dia de amanhã,
acordei sabendo que esses meus dias estão contados...


Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Agosto 25, 2006

"Alma em desenvolvimento"



Sou uma alma em desenvolvimento,
sempre cheia de vontades de você,
sempre cheia de saudades incríveis,
sempre farta de hipóteses que nunca se realizam.

Sou uma alma em busca da grandes descobertas,
em uma luta armada de preceitos,
em uma guerra quase sempre solitária,
num estágio como sempre ultrapassado...

Sou uma alma que transita pelos becos
dos sentimentos mais escuros,
sou uma alma desesperada em busca
das mais adversas sensações.

Sou uma carne que deseja muito,
sou uma estranha vontade de amar
a qualquer custo,
sou uma alteração corportamental
no mesmo ciclo morno do cotidiano...

Sou uma frase de efeito ainda desconhecida,
sou uma música antiga nunca tocada,
sou uma comparação nunca feita por ninguém,
sou uma melodia inteira fora do compasso...

Sou uma fruta diferente dentro mesma colheita de sempre,
sou um desembainhar de uma espada há muito enferrujada,
sou um disvirginar múltiplo em cada situação já decorada,
sou uma redescoberta que fingem todos os dias não existir...


Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Agosto 17, 2006

"Balas de goma"



Como balas de goma para esquecer da solidão
que me acomete ao suícidio de tantas histórias
que sempre cri serem incríveis, e que são
opacas ao sair da minha boca, da minha mente confusa...

Aumento o som pra não ficar o dia todo
escutando o ranger enferrujado das minhas derrotas,
tento disfarçar de mim mesmo essas tantas fraquezas,
essas tantas manias inferiores que me perseguem,
e vou determinando no meu novo dia novas atitudes,
dizendo aos meus passos perdidos por onde andar,
o que sentir, o que dizer em vão como sempre...

Até cair na real e perceber que estou sozinho na sala,
que acordei mal humorado, coloquei minha música predileta
pra tocar no som do banheiro, tomei um banho rápido e morno
como estou me sentindo, me troquei com a mesma roupa suada
e velha de ontem, por não ter vontade de melhorar a forma
com que me vêem, dirigi calado, fiquei calado até quando levei
uma brusca fechada de outro carro no trânsito,
fiquei calado por não ter forças de expor meu sentimento de revolta,
por não ter forças de expor meu sentimento alheio,
cheguei ao trabalho atrasado, comi meu ácido abacaxi matinal
e menti para mim mesmo e para quem me procurou de que estava tudo bem...

E agora escrevo, sem rumo, sem vontade de fazer nada,
sem estímulo para crescer na vida profissional,
sem impulso poético para escrever sobre amor,
sem tesão pelo resto do dia, esperando apenas o fim,
o fim do dia, do sufoco que uma noite como as que não tenho tido
possa me proporcionar, esperando uma luz cair do céu,
esperando um milagre que me ensine a não perder meus dias
a comer balas de goma para esquecer da solidão...


Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Julho 28, 2006

"Tempo para sorrir"



Hoje estou triste, como se estivesse vivendo. Triste por ver tantas coisas ao meu redor e me redimir fantasioso. Tento olhar para fora desse sufoco que cismam em me reconfortar como sendo passageiro, mas é sempre tudo tão em vão, é sempre tudo com sentimentos somente de um lado. Decidi dessa vez mudar, ao menos por uns tempos, tentar reproduzir um sabor que não me é natural, tentar ao menos por momentos ser insosso e neutro, tentar não ter crises de ansiedade para com tudo o que me cerca, para ver se consigo ficar tranqüilo e alheio a essa loucura que me persegue. Decidi hoje só escutar Mpb, para fugir daquele medo, para fugir daquela antiga guerra que de vez em quando bate à minha porta e que tenta me imaginar em outro estado de espírito. Decidi hoje ler o mesmo livro de antigamente, para redescobri-lo em uma outra perspectiva, para reescrever uma mesma poesia de anos atrás com outros olhos. Decidi hoje conversar abertamente sobre minha poesia e meus anseios com uma pessoa que não conheço, mas que se demonstra tão próxima que acredito fielmente. Decidi hoje acordar e me elogiar por me sentir mais magro, decidi hoje ouvir aquela música triste e longa que eu tanto adoro logo de manhã, decidi também diagramar meu dia, pôr cores em cada pedaço de tela e papel que vejo, decidi escutar uma música nova, decidi por tantas coisas, e não passa da primeira metade do dia. O que eu não decidi ainda é sobre o meu futuro, ainda não decidi se vou decidir ser feliz ou triste, sozinho ou com muita gente ao meu redor, ainda não decidi se amanhã vou fazer amor ou ficar bêbado, ainda não decidi também se vou tocar alguma alma necessitada só por jogo ou se vou dizer a verdade, mesmo que machuque. Ainda não decidi com que roupa vou me mostrar ao mundo hoje, se com aquela amarela velha, ou se com a velha camiseta preta desbotada com marcas de solidão impregnada nelas. Ainda falta decidir tanta coisa que não sei se terei tempo de sorrir...


Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Junho 23, 2006

"Você que é"



Você que é lírio, som, toque, amor,
você que é linda, meiga, sedutora,
você que transpassa o silêncio com seu silêncio,
você que emociona por ser a flor da pele,
você que vibra, deita, chora,
você que ri, geme, sua,
você que sorri como quem olha o mundo além do olhar,
você que sonha junto dos meus sonhos,
você que deseja tanto quanto eu,
você que se aventura pela sua realização,
você que grita, ousa, clama,
você que acompanha as minhas loucuras,
você que aceita minhas inconsistências,
você que ultrapassa todo e qualquer entendimento,
você que quebra as barreiras do limite,
você que seduz como quem se joga ao vento,
você que me desatina uma saudade imensa,
você que aproveita nossa imensidão,
você que enlouquece meus preceitos,
você que se deixa enlouquecer pelos meus sonhos,
você que cheira como as flores,
desatina sem saber uma vontade absurda,
uma saudade pesada no peito,
uma imaginação fértil na pele,
uma irradiação linda nos meus olhos...


Fiquem em paz...
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Terça-feira, Junho 20, 2006

"Aprendi"



Finalmente estou convencido sobre o real
significado do amor explorado nos livros,
como este que sinto cada dia mais aflorado,
cada segundo mais delicioso de ser vivido.

Passei a compreender uma nova importância
para a chuva, vivenciando-a agarrado
no calor de um abraço reconfortante,
dormindo sem pressa por não poder ir à praia nesta tarde.

Relembrei dos arco-íris que me seguiram
por toda a Argentina, sempre seguido do sorriso
e do brilho dos olhos dessa mulher
que me deixa sem palavras sempre...

E hoje, na avenida Paulista, me perdi por completo em você,
folheando livros e mais livros sem interesse de comprar,
apenas para sentir o cheiro tão doce e suave,
que exalamos quando estamos juntos, por mais tempo...

Estou entregue, pluralmente entregue a essa loucura mágica,
mais consciente de todos os sentidos,
musicalmente purificado por tal grandiosidade,
e incrivelmente coberto com as cores dessa experiência singular...



Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Abril 27, 2006

"Metade de mim"



Você é tão linda quanto nuvem clara em céu azul,
é tão mágica quanto lua cheia com céu estrelado,
tão aconchegante quanto um mergulho em mar sem ondas,
tão saudável quanto beber água-de-côco no sol forte...

Você é tão apaixonante quanto uma tarde sem compromissos,
quanto uma fruta tirada do pé,
quanto um passeio sem pressa por entre as borboletas...

Você possui a incrível proeza de ser incrível
com tanta naturalidade que me deixa
cego por todas as minhas fantasias,
por todo o deslumbramento que sinto ao seu lado...

Você ri tão fácil que embeleza minha vida,
fala tão doce que me comove por dentro,
me conta tanta coisa boa que me perco
em suas palavras, só pra ouvir você repetindo tudo de novo...

Você, meu amor, é a razão da minha completicidade,
é a metade de mim que estava me procurando por aí...


Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Abril 07, 2006

"Minha mão não toca mais você..."
André Neves e Marcela Spindola



Eu não vou quebrar, as mesmas coisas de antes
eu vou deixar essa quantidade imensa de migalhas
para você, tão desesperado por atenção,
tão cansado de insistir em me agradar...

Deixei em um quarto escuro as lembranças
que foi a nossa farsa, deixei tudo ali, sem esconder nada de ninguém
tudo aquilo que te envergonhava e me fazia tão completa
nas minhas idealizações, no meu jogo nulo de ser eu...

Tantas vezes pensei me deixar levar pelo vento
pra esquecer a dor de não ter mais a alma que antes me acompanhava
agora sou suja e vazia, estou extravasando coisas que não me agradam,
estou doando minha vida a quem tem o luxo de não se preocupar
em olhar para o lado, estou escrevendo poesias em segredo
a quem não merece sequer meu respeito...

Sigo, partida, desolada, inconsequente em uma parábola
escrita por uma só mão, e o o piano já não toca mais as mesmas
canções que me faziam feliz e realizada...

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006

"Agente de sonhos"



Onde está o meu agente de sonhar sonhos bons?

Em qual esquina das minhas tantas ele se perdeu, deixando o seu rival tomar conta das minhas conturbações?

Estou procurando-o feito doido, porque sem ele não consigo mais sentir cheiro, não consigo mais sentir sabor, não consigo mais sentir o que me completa, pois todo o meu viver é baseado em sonhos, todo o meu viver e todas as minhas aventuras são limítrofes sem esse agente...

Será que ele é bêbado, será que ele anda tomando êxtase escondido de mim, com medo que eu roube metadezinha, pra ver se esqueço essa saudade insistente que anda furando meu sorriso?

Ou será que meu agente se casou com minha paz e fugiram pra um deserto bem desconhecido? Estou sentindo a falta dela também...

Já não basta procurar respostas pra minhas tantas incertezas, já não basta ter que ser muito forte e destemido pra esquecer quem não se faz de jeito nenhum esquecida, já não basta ter que ser corajoso pra ligar só até o penúltimo número, chegando perto demais do alívio, será que já não basta ter que reinventar esse gostoso sentimento diariamente, reconquistar todos os dias, enaltecer em todos os poemas, energizar em cada toque escondido de mãos hábeis, já não basta o esforço desprendido para ser ávido, para amar com os olhos sem que vejam que amo com os olhos, sem que descubram que ardo por dentro, que explodo por fora, que choro ao tentar dormir?

Será que paguei mal meu agente? Será que ele se sentiu um agente penitenciário de Febém?

Se alguém souber onde ele está, avise que preciso que ele volte pra colocar minha vida no lugar, avise que o seu desprezo machuca o eterno amante e o amigo fiel, avise que o cheiro do seu sonho está impregnado em mim, avise que está difícil viver sem ele pra me fazer rir fácil, pra me fazer suar de tesão, pra ficar grudado nos lencóis, avise, pode ser qualquer um que o encontre, que sem ele não dá pra ficar, é chato, é lúcido, é bicolor, é morno, é silêncioso...

Volte, que eu vou cantar a nossa música predileta !



Fique em paz...
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Sexta-feira, Dezembro 16, 2005

"Pelos cantos, pelas entrelinhas"




Muitos ousam dizer que sou um cafajeste,
e eu treplico, com toda a minha angústia cega,
que sou um benfeitor às almas humanas,
pois as ensino a amar na essência do amor,
as reverencio como sempre sonharam em serem reverenciadas,
multiplico-as em troca de um sorriso verdadeiro
nesse mundo de dementes.

Eu me construi poeta para satisfazer os desejos
dos seus olhos doces e puros,
eu me transformei num amante sem limites para satisfazer
aquela fantasia tão bem guardada há anos,
eu arduamente me conquistei para te conquistar,
me revirei para te revirar,
aprendi a te adorar para ser adorado por sua alma
relutante e perceptiva

Degustei sozinho todas as sensações possíveis,
imaginei cenas e situações incabíveis a uma pessoa sã,
fiz de tudo para me parecer lógico nesse meu mundo
de sonhos e abstrações,
para te fazer compreender de vez que meus sintomas
tão malucos são reais,
que minha satisfação contigo suada em meu colo é única,
que seus lábios nasceram para serem mordidos pelos meus,
que renascemos para contar a nossa história nas entrelinhas...


Fiquem em paz...
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Quarta-feira, Dezembro 07, 2005

"Fruta sem fruto"



E o meu peito, e o meu sangue,
e o tudo que me repete tanto,
tantas palavras perdidas,
tantos sentimentos sem sentido

Tudo acaba se transformando
na história sem personagens
que tanto me entrega,
que tanto me engana

E me isolo carente, ausente
austero, astuto,
premeditando tantas coisas,
coisificando as simplicidades,
sentindo os detalhes tão prematuros.

E meu recheio vai ficando mais amargo,
como uma fruta que passa do ponto na fruteira,
com as drosophilas corroendo cada pedaço,
cada curva, cada sentimento.


Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Novembro 24, 2005

"Como nos velhos tempos"



Acordei com uma vontade imensa de dizer ao
mundo as palavras e pensamentos que percorrem
dentro de mim.
Descobri que a cada dia que se passa, as pessoas perdem
sua autenticidade, sua intensidade e sua personalidade.
Prisioneiros de uma idéia e de um mundo globalizado,
as pessoas viraram egocêntricas, individualistas e por que
não dizer "fantoches" de frases, modas e pensamentos ditadas
por alguém.
Voltamos a era da escravidão. É isso, somos escravos novamente.
Escravos modernos, mas escravos do dinheiro, da televisão, do
capitalismo, do modismo, da vida fácil, da corrupção, da modernidade ...
"Somos estranhos em nossas casas."
Salve o campo, o cheiro da terra, do interior, do trabalho, do respeito,
da pouca modernidade, das fazendas, dos lampiões a gás, da chuva,
da roça arada, da cachaça de alambique, da ignorância ...


Texto: Guilherme Bim

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Quarta-feira, Novembro 16, 2005

"Novo ciclo"



Dizem que às vésperas do término do nosso ciclo
entramos em um inferno astral,
e só posso dizer que se o que vivo
estiver nessa fase, quero passar o próximo
ciclo no meu inferno astral.

Ganhei antecipadamente presentes e gestos
que me marcaram demais, recebi pessoas
de coração aberto e carinho suficiente
para deixar um mundo inteiro condolente,
e ultrapassei todas as formas e barreiras
conduzindo minha vida a uma plenitude muito rica.

Transbordei, arranquei lágrimas de amor,
errei ao derramar lágrimas bravas,
emocionei, em nenhum instante que tenha
recordação fui morno ou indiferente,
fiz e falei o que gostaria de ver e ouvir,
ousei e fui absurdamente bem recompensado,
e estou confiante na beleza e na leveza
que meu novo ciclo me proporcionará,
com as mesmas convicções dos meus sonhos
e com a mesma reprocidade amorosa que meu
coração observador pode conceder...


Fiquem em paz...
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Segunda-feira, Outubro 31, 2005

"Gosto pelo sereno"



Sinto uma grande atração
pelas noites abraçadas pelo sereno,
pois ele molha do jeito que eu quero
as terras, para eu colher flores
que tanto recheiam minha adoração por presentear.

E do mesmo jeito que gosto do sereno
gosto dos anseios e da contra-mão
que por vezes acomete-se
nesse meu tresloucado aprendizado mundano.

Cada pedra atirada contra meu rosto
faz minha pele mais resistente na cicatriz,
minha mente mais conhecedora de quem não suporto,
mais vívida pela falsidade constante
que cuidei e criei com afeto.

Cada porta tão cegamente fechada às pressas
ao meu sorriso me transporta ainda mais
à sutileza do meu mundo, à magia
daquele ambiente forrado de gente que se
orgulha por ser inteligente e livre.

E vejo tantos muros levantados infundavelmente,
tanto trabalho feito sem saberem em prol do meu conforto,
tanta luta sendo batalhada sozinha,
tanta paz no meu espírito
que me transbordo de agradecimentos
ao meu sábio companheiro destino...


Paz e sorte pra quem precisa muito...
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Quarta-feira, Outubro 05, 2005

"Medo de infância"



Sou um adjetivo corrompido
dentro da exaustão de ser o que sou.

Miro alvos milimétricamente,
mas minhas flechas sempre arrebatam
a cruz errada, constantemente me
depreciando em tudo que com afinco construo.

Torno-me mágico por dias a fio,
treino malabares com os meus sentimentos desencontrados,
e fico confuso com esse tudo que me sucede,
muito perdido nesse não sei o que fazer,
nessa angústia surda de não saber por onde ir...

Meu braço dolorido reclama da tristeza
que o não-reciproco me traz,
mordo o dedo para acordar
e me descubro causticamente desperto,
solitário, amante, enjaulado.

Abro a janela, ligo a TV para escutar
um pouco de música que não me agrada,
disco até o penúltimo número do seu telefone
e desligo com receio de acordar
quem não me deixa dormir,
me podo das mais perversas formas,
para me demonstrar tranquilo,
quando na verdade estou desesperado
não querendo reviver meu maior trauma de infância,
que é o meu medo de perder...

Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Agosto 19, 2005

"Na espera de um milagre do tempo"



Estava dormindo e acordei de repente, querendo te contar uma história que se passa dentro de mim...
Fiz uma analogia ao que eu sinto por você com um celular.
Cada hora sem você vou diminuindo, vou ficando mais fraco, necessitando uma nova recarga, e percebi que depois de um final de semana que ficamos colados um no outro, a segunda-feira passa tranquilinho, com carga cheia na lembrança gostosa do amor desprendido nos três dias anteriores, na terça-feira já começo a dar sinais de fraqueza, mas ainda aguento firme, mas na quarta-feira já amanheço descarregado, disperso, pensando na possibilidade de te surpreender com uma visita no meio da noite, na quinta-feira acordo sem conseguir ligar, fico desligado do mundo relembrando com aquela saudade doída pela quantidade exagerada, e não consigo prestar atenção em nada, meu corpo implora pelo seu, não consigo me conter, não consigo parar de pensar nas minhas mãos felizes passeando pelo seu corpo torneadinho, e fico lesado, perdido, insône, até que tropeço na sexta-feira e acordo esperançoso, audácioso, reenergizo-me para conseguir me arrastar até o último conselho dos seus mestres, e aí sim, me esbaldo nessa intransigência, me acabo nesse sem regras que é viver ao seu lado, me distancio do mundo para afunilar meu coração por você, e me deleito passeando mão, boca na nuca, peito com peito, perna com perna, pêlo com pêlo, sonho com sonho...
E volto o relógio várias vezes para você não perceber que está tarde, tento te embebedar no domingo para que você acredite que ainda é sábado, tento todas as formas possíveis para me manter ao seu lado, mesmo que imóvel, mesmo que cansado, mas fico firme, à espera de um beijo macio e excitante, à espera de um afago, à espera de um milagre do tempo...


Fiquem em paz...
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Quarta-feira, Agosto 10, 2005

"Obrigado"



Eu, andrajo desmoronado que sou por dentro
fui obrigado a me refazer em poesia para
cintilar por todos os arredores,
para causar uma impressão errônea do meu verdadeiro
estado de espírito desviado do normal.

Aprendi, dentro dessas obrigações diárias,
a me portar como um louco em festas sociais,
a usar meu temperamento contra mim,
a disputar todos os meus risos com todos,
consagrar minhas vitórias em silêncio,
dentre tantas arrogâncias que até me falho na memória.

Aprendi a ler, a escrever, a julgar e a perdoar,
me tornei cego aos temas que não me agradavam,
adocei dissabores incríveis, caminhei até meu ciático doer,
adormeci recostado na mais dura pedra do meio do caminho,
remoi tantos paradigmas, remexi com tantos sonhos
que hoje chego a sonhar que um sonho pode ser um sonho.


Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Agosto 05, 2005

"Fui tudo quando trai sem trair..."



Fui sugado pelo desespero de subverter tudo o que está ao meu redor. Fui ousado quando ousei ousar. Fui fantástico quando me calei para ouvir palavras que não me serviriam para nada. Fui universal quando sorri e pude ver a doçura do mundo se abrindo aos meus pés. Fui saudável quando desisti. Fui brilhante quando desisti do sonho para procurar um sonho. Fui perspicaz quando tudo me parecia rebeldia, e me transformei no ator sem platéia que sou, equilibrei-me para seduzir minha mãe, minha falecida avó, fui triunfal quando consegui levantar da cama com o bom humor que me persegue, e desencadeei uma sucessão de fatos, uma sucessão de erros e acertos e erros e erros, até chegar no climax do meu fervor, e percebo, desatino, pulso um caminho parado, vivencio uma fuga sem rumo, uma aventura sem graça, sempre me perguntando o porquê de levantarmos e brilharmos a aura a outrens antes de ascendermos a nossa, e as nossas escolhas, escondidas, apagadas, trituradas pelos nossos medos. Mas e se eu pedisse a mim mesmo e a você, que é parte de mim, para que não sentisse medo, que não transparecesse horror, de que nos adiantaria, se estamos apenas preocupados com os nossos braços atados sempre aos braços atados de quem não nos quer? E por que não mudamos, não buscamos uma mesma história em outros personagens? Por medo do abandono? Do se revelar sem ser revelado?
Eu forjei tantas regras, inventei tantas histórias, minuceiei tantos dicionários, mas apenas fui excepcional quando pude trair sem trair minhas verdades...


Fiquem em paz...
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Quarta-feira, Agosto 03, 2005

"Crise"



Em suma, somos uma crise existencial de um pedaço de mal caminho.
Imploramos pelas princesas e príncipes, principiamos uma história como aquelas dos livros que líamos por obrigação para o vestibular, suspiramos, marejamos nossos olhos e embargamos nossas crianças, derrubamos tudo por um olhar, por uma simples atenção desprendida a todo instante, e quando o conosco nos acontece, nos precavemos de tal forma, nos culpamos de tal forma, que carecemos de ilusão de um psicólogo, de um tratamento único para aprender a amar.
Acho psicólotras do amor uns idiotas e mentirosos, impõem a si mesmos a incapacidade de enxergar o óbvio, deturpam a poesia, deturpam as palavras com engrandecimentos falsos, com religiões e paz de espírito que estão destroçados, e deixam de ver e sentir o abraço, o afago, a ternura.
Não sei se me encontraria novamente num mesmo local esperando aquele alguém inválido, não sei se me cegaria a olhar a minha pasta ao ponto de não ver rabiscos, não sei se sentiria nojo do seu beijo, não sei se conseguiria me firmar como seu príncipe, não sei se conseguiria encolher meus ombros de arrependimentos, só sei que você poderia ser feliz envolta nos meus sonhos, só sei que te daria mais orgasmos em um mês do que você teve em vida, só sei que você seria eterna nos meus poemas, nas minhas lágrimas, nos meus objetos, na minha lembrança vazia de você...


Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Julho 21, 2005

"Dessa vez?"



Hoje chove, é mais que noite dentro de mim
e transeunte comum que sou me desfaço
para compreender o caos em que sobrevivo...

Tenho vontades incríveis, de parar o mundo,
de sussurrar minhas verdades, regurgitar
verdades ilusionárias de poesia,
vontade de urdir do fundo do asfalto
as raízes que nos enredam e definir
o ritmo, a rima, a paixão para com tudo
que é tão falso e que calados acreditamos.

Paro, remoendo meus medos, revigorando minha antiga paz,
restrito, reparo em cada detalhe lindo como um defeito,
absurdo, trituro tudo o que construo como quem ama,
desesperado, enloqueço em busca de uma forma,
de uma flor em terras que sofrem guerra.

Mas mesmo assim permito-me reparar em tanta coisa,
vejo-me tão abençoado e tão ardil,
sugo um mundo que me odeia,
encosto em um personagem que não me sabe,
que não me desconfia do que sou,
e escrevo, escrevo, sempre pensando num único tema,
sempre tendo um único sentir interior,
sempre o longínquo de mãos dadas com o efêmero que sou,
e me distribuo em tantos que passo a ser um,
desvencilho-me de mim para ser herói
de uma vida sem ambições ou magias,
e me perco sem esperar nada em troca,
para ver se me reencontro...


Fiquem em paz...
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Domingo, Julho 10, 2005

"Sim, desmascarado...."



Sinto uma necessidade absurda de acontecer,
e vejo meu mundo quase parado,
com muitos alvos pouco realizáveis,
com tantos emblemas sendo admirados apenas...

É tanta força, determinação, é um grito
que explode sem função para o todo,
gestos que consolidam minha angústia,
que antecedem o suicídio da minha verdade...

Pressiono-me, mas me vejo irreconhecível,
não crível nos meus passos cansados,
não satisfeito com meu resultado final.

Tento justificar minhas fraquezas com afagos,
ilumino tantos caminhos, arranco palavras
extintas dos que se aproximam com verossimilhança,
aconchego sem ser nunca aconchegado,
sustento veemente mesmo sem carinho,
lutando minha luta infantil sem combatentes,
tentando provar à mim mesmo
minha inconcebível visão,
provar que meus disturbios psicológicos são etéreos,
e ao mesmo tempo desesperado para definir
de uma vez o destino a que me designaram
a cumprir no descansar da minha alma relutante...


Fiquem em paz...
...............................................

Quinta-feira, Junho 23, 2005

"Por que será?"



Por que será que as pessoas me ligam tanto enquano tento dormir?
Será que elas não percebem que sou um só e que sinto um monstro escuro e perdido dentro de mim?
Será que tenho que ter forças e escudos para dissolver meus traumas e ajudar os tantos pobres de mim, que ainda são mais fortes do que os meus fortes?
E repenso em tudo, reviro meu sentimentos, revejo minha auréola, minha hipocrisia percebendo que não tenho mais como chorar, que não tenho mais como prever, que não tenho mais nada dentro de mim por medo, por fraqueza, por verdades adormecidas.
E meus tantos sonhos?
Quanto tempo mais irei ficar dormindo atendendo aos pedidos de todos e deixando de atender os meus desesperos, os meus berros que só eu escuto?
Desligo, desfecho, desleixo, fecho todas as portas dignas para tentar abrir o meu céu, designo tudo a todos e todos sequer me escutam, desatino um teor malogrado para tentar vencer, e me frustro por não conseguir a verdade que recheia minhas vontades...

Regurgito, para que eu possa ser feliz, quem sabe um dia...



Fiquem em paz...
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Sábado, Junho 18, 2005

"Tudo quanto"



Nos encontramos hoje assim,
a solta, buscando sonhos e realizações tão perdidas,
tão insolúveis, tão frívolas...

Prendemo-nos a certos rancores
díficeis de lidar, quase impossíveis
de esquecer, e esquecemos o tudo
que nos cerca, negligenciamos
a roupa constantemente suja que somos,
ocultamos o desmascarar diário para não ser desmascarado,
o lutar sem regras para não morrer na praia da solidão.

E me sinto hoje plágio do que fui
com o que gostaria de ser,
num universo tão conturbado que custo a acreditar na verdade que me tornei,
e nas dificuldades que enfrento para exercer minha personalidade calma e coerente.

Tudo como uma fábula real,
tudo tão incoerente e incerto como meu presente,
tudo tão estreito quanto minhas certezas,
tudo tão deturpado quanto meu estilo de vida...


Fiquem em paz...
....................................................

Terça-feira, Maio 24, 2005

"Eu te ter você"



Eu te lua minguante,
eu te algodão doce,
eu te sorvete napolitano com calda de chocolate e mm´s,
eu te abacaxi,
eu te leite quente no frio,
eu te sonho de valsa,
eu te chuva,
eu te rocambole de morango,
eu te água gelada,
eu te domindo a tarde no parque,
eu te música,
eu te poesia,
eu te manga doce,
eu te chocolates finos de Campos de Jordão,
eu te poesias de Fernando Pessoa,
eu te com você debaixo do edredon,
eu te stragonoff de frango com batata palha e cogumelos,
eu te formatura de faculdade,
eu te praia de palmas,
eu te cachoeira,
eu te fim de semana no campo,
eu te noite bem dormida,
eu te arco-íris,
eu te margarida,
eu te frio,
eu te madrugada,
eu te brigadeiro,
eu te você...

Fiquem em paz...
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Terça-feira, Maio 10, 2005

"Hora certa"



Se a hora fosse certa para viver,
do que viveria eu?

Das incertezas dilacerantes
que meu coração sente nesse amor de mentira
que passo meus dias regando?

Dos passos incertos que eu vanglorio
por não ter certeza de nada?

Das confissões que venho ridiculamente
fazendo no meu caderno de borrões inúteis?

E se eu transformasse tudo o que vivo
em uma história linda, daquelas de livro,
seria respeitado?

Seria honesto continuar conquistando
pela visão antecipada que tenho das almas sedentas?

E eu, que papel tenho eu no mundo?
Comediante de peças irrisórias e fúteis?

Palhaço de picadeiro sem público?

Escritor sem conteúdo numa terra inefável?

Patético sentido mórbido que defino a tudo
que cismo em acreditar que me faria feliz...

Patético levantar e se deitar que dedico
a mim todos os dias, na primeira página
do meu livro nunca começado,
da minha epígrafe destituida de verdade...

Verdade que nunca sorri para o falso poeta...


Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Abril 28, 2005

"Espero o quanto precisar..."




Espere! Ainda mal começamos a brincar e você já está indo brindar
suas decepções com seus amigos?
Espere! Ainda tenho que tentar aclamar suas derrotas,
ainda tenho que enaltecer seus podres e teoremas,
ainda tenho tanto a denegrir da sua imagem mentirosa
que fico com medo, com muito medo de começar...
Na verdade, me sinto tão perdido que ainda não sei
se devo tocar nessa ou naquela ferida, ou, quem sabe,
nas duas de uma só vez...
Espere! será que a mentira serve só para mim,
será que ser enganado por nada que valha a pena
é sintoma da minha loucura por você?
Espere! estou enlouquecendo e não estou percebendo,
ou você realmente canta em meus sonhos como quem canta
em um jardim imenso, com muitas flores sem folhas?
Espere! Quem somos, como fomos feitos, e onde paramos,
e quando passamos a decidir o que somos?
Espere! Sinto-me sendo de algodão-doce, sinto-me feito
de pedras, de granito - pois me sinto valioso -
mas me sinto tão frio quanto tudo isso.
Espere! Cante para amenizar minha dor, ela soluça
como quem precisa de comida, ela descabela-me
como descabelo-me ao pensar na sua derrota.
Espere! Cale a boca e escute meu coração dizendo que te ama.
Espere! Não fique silenciosa desse jeito,
não fique sem responder minhas súplicas,
não me deixe enforcado pelo que mal começou...
Espere! Desconfie de mim, por favor, eu não sou o que você
pensa que eu sou. Sou ruim pra dedéu, sou mal,
sou repulsivo, sou de escorpião e me mato por ódio,
sou trancado no meu mundo de sorrisos.
Espere! Preciso te contar o maior de todos os segredos,
aquele que você tentou roubar de mim,
o segredinho ridículo de que nunca senti nada,
a não ser status, muito status por você.
Espere! Não se confunda, preciso dizer tudo...
Não, não vá embora, preciso que fique,
preciso de você, não me deixe abrir a porta,
porque quero voltar até você, e se eu abrir
não mais voltarei...
Espere! Abra você, preciso ir, não me deixe abrir.
Espere! Preciso apontar essa coisa fria para o seu peito,
preciso engatilhar esse troço que comprei ontem,
preciso apertar essa meia lua...
Espere! Sim, espero...
Quer dizer que me ama?
Espere! Preciso sentir seus lábios, preciso de um último beijo...
Espere!
Não, não mais espero...
Preciso descansar na minha paz forjada e recheada de mentiras...


Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Abril 21, 2005

"Raios cor de céu"



Estive ali, defronte aos fatos óbvios, tanto tempo
que não pude perceber suas garras cruéis,
que não tive coragem de abrir os olhos e ver seu egoísmo,
que não tive coragem de me entregar...

E você passa, passa, passa, todos os dias pelos meus olhos,
todos os momentos pela minha consciência, relembro-me
dos traços, do carinho, da poesia, do canção que me urde
e me torna insuportável ao meu prórpio mundo,
mundinho doente de uma alma doente e frágil
que carrega o fardo da escrita e das artes.

Não me noto ao te notar, não nos vejo ao te ver me olhar,
e sinto vontade, me corrôo para um dia encontrar
e ver o paraíso, ver léguas e léguas nos separando
e nos unindo, nos eternizando...

Vôo por planetas malucos e negros, obscuros em busca
dos seus raios cor de céu, deixo-me dourando para aquecer
seus desejos carnais, transcendo-me ao último mendigo
e ao pobre milionário, passo a entender filosofias de Osho,
de Kafka, de Aristóteles, passo a crescer dentro das minhas
restrições para que me enxergue, passo a escrever incessantemente
para fazer barulho, e me vejo acompanhado e sozinho,
sorrindo num luto que não termina, um luto aterrorizador
como os de Gabriel Garcia, uma tempestade imunda como as de Camus,
com lágrimas incoerentes, como as do Neves...

Se hoje olhar para cima, não irá me encontrar,
se amanhã olhar para frente não me verá,
se depois de alguns dias olhar para baixo
também não me verá, porque eu deixei de existir
na fantasia do seu mundo malogrado de esperanças...

E o dia que eu for te buscar, não se esqueça
de que será para sempre...


Fiquem em paz...
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Terça-feira, Abril 12, 2005

"Finjo"



Finjo que minto que sou,
sinto que minto que finjo,
finjo mentindo que sinto,
sinto fingindo que minto...


Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Abril 08, 2005

"Escritos"



Hoje silencio-me para não ter que reler
meus terrores escritos no futuro.

Hoje silencio-me para não relembrar
meus erros escritos no futuro.

Hoje silencio-me para não reler
meus absurdos escritos no futuro.

Hoje silencio-me para não aceitar
meu presente escrito no futuro.

Hoje silencio-me para não acreditar
nos meus escritos no futuro.

Hoje silencio-me por me machucar
essa ilusão tão real.

Hoje silencio-me, por ter medo de amar...


Fiquem em paz...
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Quarta-feira, Março 09, 2005

Que fome de tudo nessa vida...



Que fome de tudo nessa vida...

Às vezes me sinto como se tivessem apagado minha lua,
meu sol e minha vida, e desatino repentinamente numa
tristeza passageira, ocorre-me um sintoma drástico
de algo que não sei explicar, e levanto-me do sonho absurdo,
brusco, vivo, real, em busca de uma mudança exterior
para um mesmo cotidiano interior...

Percebo o quão sou pecador de mim mesmo,
o quão prolifero meus defeitos e colho
sempre os mesmos frutos amargos de todo dia.

Passo a enobrecer a tudo que está ao meu redor,
passo a ser tudo o que eu gostaria, sem as tantas falhas,
e desatina-me uma dor sem sentir dentro do meu coração...


Fiquem em paz...
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Segunda-feira, Março 07, 2005

"Sonho realidades"




Você, por que se encontra tão longe das artes?

Você, que faz da sua realidade o meu sonho,
por que está tão distante e frigida
para com o poeta que veio te resgatar
de outra vida para que viva?

Você, que tem amor e ódio,
que está desiludida em meio a chuva,
que grita nesse silêncio absoluto dos seus olhos
por que faz isso contigo, menosprezando-me?

Você, que é fechada (mas tem luz),
que é ríspida (mas é doce),
não te envergonhas dos seus atos insólitos?

Você, que é encandescente à minha arte,
não se sente tocada pela fantasia?

Una-se!

Ou tens medo?

De mim ou do seu tesão?

Medo de ser desvairada por um desvairado múltiplo?

Quero deleitar-me com que me é de direito,
deleitar-me com o que nasceu para mim,
como hoje recobrando a memoria me deleito...

Evoco Deuses como quem sente saudade
de amor perdido e que ainda é doído
e os reverencio pela obra poética
que implantaram nas minhas viagens
e loucuras tão sãs do meu cotidiano.

Olho mil retratos por minuto e todos
se transformam nos seus traços,
nas flores que te vestem tão serenamente,
no cheiro que me recolhe do mundo
e que te dôo com exclusividade...

Redesenho seus ombros que me arrepiaram
e me questiono sobre tantos sentidos,
tantos loucos que vivo e tantos
que deixo de compreender sem razão de ser.

Olho para a vida e me seduzo
como quem quando criança se seduz
pelo doce proibido pelos adultos
e ne vejo tal quais chorando,
tentando frenéticamente fazer barulho
e chamar a atenção, mas a mim
o doce sempre vem em forma de materialização,
sempre se evapora ao meu toque suave...

E eu me vejo em fotos do passado
e pergunto-me: será que era feliz?

Não me lembro, pois eu sou uma transição
entre o absoluto que sou e o espaço
vazio que sopu na lembrança desfocada.

À tudo me desfoco, nem ao menos
tento compreender em meio a tanto
alvoroço, e tão em silêncio...

Sinto-me cansado de ser o que sou,
mesmo colhendo frutos tão mágicos,
mesmo tendo as mais expressíveis imagens
do amor e das artes, torno-me circunspecto
em relação aos verdadeiros dotes da vida,
porque a vida é o sonho que eu sonho
e não essa poesia que eu vivo...

Abstrato?

Talvez, para corresponder às tantas máscaras
que me obrigam a usar...

Todos deveríamos comprar uma máscara
de festas e fazermos tudo isso que fazemos
inconsequentemente e ao descobrirmo-nos
na verdade, tirarmos-a.

Seriamos mais doces, mais vivos,
menos fantoches de nós mesmos...

E eu vejo vidas tão próximas de mim
e tão alheias, que me assusto ao pensar
em entregar meu sorriso verdadeiro,
teço um plano de entrar no jogo predominante,
usar roupas que me pintam de mentiras
tão fantásticas que chego a acreditar
e desabotoar minha alma estancada de amor,
conquistar o mundo com minhas ilusões
e conseguir fazer alguém sonhar alguma realidade...



Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Março 03, 2005

"Vontade de quê?"




Hoje estou com vontade de ser especial
para brilhar mais e mais e fazer
com que me enxerguem, com que escutem
meu barulho, com que acreditem na intensidade dos olhos...

Hoje, para conseguir ser especial
fiz uma arte enorme na minha parede,
para que quando vierem aqui
possam desfrutar de dois deleites...

Hoje acordei querendo ser especial,
uma vontade súbita de falar baixo,
sussurrar nos ouvidos que complementam
olhos ainda mais ricos.

Acordei com uma vontade maluca
de soprar sonhos no seu mundo,
de pincelar fantasias no seu corpo,
de repousar minhas mãos nos seus cabelos
e meus lábios trêmulos no seu rosto indefeso...

Levantei-me repentinamente, feliz, árduo,
contente, abri as janelas e deixei o sol
refletir o meu cristal,
cantei tão alto ao ponto de perder o fôlego,
e te vi me buscando, em meio às suas
atribulações que te atrapalha, e desabei...

Desabei de rir alto até os vizinhos ouvirem
e ri mais alto ainda quando tentaram
comprar minha felicidade com suas palavras de abandono...

Lidei com tanto sentimento,
manejei tanta coisa linda
que descobri em poesia ter triplicado...

Ainda solitário sigo em frente,
mas a descoberta de conseguir alcançar
aquela estrela longínqua e triste
enobrece o cancioneiro, eterniza o poeta
e me faz cada vez mais acreditar no conforto dos seus olhos...


Fiquem em paz...
...................................

Domingo, Fevereiro 27, 2005

"Volta no tempo"



Outro dia estive defronte
olhos tão fortes e tão imersos
no sonho que desatinei
uma angústia sem lágrimas
em busca de sua atenção e amor.

Redescobri em mim uma sensação
tal de quando conheci as flores,
os cheiros e as cores da vida,
uma mesma sensação única,
uma mesma história gritando
para ser revivido na forma
lírica de toda a minha poesia.

Passei insistentemente tentado
a ouvir sua voz doce,
e nas minhas tantas tentativas
lubridimei-me à fantasia escancarada
de um dia tê-la sussurrando
na minha alegria e carinho
de uma forma tão intensa
que passei a não ter fim...

E a esperança de descobrir a verdade
constrói um recheio dos mais diversos
sabores, constrói o chão adocicado
dos desenhos de fadas e transpõem
a sutileza do nosso abraço que se
encontraram nossos corações a uma
verdadeira e mágica volta no tempo...


Fique em paz...
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Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005

"Acima das nuvens"



Ouço o farfalhar da chuva
e comparo ao farfalhar
do meu intenso aroma
que tanto se perfuma
para amar meu ardente amor.

Ouço a calma e a beleza da noite,
imagino acima das nuvens
minhas companheiras, que sei que agora
escutam a saudade imensa do poeta.

A elas descrevo seus traços,
comento sobre seus arrepios,
tento fazer com que entendam
a magnitude e a resplandecência
dos seus olhos mágicos,
tento desenhar no ar
sua beleza infinita, sempre em vão,
por não conseguirem aceitar tal vislumbre...

Surpreendo-me no silêncio da minha memória,
revivendo um amor tão vivo,
cultivando um sentimento já tão nobre,
acreditando nos caminhos sem fim,
abrindo os braços para que sejamos felizes,
desejando o infinito do nosso altar
de cores transparentes e abundantes,
o altar que nos completa...


Fiquem em paz...
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Sábado, Fevereiro 19, 2005

"Parabéns"




Juca, parabéns.
Feliz aniversário...

Cara, encontrei hoje com o seu irmão, e ele estava tão parecido com você, ele estava tão parecido com a época em que viajamos juntos, ele estava falando dos cabelos cumpridos e que a Fame não permite.
Ele está dando treinamentos, e te vi dando treinamentos, porque era seu futuro comandar as pessoas ali.
Ele se casou com a Mary, que loucura, ele a viu no hospital, numa visita simples, curriqueira, mas ele viu, e o relembrei de quando ele voltou o carro e perguntou dela. Ele estava tão tranquilo em relação a tudo, a você, que teve cabeça para se preocupar com mulheres.
Eu diria a ele, se fosse o contrário, ele estaria fazendo o mesmo...
Mas acredito que não é preciso, ele sabia.
E sua sobrinha, como sou um relapso, ainda não fui visitá-la. Vi por fotos, tão linda, tão parecida com você, tão igual a sua família.
E sua mãe, foi me assistir no teatro um tempo atrás, tiramos foto, eu ela e a minha mãe. Você não sabe como ficamos orgulhosos daquele dia...
Desculpa Cara, eu tô chorando, eu sei que você pediu pra Cress me pedir para não mais chorar, mas eu me lembro de não ter ido ao seu aniverário, no seu prédio, eu ainda me cobro por isso. Eu sei que é besteira, mas eu me cobro tanto. Na verdade, eu acho que eu errei tão feio, porque eu não fui por preguiça. Eu estava com muito sono aquele dia, eu estava muito cansado. Mas cansado do que, Meu Deus, era o seu último aniversário, como eu pude ter preguiça no seu último aniversário, como, como, como?????
Desculpe-me, eu me jurei depois daquele dia que eu seria outro homem.
Hoje faço tantas coisas, te provei que consegui, mas eu trocaria tudo, voltaria a ser o mesmo preguiçoso para te ter de volta, para escutar sua voz, só mais uma vez, uma vezinha só, sua risada, seus sonhos tão lindos e tão simples de se realizar.
Hoje eu te daria um presente, um abraço, encheríamos a lata, sei lá o que faríamos, mas hoje você tem novos amigos...
E como eles são? São bons com você? Você se diverte, você saem, têm anjinhas tão lindas quanto a Tica, você pode falar palavrão? Deus deixa? Ai, se ele não deixar, vou fazer tanta zorra na terra que ele há-de deixar. Eu queria tanto que você pudesse voar até aqui, mesmo que por uma hora, pra conversarmos, para eu te contar como andam as coisas, como está de pernas pro ar a minha vida...
Juquinha, não consigo mais escrever, meu rosto dói demais, nunca mais tinha chorado, desculpe quebrar o seu pedido, mas hoje foi preciso, hoje é o seu aniversário, o meu foi tão feliz. Só faltou você para me realizar...
Parabéns Juquinha, e parabéns a Deus por ter feito uma alma tão boa...
Obrigado por ter cedido um pouco da sua magnitude a nós, pobres mortais...
Desculpe chorar tanto, desculpe mesmo, não consigo, mesmo respirando fundo...


Fique em paz amigo, fique em paz...
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Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005

"Gosto muito"



Gosto mesmo é de virar página,
viver amor platônico,
ouvir boa música e apreciar
a tenacidade de um bom vinho.

Gosto mesmo é de enxergar
o que as grandes pessoas não vêem...

Gosto mesmo é de sentir
a voracidade do impulso poético
e, em meio às lágrimas,
decifrar letras e transformá-las em poesia...


Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005

"Sociedade dos poetas falsos"



Sou escorpião, descarado, louco, problemático, intenso, pobre, poeta, linguarudo, falador e desrespeitaria minha mãe se fosse preciso.

Sou enfático, manipulador, sedento, tarado, multiplo de números impares, disparo contra o sol, sou forte, sou por acaso, mas minha metralhadora espalha mentiras e chagas de uma vida recheada de mágoas.

Eu não sou o cara, sou muitos caras, todos gente fina, bêbados, hipócritas, manipuladores de opiniões, e um monte de poetas, tudo junto.

Sou ascendente em peixes, sou sensível para as artes, sou inteligente para a comoção, sou lúgubre nas minhas tpms dominicais, sou terrivel contra os insetos, sou odiado pelas mulheres que me amam desesperadamente, sou o desprezo que gostaria de ser desde criança, sou de repente desde que conheci a palavra orfão, desisti de perder naquele momento, desisti de ter também, desisti de fazer acontecer o certo, me entreguei ao submundo, ao etéreo visto apenas pelos trancafiados, pelos malogrados de inanição.

Sou lua em peixes, tenho medo até do meu medo, tenho asfixia de ter alguem ao meu lado, tenho repulsa de todos que se aproximam, tenho desdém pela lua inalcançavel, pelas estrelas infinitas do meu céu ainda sem estrelas, tenho loucura pelo sol que me incomoda, tenho admiração pelo meu quarto, pelo castelo que construo dentro de mim, pelos corredores que se tornam meus labirintos prediletos, meus tantos caminhos usuais, frios, lindos, requintados com predras tão brilhantes e tão pegadas nas paredes infinitas do meu infinito.

Sou perdido, rodo o mundo das escrituras para encontrar-me, rodo o mundo em aviões, flats, navios para encontrar-te e somente o nevoeiro me compensa, somente o árduo me compete, somente a sina de um pobre perdedor do mundo da poesia se encontra em mim.

Sou esquizofrenico, porque sou milhares, por ser mentiroso, por mentir a mim mesmo, por mentir a Deus que olha cada fio de cabelo que se mexe na minha cabeça brilhante.

Sou Maquiavel, Rembrandt, Aristóteles, Camus, Autran, Pessoa, Homero, William, Buarque, Moraes, Tyler, Telles, Meirelles, Marquez, Lorca, Hesse, Alves, Lobos, Assis, Gogh, Lautrec, Kafka, Xavier, Sófocles, Queirós, Goya, Einstein, Neves...



Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005

"Esclareça-me?"



Onde me leva minha indecencia, corroendo minha visão do que se pode estar certo e do que se pode fazer?

Onde encontro minha vitória, no peito amargo do medo e da desilusão passageira?
E onde se escondem meus odores?
Aí, aqui, no nosso único desejo esfarrapado de sentirmo-nos esfarrapados perante o certo, perante o esbelto?

E se pudéssemos correr e atropelar toda essa gente que se entrega da forma mais suja, - intitulando-a como amor ainda por cima - , faríamos deles nosso pó de cada dia, nossa fumaça de cada hora, nosso temor de sermos sujeitados ao ridiculo das frases lindas de saudades?

E te chamo para vir numa angústia cega da minha tropa cega que vive o mundo cego e doente de homens cegos, homens que me põe nojo pelo medo, pelo desejo frívolo de cada instante que se tornam eternos, pela degradação de cada rastejar, de todo esse cortejo que me olha com olhos sedentos e lassos e que eu odeio, essa multidão que nao me entrega a paz, não me deixam vencer para fugir, e me sepultam dentro das minhas palavras, dentro das minhas farsas imundas, beatificadas por lucifer, santificadas pelos anjos terroristas da terra, politizadas pelos santos de alma limpa que vemos todos os dias na tv, anjos que nos faz sorrir e clamamos em uníssono, amém!



Fiquem em paz...
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Quarta-feira, Fevereiro 09, 2005

"Gostaria?"



Gostaria de escrever o poema mais lindo,
roubar a flor mais viva,
entardecer o dia para o meu amor
ver o pôr do sol mais cedo.

Gostaria de eternizar todos os meus sentimentos,
todas as minhas sensações transformadas
em música, para que o meu amor
se transborde de alegria e luz.

Gostaria de contracenar uma peça romântica antiga,
dos tempos em que ainda se havia o respeito pelas mulheres,
para que ela compreenda que sou puro
e que a amo como alma e pensamento.

Gostaria de capturar todas as estrelas
que existem nesse céu que a redesenha,
guardá-las numa caixinha toda enfeitada
e feita por mim e dá-la de presente
em um dia comum, para retribuir sua presença
que me é um presente em todos os dias comuns.

Gostaria de pedir a Deus para que resolva
todos os seus anseios e problemas,
que a ilumine ainda mais,
pois sua luz me é poesia,
traz-me grandeza e meu sentido de ser.

Gostaria de dar a ela esse meu dom imenso,
para ver se assim ela consiga falar,
consiga se expressar e pare de me fazer sofrer
por causa da sua injusta melancolia.

Gostaria que ela saisse mais cedo do trabalho,
por estar num dia um pouco mais calmo
só para vir me ver, sentir meu abraço
e dizer no meu ouvido que sentia saudades.

Na realidade, gostaria que ela sentisse saudades...

Gostaria de ter um quintal um pouco maior,
para quebrar alguns azulejos e plantar
rosas e margaridas e tulipas,
para todos os dias presenteá-la com cores diferentes.

Gostaria de poder dormir abraçado com ela,
trazer seu café na cama,
tirar seu pijama para ensaboar suas costas,
fazer amor a qualquer hora e em qualquer lugar,
conhecer melhor seus amigos,
tornar-me mais presente na sua família,
ir para o Espírito Santo, Machu Pichu, Paris,
conhecer cada cidade entre os caminhos
para perguntar sobre as lendas,
escrever um livro imenso e publicá-lo dedicando-o a ela,
viver os meus sonhos em forma de realidade...


Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005

"Hoje eu vi"




Hoje eu vi a coisa mais linda desse mundo,
a luz mais verdadeira,
o sintoma mais real,
a verdade mais completa,
a dança mais lirica,
o sonho mais vívido,
o infinito mais possível,
as curvas mais intensas,
o brilho mais incessante,
a vida que me completa,
o tudo que me desaba,
o sorriso que demonstra,
a voz de coelhinho,
os cabelos louquinhos,
os cachinhos esfumaçantes,
a alegria mais púrpura,
o carisma mais perfeito,
a mulher da minha vida...

Hoje eu senti a coisa mais consciente da minha vida,
vi o futuro,
vi a velhice,
vi meus filhos,
vi o que quero,
vi o que sempre quis,
vi o que espero,
vi e senti o que nasceu para mim,
minha alma gêmea,
revi,
vivi tudo o que não posso viver,
senti tudo o que me machuca sentir...


Fiquem em paz...
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"Detalhes"



Sentimos cada detalhe desta pintura,
escolhemos minuciosamente cada concha a olhar,
cada coração a admirar,
cada centímetro de vida se tornando a eternidade...

viemos por caminhos distintos
que a mãe natureza obrigou-se a unir,
destilou nossas idéias no calmo do paraíso
e hoje nos tornou um só...

Passaremos esta, e a certeza das tantas outras
orgulha o poeta hoje muito feliz,
o mesmo poeta que deseja
mais um ciclo repleto de sonhos e fantasias,
mais um ciclo de amor e completicidade,
mais um ciclo que nos torna hoje eternos...

23:25h - 31/12/04


Fiquem em paz...
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Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005

"Sinestesia"



E se hoje pudéssemos falar?

Teríamos coragem de dizer sobre nojo, desejo,
raiva, fúria, amor ou margaridas?

Teríamos fôlego para nos declararmos
e percebermos e hipocrisia das nossas palavras?

Teríamos coragem de trocar nada
por qualquer coisa, assim como hoje fazemos?

Teríamos escrúpulos para sentirmos prazer
usando a fragilidade sentimental das frases poéticas?

Teríamos estomago para mentir,
mesmo podendo falar e ser compreendido?

Teríamos desejo de desejar o desejo alheio
por pura curiosidade que massageia?

Teríamos coragem de ter coragem?

E se hoje posso falar, me pergunto se falaria...

E meu vácuo silencioso responde meus devaneios...



Fiquem em paz...
...................................................

Sexta-feira, Janeiro 28, 2005

"Por uma noite"



Quando tudo parece estar escuro
eis que me surge uma poesia
tão bela quanto olhos muito brilhantes
e intensos, que custo a acreditar...

Às vezes cremos nos nossos olhares,
mesmo quando pelos recônditos mais sinuosos
parece-nos incabível, e percebemos que todo passado.
que todo aprendizado trouxe-nos
apenas bagagem necessária para vermos
em meio à multidão,
vermos onde tornara-se quase impossível
vermos com a alma...

Descubro semelhanças absurdas,
digo palavras em uníssono com seus pensamentos,
fantasio nossa estadia na nuvem mais linda
e aconchegante, semeio na força dos seus olhos
a curiosidade, mesmo o destino tentando
de todas as formas separar esse encontro
marcado há muito, descobrimos no nosso silêncio
a nossa cumplicidade, descobrimos na nossa
espera a nossa verdade, descobrimos
na nossa verdade tudo aquilo
que nos faz feliz e felizes descobrimos
que nosso olhar foi feito um para o outro,
por uma noite, por um sonho, por uma vida...


Fiquem em paz...
........................................

Segunda-feira, Janeiro 24, 2005

"Sozinho quando não se está sozinho"



Sem compreensão, sem vida própria me alastro pelo infinito e a solidão vaga pela noite escura em que tento brilhar em vão, redescubro num longinquo martírio a minha derrota, peço e robusto sigo em frente, calado, tentando me mudar para onde não vou, tentando-me a ser o que odiaria, e desisto no vai e volta do meu volúvel sentimento, pergunto-me por que tenho que viver o que não possuo, perdendo-me da verdadeira luz que há muito se apagou, a luz cega que cansou, a irradiação trêmula que não mais existe, a configuração perfeita no silêncio, o trauma completo no acaso, a vida perdida na união, o desfecho da minha perdida guerra lutada há anos, com seus anos de infinitas e consequentes derrotas, e no meu campo de batalha desconfiguro a estiagem, ergo a taça de campeão do meu mundo opaco e sorrio meu ódio pelas palavras que incontroláveis jorram dos meus olhos, que machucam meus lábios, que acariciam meu coração absoluto e único, que me deixam divagando na solidão, sozinho quando não se está sozinho...


Fiquem em paz...
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Terça-feira, Janeiro 18, 2005

"Franqueza"



Eu sou fraco
porque tem que se ser fraco
para aceitar as pessoas e a vida.
Não fraco de ideais e objetivos,
fraco de injustiças e de mal entendidos,
de ciúmes e de palavras ruins e feias e duras,
palavras que afujentam o amor que eu não tenho...


Fiquem em paz...
..................................

Sexta-feira, Janeiro 14, 2005

"Tenho em segredo"



Tenho guardado em segredo
tantos sonhos que me confundem
os caminhos, que me transmitem a paz,
que me seduzem e desafiam o sempre...

Tenho resguardado dos meus antepassados
tanta alquimia que tropeço
nos meus tropeços múltiplos,
e me perco tentando ser eu...

Tenho admirado virtudes e atitudes
que me cegam e ostentam
a mais plena amizade,
o mais lirico amor,
o sentimento que domina o pobre poeta...

Deságuo num mar de pétalas coloridas,
desatino minhas lágrimas alegres
na montanha do seu calor,
desmancho-me nas loucuras dos seus dedos
e delicio-me no requinte maravilhoso dos seus beijos...


Fiquem em paz...
...................................

Segunda-feira, Janeiro 10, 2005

"Novo e para sempre"



Quando de longe te olho, ainda chegando para você
meu rosto fica vermelho, começo a suar,
a pingar e transbordar por dentro sentindo
a energia que explode dos nossos corpos.

Reviro-me, começo a sentir um comichão incontrolável
em busca do seu corpo delicioso,
em busca da sua boca magnífica,
em busca de você que me completa...

Então, começamos a nos beijar e nos abraçar,
nossa temperatura esquenta, eu começo a sentir
minhas mãos rondarem cada parte sua involuntariamente,
começam a descer a aba da sua blusa
para que eu possa beijar seus ombros
que me levam a loucura e nosso desejo
um pelo outro torna-se frenético,
um suspirando seus gemidos ao outro como confissão,
o calor estonteante nos penetrando por todos os poros,
nosso suor se misturando, unindo-se a nossa alma única,
e quando percebo já estou com minha língua descobrindo
cada pedaço da sua beleza, deixando-nos alucinados pelo amor
sem fim que está por vir, até estarmos sôfregos, então
penetro meu corpo na sua alma como a fantasia
penetra os sonhos, e deliramos nos nossos movimentos
lascitantes, ritmados, feitos para serem assim perfeitos,
e explodimos o ápice da nossa conquista,
gozamos da vida gozando da vida,
e entrelaçamos nossas pernas com os lençóis,
você com sua cabeça no meu peito e dormimos
a espera do nosso novo e para sempre único momento...


Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Dezembro 23, 2004

"Singela constelação"



Uma singela constelação em um par de olhos, será que mirei certo essa noite?
Tenho certeza que não. Certeza que esta noite pequei...
Será que conseguiria tocar na música, sentir o cheiro exalado a noite toda, no meio dos ruidos da insônia e da insônica, deixei me levar para o místico, para as pedras, para o azul escuro do seu céu, para o azul claro dos seus sonhos, e fechei as portas do o mundo para viver o mundo.
será que mirei certo essa noite?
Tenho certeza que não. Certeza que esta noite pequei...
Levaram-me para onde eu não conhecia, e onde eu não conhecia me encantou...
Será que mirei certo essa noite?
Tenho certeza que sim. Certeza que esta noite amei...


Fiquem em paz...
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Segunda-feira, Dezembro 20, 2004

"Progressões"



Cores, luzes, sons, medos e desejos,
sonhos e conquistas lutam para o destino
florescer, crescem a cada dia para adentrar
ao mundo mágico da poesia, ao mundo
que sem saber nós já vivemos.

Cores que resplandecem ao nosso encontro,
luz que alimenta a lua nas nossas noites,
sons que borbulham nossos sentimentos,
desejos que desatinam cada vez mais nossa insessatez
junto do sonho de conquistar o infinito,
para não mais ter que lutar pelo destino cabível,
para florescer com o amanhecer,
crescer o carinho a cada dia
para adentrar ainda mais no escuro do existir,
no mundo mágico que quero te proporcionar,
na poesia perfeita que descreva a perfeição
dos seus traços e pintas e sorriso,
transformar o nosso mundo
sem medos e com muita paixão,
o mundo que sem saber nós já vivemos...


Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Dezembro 10, 2004

"Pra quê"




Pra quê
demonstrar o meu carinho,
o meu infinito interior,
o meu carisma,
meu jardim imenso,
meu sempre sorriso,
minha amizade,
minha compreensão,
minha gentileza,
minha paixão,
meu amor,
meu ardor,
meu sentir,
meu querer,
meu estar,
meu fazer,
meu transitar,
meu transmutar,
meu rir,
meu fantasiar,
minhas crenças,
minhas dúvidas,
minha vida
se sempre desolo-me
com a alegria inóspita do seu silêncio?


Fiquem em paz....
...................................

Domingo, Dezembro 05, 2004

"Reencontro de almas"



Doce tão sonho esse que vivo...

Ou seria sonho tão doce que me revive?

Seria talvez reviver o sonhado tão longinquo
que se deixou de viver sonho para se ser quase-sonho?

O que seria afinal essa loucura
que transcende com milhares de cores
pela linda clareza de seus olhos?

Uma esperança de que o impossível é possível?

Uma chama, uma brasa, um sinal
dentro do extinto vulcão do meu interior?

Uma nova história, mas dessa vez sem fim?

Um reencontro de almas?

Questiono-me sobre tudo
por pensar ter aprendido a verdade
tão facilmente desmoronada
com suas mãos infinitas,
com aquela quase-lua,
com seus alucinantes beijos,
com as nossas almas
que se permaneceram no mesmo
altar de todo o nosso sempre...

Fiquem em paz...
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Domingo, Novembro 28, 2004

"Testemunho"




Se hoje eu estivesse para morrer,
no meu testemunho constaria alguns
atos de algumas pessoas de grande valia
no eu que sou hoje.

A uma diria que a amo
por me fazer enxergar com clareza
o quão importante é a honestidade,
tanto pelos atos quanto pelas palavras,
e o quão dignos nos tornamos
perante a nós mesmos e a Deus e aos anjos,
e também o quanto estamos acima
de qualquer coisa material e maquinada,
e que o sentimento amigo perdura sob qualquer
circunstância, certas ou não.

A outra diria que a amo
por ter me feito acreditar em todos os sonhos,
mesmos nos que eu pensava não existir nenhuma luz
e que hoje são mais do que uma realidade,
e agradeceria por toda a franqueza,
mesmo vendo lágrimas mal postas
na minha face, agradeceria por ter visto
além e acreditado, mesmo com a minha
própria crença desfacelada e abandonada.

A outra diria que a amo
por me mostrar a linha tão tênue
entre o amor e o ódio, a linha
tão tênue entre o que se deve fazer
e o que se deve esconder de todos e de si
e agradeceria por ter estado ao meu lado
em todos os momentos, até mesmo quando
eu não estava do seu, atitude até hoje incompreensível.

A outra diria que a amo
por ter me apresentado ao amor,
por ter me apresentado à poesia,
por ter acendido a luz do meu até então
obscuro mundo paralelo e me feito
enxergar que sempre vivi ali,
e agradeceria por ter me ensinado
a olhar a lua, a reparar nos detalhes,
a ser infinito, intenso, leal, ser sempre "sempre".

A outra diria que a amo
por me fazer sempre enxergar
que o sorriso é a alma do negócio
e meus agradecimentos assim se completam
por dela ter apenas a imagem mágica
de um sorriso perfeito como o seu,
sempre alegre até nos momentos difíceis,
sempre intensos, até nos momentos mais simples,
e isso é tudo o que se pode desejar.

A minha mãe diria que a amo
por ter me dado a oportunidade
de ser um reflexo dela como num espelho,
extinguindo qualquer forma de agradecimento
devido a tamanha perfeição, que palavras
não se completariam jamais.

A minha irmã diria que a amo
por ter me dado a vida toda a alegria,
o carisma e o impacto da comunicação,
e a agradeço por ter me ajudado a construir
o meu mundo de hoje, mesmo não sabendo disso.

Aos meus dois pais diria que os amo pois,
um cedeu a semente, plantou-a
com todos os carinhos possíveis e esperou
ainda para ver o broto florescer e concedeu
ao outro a oportunidade de regar, de moldar
e ensinar os melhores caminhos da virtude,
para deixar a música florescer,
para construir uma família,
e a eles agradeço a tudo isso.

A todas as outras pessoas que estão na minha vida
agradeço a amizade verdadeira,
a opinião, o carinho, a tudo que inexistindo
faria com que eu não conseguisse ser o que sou.

Hoje, a esses lindos olhos de lua,
agradeceria por me fazer ver o outro lado da rua,
o outro lado do sonho, o outro lado do saber,
agradeceria sua loucura tão sensata que por vezes
torna-se inconcebível de se conceber.

E a Deus digo que o amo
por ter me colocado na minha vida
pessoas e situações tão completas
e mágicas, por ter me dado a
oportunidade de olhar, ver e absorver
a grandeza e os detalhes das pessoas,
e o agradeço por ter me feito
exatamente com esses defeitos corrigíveis,
exatamente com essas qualidades
que eu mesmo admiro em mim,
por ter me feito sensível e feliz e tão artista,
e ao mesmo tempo por ter me feito
um pouco amargo para poder ser assim...

Poeta...


Fiquem em paz...
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Terça-feira, Novembro 23, 2004

"Poeta sem fim"



Começo a escrever sem fim,
para ver se reencontro-me em algum lugar,
mesmo distante, para ver se consigo
enxergar, mesmo o distante, para ver
se toco novamente o amor, sempre distante...

Transformaria minha poesia em sentimentos
se assim pudesse concebê-la,
se assim pudesse honrá-la
como honro a tudo (com afinco) que não me completa.

Transmutaria o destino que momentaneamente
sorri para mim, moldaria meu rosto
para as futuras recepções e tornaria
bem mais simples meus anseios, meus medos,
minhas alusões que me tornam incapaz de ser capaz...

Canso-me - admito - de bater tanto na mesma tecla,
canso-me de estar sempre cansado para com tudo
que deveria, pela lógica da vida, me fazer feliz,
desgasto-me bolando os mais absurdos planos
que facilmente seriam resolvidos na simplicidade
que felizmente não habita no meu dia-a-dia.

Sou poeta, não tenho medo de desbravar,
tenho medo de sorrir sem medo,
tenho medo de amar sem amor,
tenho medo de ficar sem você,
que tanto me conquista,
que tanto me ilumina,
que tanto me seduz na paz do seu sorriso...


Fiquem em paz...
.......................................

Domingo, Novembro 21, 2004

"Deserto particular"




Olho para defronte do meu deserto particular
e sinto novamente as dores tão mal acostumadas
escorrendo como sangue pela vida do poeta insône.

Revivo cada palavra,
compreendo cada ato,
imortalizo tantos inúteis sentimentos
que berro sozinho no silêncio do meu quarto sem fronteiras...

Sinto-me de um lugar tão longínquo,
como se vivesse a partir da perda da memória,
sem precedentes, tampouco destinos,
perambulando nos preâmbulos da noite
enxarcada de solidão e vinho,
esperando o resgate, esperando a vitória inexistente,
esperando um consolo amigo,
uma vida coerente,
uma palavra apenas verdadeira...

Choro repentinamente escutando a chuva,
ligo o chuveiro para tentar limpar o que tanto incomoda
descobrindo que tenho medo da purificação,
de ser fiel, de merecer,
medo do tudo que me quer e me torna incapaz...

Revivo então cada palavra,
compreendo cada ato
e me humilho na hipocrisia
da minha mesma prisão desde a infância...


Fique em paz...
....................................

Terça-feira, Novembro 16, 2004

"Hoje"



Hoje completei-me
no sentido do ser e estar
que tanto julgamos
no etéreo das frases
e pouco usamos
na vivência de se ser
e estar realmente felizes.

Hoje me vi em determinados
momentos sensíveis e sensitivos,
onde a insignificância do lutar em vão
se retraiu e absorto
deixou o brilho se espairecer
por entre as têmporas da vida
e florescer em forma de flores do campo.

E ao me ver,
vi que sou mais do que
vejo que sou quando penso
sobre o que sou...

E, desde então, pareço-me longínquo,
mais real,
um pouquinho menos atacado pela solidão,
vibrando como se tem que vibrar,
vivendo como se tem que viver,
pulsando como se pudesse amar,
amando como se pudesse sobreviver,
soprando como se soubesse soprar,
errando para o poeta sempre escrever...


Fiquem em paz...
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Quarta-feira, Novembro 03, 2004

"Existir por não conseguir"



Minha vida não tem mais graça,
não faz mais sentido sem o que eu nunca tive.

Minha vida perdeu o rumo
no silêncio absorto em que sempre estive.

Perco meu fôlego tentando imaginar cenas
que não se encontram sequer no meu inconsciente.

Tento ser vão em vão,
tento reconstruir errando,
tento emocionar hipoteticamente,
tento falhar meus sentimentos,
tento matar tudo o que não tenho,
tento existir por não conseguir,
tento tentar algo cabível.

Pelo menos uma vez...

Surpreendo tanto que me isolo,
perco-me de vez
e regrido à inercia do ponto de partida...


Fiquem em paz...
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Quarta-feira, Outubro 27, 2004

"Flores com os olhos"



Ontem estava transbordando de um amor translúcido,
um amor que não sei compartilhar,
um sentimento que não sei lidar, a não ser com poesia,
um jorro que gostaria de presentear alguém.

Gostaria de poder embrulhar todo esse grito desumano
em uma caixa onde coubessem sonhos e desejos
e dá-lo, livrar-me desse desespero,
desse se assustar consigo mesmo,
desse se arrepelar pelo medo do impulso,
desse errar por se estar certo.

Desistir de enxergar o óbvio obscuro a todos,
renegar todos os dons para ser feliz,
transitar por tantos caminhos possíveis despercebido,
exonerar todos os atos consequentes de sofrimento alheio.

Quero entregar com os olhos todas as flores
que dispensam todos os dias sem vê-las,
quero reviver a extinta fantasia para deixar
a minha em paz, tranquila, lírica...


Fiquem em paz...
.........................................

Quarta-feira, Outubro 20, 2004

"Não quero, mesmo querendo..."



Não quero ler nem escrever,
quero viver.

Não quero sentir nem pulsar,
quero tocar.

Não quero ser nem estar,
quero existir.

Não quero fazer nem tentar,
quero conseguir.

Não quero jogar nem ganhar,
quero participar.

Não quero morrer nem brilhar,
quero apenas te amar...


Fique em paz...
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Sexta-feira, Outubro 08, 2004

"Caminho sempre"



Minha tristeza não provém de uma consequência,
mas sim de um ato funesto e constante
pelo entorpecimento da verdade
existente em tantos olhos e sorrisos degradados.

Só existe uma solução para o fim,
so existe uma edição para a mesma história triste,
só existe um tema que expresso inutilmente,
só existe uma forma de viver minha vida...

Vendo-me por fora, escondo-me pelas formas
e defino todos os tipos de regras e atitudes incabíveis,
teço regras lacrimosas e consigo somente, como sempre,
destroçar com qualquer sentimento bonito que posso ter tido...

Caminho, caminho, caminho, sempre com meu peito pesado e minha dor
arfando-me, sempre o desleixo tão belo quanto a natureza,
sempre o nada tão em contravenção quanto ao que fazer.

E desisto, quando percebo minha extrema capacidade
de me fazer e de ser infeliz...


Fiquem em paz...


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Quarta-feira, Junho 09, 2004

"Caça à simplicidade"



Eu nasci para pensar no meu anonimato
e nesse pensar, deflagrar todas as mascaras sujas
nesse deflagar descubro minha verdadeira diversao
e dessa diversão realizo minha criação no meu próprio escuro

Eu nasci para ser colocado em altares duvidosos
eu nasci para treplicar minhas próprias questões
eu nasci para não responder minhas inquietações
eu nasci para deixa-las aos tantos pobres de mim

Eu criei meu anonimato no meu sucesso
eu criei minha ilusão na minha realidade
eu criei minha repulsa no meu próprio amor
eu criei minha solidão naquela antiga diversão

Eu chorei, morri diversas vezes,
e até cheguei a acreditar que poderia ser verdade
e descobri que até as verdades dos anjos mentem-se a si mesmas

Tentei forjar planos, divagar contra o infinito,
tocar a melodia perfeita, com o ritmo perfeito dentro da rima perfeita
e desmoronei quando percebi o quão frivola é a perfeição...


Fiquem em paz...
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Sábado, Junho 05, 2004

"Do que eu nunca tive"



Tenho saudade até do que eu nunca tive
e do que nunca terei pelo ciclo lógico
que minha vida retrógrada leva.

E o mundo vai girando
em sua forma excêntrica e retilínea de se ser,
e eu me moldando ao acaso perspicaz que me persegue.

Nesta luta, incendeio não só a mim,
mas todo o meu mundo de ilusões...


Fiquem em paz....
....................................

Terça-feira, Maio 25, 2004

“Sinto uma intensa vontade de suicídio”



Tenho fascínio pelo momento a vir.
estou cada vez mais desapegado a esse mundo
quero ver a baixeza em todos os atos
quero ver a vileza em todos os sentimentos
quero ver a degradação de todas as hipóteses
quero ver negras todas as lagrimas
quero ver a infâmia se apoderando da vida
quero todas as carapuças desarmadas.

Quero que todos os meus absurdos sejam condenados
e comparados com todos os absurdos humanos
quero ser o mais humano dos pecadores
quero ser o mais infiel dos homens
quero transgredir as regras e desafiar os Deuses
quero morrer sorrindo pela minha tristeza infinita
vivida nesta podridão que me arrasto
quero pedir clemência diretamente ao chefe do barraco
quero enegrecer minha visão
cegar-me para ver se finalmente me realizarei
cegar-me para enxergar a verdade
que não me existe, que não me acompanha, tenho que admitir
empobrece-me a vida senti-la
empobrece-me o sentimento amar nesse mundo sujo
empobrece-me a lentidão com que evoluo pela falta de evolução alheia
empobrece-me perder meus sonhos pelo ceticismo
encubro-me de falsos personagens,
encubro-me para encobrir-me de mim mesmo
grito uma fúria cretina, de quem ao menos consegue balbuciar
escrevo temas que servem como apelo desesperado ao abandono
conheço das artes a violência
conheço da vida a mentira
conheço do amor a exclusão
reconheço na realidade a minha única saída
o breve suicídio das minhas infinitas palavras e poesias...

André Neves

Tenho fascínio pelo momento a vir. (Vinicius de Moraes)

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Domingo, Maio 16, 2004

“Vôo noturno”



Sou extremamente equilibrado
no meu desequilíbrio.

Sou plenamente ponderado
no meu descontentamento.

Sou extremamente realista
no mundo onde sonho.

Sou meramente feliz
nas projeções onde vivo.

E para conseguir me entender
terá que subir na garupa da fantasia,
deixar para trás as regras e preceitos
e viajar comigo num vôo sem rumos,
mas com destino à felicidade.


Fiquem em paz...
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Domingo, Maio 02, 2004

“Não quero mais”




Hoje não quero ter fisionomia,
nem cheiro nem sabor, tampouco alegrias...

Hoje não quero sentir solidão,
não quero me enganar pelo desejo
inexistente da minha própria inexistência,
não quero fingir o que já sou sozinho...

Não quero rever meus antigos passos,
ressuscitar velhos paradigmas,
transcender velhos ideais,
reconhecer o erro das novas escolhas...

Não quero nada além do infinito,
e que ele se espalhe com música
pelos meus cantos hoje desconhecidos,
hoje desencantados pelo brilho de olho algum...

Não quero prender-me na minha própria inconsistência.
Não quero preencher-me de tudo que não me completa.
Não quero determinar as regras de um jogo de tabuleiro vazio.
Não quero gritar aos surdos minhas migalhas.
Não quero entender nem me tornar crível.
Não quero deixar de querer algo que nunca quis.
Não quero me abalar por isso, e com isso fortalecer
as únicas armadilhas que eu mesmo cismo em impor.

Não entendo meus pensamentos, não entendo minha euforia,
não entendo minhas vontades, minhas fugas desesperadas
de mim mesmo e que acabam sempre se encontrando
pelos recônditos inevitáveis das minhas dúvidas
e revoltantes faltas de respostas...

Não suporto mais me enganar com tudo que finjo que sinto,
não agüento mais o peso das minhas palavras,
não tolero mais essa indulgência com minha perseguição
a uma perfeição que em tudo consegui hoje fracassar
pelo reflexo irracional da insatisfação dos erros que cético
percorro meus dias cometendo...

Não agüento mais me controlar,
não agüento mais minha própria incompreensão...



Fiquem em paz...
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Sábado, Maio 01, 2004

"Receba com carinho"



Oh! Sons e luzes que ruborizam os meus sonhos,
receba pelos ares o meu chamado
e venha até aqui sentir o calor do meu abraço.

Em cada volta pelo mundo,
em cada suspiro meu,
exalo um pouco de sensibilidade
que proferes como música
com seu canto apaixonante...

Doce devaneio,
multiplicai-me as línguas
para que eu possa ter mais opções
que eternizem seu brilho.

Dê-me mais da sua presença
e permaneça-me sempre
essa loucura de inspiração.

Faça-me, com seu beijo lascivo,
escrever poéticamente um terceto,
uma ode ou quem sabe um livro de sonetos.

Tome qualquer atitude,
só não deixe de habitar
essa morada que construi
exclusivamente para você no meu coração...


Fiquem em paz...
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Segunda-feira, Abril 26, 2004

“O nada em contravenção”



Eu sou o nada, e luto com minhas palavras para entender o que é ser o nada
eu sou execrável, pois sou capaz de me amar e me odiar ao mesmo tempo
eu sou a oitava maravilha do mundo, pois consigo me amar e me odiar assim como consigo me amar ao me odiar
eu sou o resplandecer das trevas, pois sou capaz de escrever e me arrepender da linha escrita assim como sou capaz de me orgulhar pelo não dito em palavras,
tal como ganho a vida
sem que simplesmente abra os olhos
que fingem ser poderosos
mas que sempre caem na mesma história infante, se engana sempre pela mesma percepção
esdrúxula e desvirtuada, assim como desvirtuo minha mente com o céptico olhar,
assim como alucino minhas pernas em vão sempre que viajo por estas estradas,
estradas com seus espinhos me ferindo,
uma estrada imagética,
acho que é a estrada que se encontra defronte o portal do meu sinistro castelo...
Castelo que está opaco, perdendo o seu irreal brilho...
Castelo onde estou encostando nos cantos,
encostado às traças como velhos em carne fresca,
lisonjeado com a solidão que me cerca
denegrindo-me pelo ter que compreender,
declarando-me ao mais simples lapso
de inconsciência
e não me arrependendo
não me machucando, e muito menos me
martirizando
Ouvindo a todos e só dando a razão ao meu ouvir
interior
exterior
interplanetário
que dita de longe as regras
que me faz crer como um dia cri em
espíritos
que voam
que dançam
que tem armaduras e pompas
especiais
que vão a minha casa
e cozinham na mesma,
sem piedade,
dó,
com frieza,
não vendo que do lado de cá eu estou emocionado
fraco
intenso
desprovido
amando
sofrendo
agradando
mutilando
e tudo isso de uma só vez
tudo isso de uma só tacada
desgarrando as lacunas que compõem
o sonho sem fronteiras
sem barreiras e sem limites
fazendo do péssimo transição
fazendo do ótimo oposição
pois entendo o que dizes
entendo o que falas
entendo quando me proteges
e entendo que foges por mim
angustia-se pelos meus imagéticos desenhos
pelo medo do desconhecido
que ocorrerá a mim somente
quais serão as conseqüências
- com medo estás -
quais as conseqüências
- roendo-se estás -
o que será dele
- preocupada estás -
o que ele fará no futuro
- curiosa estás -
o que sentirei daqui a anos
quantos textos mais separar-me-ão do ócio
quantos equinócios vernais terão de distância
quantas epopéias vibrarão pela minha morte
quantos enterros mais terei que chorar
quantos amigos mais terei que me separar
de quantos mais terei que me separar
quanto mais terei que sofrer
e ir ao teatro só
quanto mais escreverei e acharei
que banal me tornei
quanto mais direi quanto mais
e quanto mais ditarei essas hipérboles
de quanto mais
de quanto mais
e digo ainda
quanto mais terei que me superar
se a superação percebo
não ser suportada
por estar ela exacerbada
por estar a empolgação cega
pois nunca deixei de estar cego
nunca deixei de não amar
nunca deixei de me privar
e sempre estive às escuras
atirando e lutando
contra mim
contra Deus
contra o Inferno
que bate a todo momento à nossa porta
às nossas janelas
que,
de quando em quando,
bate em nossos portais imaginários
e luto arduamente para que vá embora
pois estou cego
implorando por mim mesmo
criando histórias
fábulas que se tornariam inesquecíveis
como sonhávamos que seria...
Inexeqüível esquecimento banal
inesquecível prosear esdrúxulo
infundado
onde não preciso - sei disso - escrever mais
parábolas
já foram suficientes
pra você que mora ali
acolá
defronte meus julgamentos
pois eu não tenho fim
eu não tenho histórias
pois histórias sem fim acabam sempre acabando
com uma reticências
com uma rima
com um novo início
com um ano novo
com um carnaval, quem sabe,
com uma nova vida
com um novo estilo
musical
literário
egocêntrico e prepotente
criando armadilhas e barreiras
para a minha boneca transcendental
julgadora e não
fechada
com regras
com julgamentos predefinidos
do que é julgar...
Se julgo como minha figura
nunca julgaria,
é porque ela tem medo de julgar
ela tem medo de mim
pois a minha verdade sempre foi a única
é o que ela pensa disso, mesmo
mal sabendo do que pensa
mas pensa, e pensa vociferado ao ínfimo infinito
que ditará meu futuro
que ditará meus casórios
que ditará minhas separações
pois me casarei, isso eu sei,
farei filhos
mas não serei completo
completarei meus sonhos paternos
mas nunca poderei olhar para os lados
e ver a alternativa correta
pois minha mente está oscura
minhas papilas estão sedentas
como meus desejos estão dissonantes
as partituras rasgo eu
a música toco eu
o teatro contracenarei eu
mas o amor não viverei eu
a solução não viverei eu
a alegria não sentirei eu
pois ela foge
ela é uma montanha russa
das norte-americanas por serem maiores
mais ríspidas
mais frias
mais distantes
tão distantes quanto eu estou
tão tristes quanto eu me encontro
querendo tentar e não conseguindo querer
tentando querer e não conseguindo tentar
repetindo os erros
para participar de mim mesmo
escrevendo compulsivamente para me enobrecer
para um livro poder um dia escrever
quebrando as linhas para que possas entender
vendendo-me para a mim compreender
arrependendo-me para comigo viver
e saltando das montanhas para a mim
me oferecer...
Quantas linhas poderão ser escritas
quantos erros proferidos
mas sempre a certeza
de quantos amores
irreais
podem e são perdidos...
Quantos versos posso fazer
pois minha mente não consegue ler
nem para não poder
nunca este dom perder
Agora dito regras
para o fim da canção acontecer
mas para sempre nunca deixarei
de com meus amores enobrecer...


Fiquem em paz...
........................................................

Sexta-feira, Abril 23, 2004

Se os sonhos correspondessem......................



Se os sonhos correspondessem às minhas palavras, acreditaria que minhas crenças são existenciais a ponto de me transformar no ator principal desta peça que estamos participando aqui, esta noite, entregue ao ostracismo que tenta se demonstrar condizente com as fábulas criadas por nós mesmos quando estamos elucubrando, e mesmo com esta inconsistência de fatos consigo te ver, em meio de tamanho alvoroço, dessa forma bela, bruxuleando ao redor de tanta hipocrisia, fantasiando em meio de tanta fantasia, de sonhos que sonham em ser vividos, sonhos que dizem fazer parte da minha mente, mesmo que momentaneamente, deturpando os preceitos e fazendo de ti, sim, por incrível que pareça, fazendo de ti a atriz principal de um papel tão delicado, com tantos resquícios do passado vindo à tona no presente, esse presente onipotente que nos cerca, esse passado que nos condena e esse futuro que nos espera, às margens do acerto com as soluções que as nossas novas tentativas, mesmo lutando para serem plausíveis, tentam fazer conosco, com o tempo, este que tanto me gela as mãos e me sua o coração, tempo que deturpa meus anseios e me faz sentir ileso a tudo, como uma criança perdida em tempos remotos, como um pássaro que voa em sentido da liberdade há muito requerida, e vejo-te assim bela, passando com toda essa magnitude, fazendo-me me perder nas palavras, fazendo desse encanto algo estarrecedor à percepção que rodeia minha vida, embasbacando-me para poder, assim que possível, escrever esta que lê, para ver se assim consigo transmitir toda a leveza que a paz que rodeia sua pessoa me transmite, trespassar a ti todo o brilho resplandecente existente em sua aura, no místico e distante cheiro do seu olhar, cheiro de encanto, cheiro de inovação, de amor, de carência, uma carência querendo ser amada, querendo ser explorada para que assim possa, sem receios, abrir este teu livro mágico, este que carregas, pesado, dentro do teu peito, por falta de confiança, por receio de não ser o que já é, ou que não sejam o que já encontrastes ao abrir sorriso tão belo quanto sua pele, quanto sua cor, quanto seu tudo, esse tudo que tanto me encantou e me fez sonhar aquela noite, e a outra noite, e a outra noite, sonhando sensações ainda inexistentes, acordando com os travesseiros em volta dos meus braços e imaginando o dia em que poderei te abraçar de verdade, o dia que poderei, se é que poderei, abraçar seu coração, sua alma, alma entregue as divagações existentes na minha, na tua, nas nossas vidas, essas tantas vidas vividas, essa saudade que cisma em aparecer de fininho, a quem sem querer clamamos, pois a mesma encontra-se verdadeira dentro de nós, dentro dos nossos sorrisos, desse ressoar das notas dentro do papel, esse eco vagando pela minha mente para poder escrever mordiscando minha alma para que ela seja verdadeira, para que possa com minhas falanges colocar todo o ardor existente no meu sangue, nos meus tão comentados sonhos, sonhos dorminhocos ou alucinados, querendo-te dessa forma, daquela forma, de todas as formas, para simplesmente realizar todas as tuas vontades, e a minha, que é poder simplesmente trilhar contigo os infindáveis caminhos da felicidade...


Fique em paz.....
...............................................................

Quarta-feira, Abril 21, 2004

"O Haver"




Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai! eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo que existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de sua inútil poesia e de sua força inútil.

Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa tola capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será e virá a ser
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante.

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
Na busca desesperada de uma porta quem sabe inexistente
E essa coragem indizível diante do grande medo
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio
Pelo momento a vir, quando, emocionada
Ela virá me abrir a porta como uma velha amante
Sem saber que é a minha mais nova namorada.



Obrigado Vinicius....
...............................................................

Terça-feira, Abril 13, 2004

"Vivência"



Pirei no sonho
alucinei no escrever,
pulei na vivência,
na ardência do viver,
extravasei as regras
incontáveis,
irredutíveis regras que
desapontam,
desapontam o elixir
em forma de flores,
de aromas enigmáticos,
de cintilâncias,
degustando o expelir,
o exasperar,
o ser pelo não sendo
mesmo esta sendo
a não-questão,
mesmo os nãos
sendo as
contrações que ditam
os seres,
que fazem a festa
ditando as regras
deturpando a sanidade
com que pego na caneta,
rasgo os papéis,
digo e penso sobre
amor,
ódio,
decepção
de ser
o querido
e não obter
a ascensão
do poeta proseador
que se acha vão,
que o poente diz que não,
e o luar não abre mão,
nem dele - do poeta louco,
nem dela - pálida imaginária,
muito menos
do reino literário
que em sua persona
torna-se ditadora
de regras,
de ser tudo
sendo o ser quisto nas fábulas
e sendo o não ser na profusão desvairada
do outro ser
que cria vida,
mas é tímido e temeroso,
é frágil e murmura
pelos meios,
rumina cânticos e versos
para a intertextualidade
não exasperar,
para sempre poder
com sua musa se inspirar...


Fiquem em paz...
.......................................................................

Quarta-feira, Abril 07, 2004

“Com todo o meu sempre”




Uma estrela impressionante presenteou-me
o destino ha tanto solitário e longínquo,
recostando minhas portas e janelas interiores
para o passado vivido numa estrada esquecida.

Esta estrela juntou todos os pássaros
existentes dentro dos meus tantos sonhos
e os fez cantarem a mais bela e doce
melodia clássica jamais sentida pela vida.

Equidistanciou o belo da frivolidade
dentro do pobre e confuso poeta,
que lacrimejando tenta compreender
o brilho que ainda o cega e o aroma
que o estagna na lembrança distante.

Imagina as nuvens, as casas e as ruas que sentem
o peso benévolo de tais pés e tais risos.

Vê, com nitidez, cada ponto da metrópole
ainda desconhecida por ele, sendo eternizada
pelo clique da fotografia vista com perfeição
pela perfeição dos seus olhos lindos e serenos,
e ri pela contemplação do seu próprio devaneio
ao rever as novas cores do seu jardim interior.

Ele tenta continuamente escrever,
tentando persuadir sua clara invalidez,
para descrever cada ponto desse brilho,
cada som desse silencio, cada sentimento
do mais puro toque deflorado pelo tempo.

E mesmo rodopiando ele tenta se concentrar
e relembra do tempo parado, sendo contemplado
como obra de arte barroca, como pureza
enigmática de uma construção sentimental
sólida e perfeita, e carinhosamente desenhada
como nunca, tampouco imaginada
pelos homens ou pelos anjos róseos,
que se envergonham quando perante estão
do lírio mais famoso, do canto mais macio,
do abraço mais envolvente, do beijo
mais alucinante, do riso mais vermelho,
e da sutilidade mais apaixonante,
que mesmo munidos de caneta e sensibilidade
não conseguirão descrever a exatidão infinita
daquela riqueza, que colocou o pobre
poeta enclausurado pela saudade
e voando por ter sentido pleno tão nobre paixão...


Fiquem em paz...
.........................................................................

Segunda-feira, Abril 05, 2004

"Te adoro"



T amanha beleza e sutileza que
E xala desses cintilantes olhos,

A trozes em suas decisões
D uradoura em seus sentimentos
O rgasmática em sua maneira de viver
R econquistou meu coração que já estava sem luz,
O rganizou, clareou e encheu minha vida de felicidade...


Fiquem em paz...
.............................................................

Quarta-feira, Março 31, 2004

"Anjo amigo - In Memorian"



Vinte e um anos...
Uma idade tão célebre,
tão inconsistente e tão mágica,
uma passagem única que a maioria dos que lerem esta já terão passado, ou estarão passando,
ou ainda posso dizer que tem planos fantásticos e grandiosos quem a essa idade não chegou,
idade que tanto me ajudou,
idade que nunca mais irei ter,
idade que nesta data de hoje
estaria meu grande amigo comemorando com seus planos terrenos...

Planos, planos...
Como falar em planos se não existem regras para o tempo (!)...
Planos, planos...
Como ditá-los ao léu se nem sabemos o quão presente estaremos (!)...

E foram poucos por ele ditados,
já sabia que não precisaria ditar planos
a longo prazo,
parece que a presunção não fora bastante plausível para seus ideais,
ele não imaginava ter 21 anos,
ele queria e batalhava diariamente para apenas ser eterno,
apenas para fazer feliz a quem ao seu lado estivesse,
pois ele precisava ensinar a todos
a fórmula mágica
do desprendimento,
do encantamento,
precisava ensinar a todos o que significa ser simplesmente feliz,
o que significa simplesmente sorrir
por sorrir,
gritar
por gritar,
interpretar
como se o mundo fosse um palco
e o futuro
as cortinas que lentamente se abrem,
vivendo os ensaios que se calaram antes das cortinas
intituladas da vida
se abrissem,
antes mesmo da contracenação
dita e vivida
ter saído da sua majestosa puberdade,
fazendo-me voltar no tempo
e imaginar como estaria o seu brilho,
como estaria suas interpretações e interpolações
que apenas sua clara e simples mente era capaz de fazer...

Como estaria eu (?),
que escrevo aos prantos
sem mesmo poder,
pois em sonhos astrais ele pediu-me
para que não mais o fizesse...

Como estaria minha face com as lágrimas sempre secas (?),
será que seria tão desprendido,
será que seria tão compreensivo,
tão amável com os que não tem o dom da compreensão,

Como estaria ele, (?)
será que forte,
namorando a Claudia,
qualquer outra mulher,
tão especial quanto a cineasta expelida do meu âmago
em formas de palavras nessa mesma excêntrica linha imaginária,
estaria ele cursando de teatro comigo,
já teria sua casa em Ubatuba,
já me levaria com seu carro consorciado
para ver o brilho das estrelas,
para quebrarmos quantas cidades fossem preciso,
erraríamos em vão,
divagaríamos sobre o nada,
pois o nada tornara-se inexistencial a ponto da sua inexistencialidade se obrigar a divagar durante o nada,
com o nada sendo o máximo denominador que poderíamos ter em comum,
dormiríamos na praia
ao relento
como outrora fizemos,
nos perderíamos em busca da noite perfeita,
invadiríamos o aeroporto,
como outrora ele fez,
sem o risco do choque mortal,
sem o risco do tiro certeiro,
pois eram apenas tempos de liberdade,
eram apenas tempos de desapego,
onde o existir era uma simples vara de condão
que ditava as regras dessa transmutação de fatos que hoje
tornara-se incompreensível
dentro da minha cabecinha incapaz,
dentro da minha lucidez,
dentro do meu peito que está amuado,
está sôfrego de saudades,
está desmoronado de lágrimas,
lágrimas não pela lembrança da doença que o levou,
mas dos tempos onde a liberdade era nossa simples opção libertista
de todos os nossos atos e situações,
onde a música era cantada em uníssono,
onde o companheirismo era mútuo,
onde as jaulas imposicionadas pela vida ainda estavam abertas
a todos
que quisessem adentrar,
pois não tínhamos manchas na nossa mente,
não tínhamos o buraco eterno dentro de nós,
não tínhamos a preocupação
de como seriam os aniversários sem a presença,
sem a festa tão esperada
ano a ano
nos prédios mundanos...
Como tudo isso aconteceu (?) ,
Como foram criadas tantas barreiras (?),
Mesmo ele implorando para não criarmos,
mesmo ele gastando toda a poupada energia,
se materializando para simplesmente dizer que está bem,
pedindo,
implorando
para não chorarmos,
e mesmo assim
me vejo no banheiro,
me olhando no espelho,
como uma criança
chorando,
tendo que respirar fundo
para que não ouçam que choro,
pois não merecem me ver triste,
pois não compreenderiam a minha tristeza,
piorando ainda mais minha situação,
então recorro ao papel reciclado,
a caneta esferográfica,
desato meu molhar sobre os dois
e escrevo,
para que consiga aliviar um pouco do peso que eu não agüento,
que quem o conheceu e estiver lendo também não agüenta,
a quem não o conheceu e se sensibiliza com histórias de amor e hipérboles dramáticas não agüentará por sua vez,
mas que a certeza todos nós
- os meus conhecidos, os dele desconhecidos, os leitores e curiosos -
temos,
de que,
asas em suas costas já se criaram,
- mesmo elas tendo espiritualmente arranhado um pouquinho -
olhos ainda mais esverdeados se fizeram,
cabelos mais enrolados já cresceram
e rodopiaram
pelas nuvens brancas,
e que a sombra da dúvida que poderia ainda restar
já se dissipou
de que ele,
todos os dias,
reza para que seus comparsas,
amigos e
familiares.........................

.....................Fiquem em paz...


............................................................................

Sábado, Março 27, 2004

“Não convidado”



Lágrimas...
Fúria desesperada pelo infinito.

Arrepios...
Violinos escorrem suas verdades.

Decanato...
Fuga alimenta a transcendência dos fatos.

Momento...
Em que escolho para fechar os olhos
e sentir a verdadeira verdade que não existe
nas palavras e nos olhos aguados e sujos,
temperando ainda mais minha alusão aos sons
e as luzes da minha absurda hipnose.

Calmaria...
Como eu gostaria que fosse minha fascinação
pelas dificuldades absortas no eterno...

Gosto...
Da cor diferente nas minhas mãos,
nos meus tragos infinitos de incoerência.

Desespero...
Rápido e fugaz, poderoso e amigo
de todos os meus eus desafortunados.

Depressão...
Palavra antiga dos meus antepassados,
que não encontram palavras que decodifiquem.

Luz...
Emanação angelical e alheia aos meus sentimentos,
onde a irrealidade decompõem o dia vão
das portas que se abrem inertes a mim...

Luta, tambores e degustação de palavras,
que tão lentamente absorvo no papel,
sentindo-as como o fim,
cada palavra suicidando-se do meu frágil sentimentalismo
para colorir vidas que não me suportam...

Decisão...
Destruição...
Revelação...
Renegação...
Ressurreição...
Reencontro...
Desilusão...
Devastação...
Desinteresse...
Lágrimas...


Fique em paz....
.................................................................

Sábado, Março 20, 2004

“Buquê de flores”



Oh! Doce regia, que enrubesce
as águas escuras do meu sonho,
levanta tuas orelhas para ouvir
a serenata sutil das borboletas...

Venha sentir o doce aroma
da liberdade que planto
com carinho para que possa
colhê-lo e fazê-lo de morada...

Oh! Doce canto que não cala,
palpita-me o peito pela lembrança,
vislumbro cada parte do seu corpo
com a imagem do orvalho por ele escorrendo,

vibrando em cada curva do seu sonho,
emudecendo em cada sorriso da saudade,
em cada brilho da verdade dos seus olhos,
em todo ato que se eterniza...

Oh! Doce regia, faz da minha vida fantasia,
rege como orquestra minha vontade,
ilumina com velas o meu caminho,
afaga meus sinceros sentimentos com música,
e faz da imagem do meu coração
um eterno buquê de flores para você...


Fiquem em paz...
..............................................................

Sexta-feira, Março 19, 2004

“Não precisa haver”



Não precisa haver beijo, para haver amor...
Não precisa haver desejo, para haver amor...
Não precisa haver abraço, para haver amor...
Não precisa haver contato, para haver amor...
Não precisa haver lágrima, para haver amor...
Não precisa haver namoro, para haver amor...
Só precisa haver amor, para haver você...
Só preciso de você, para em mim haver amor...


Fiquem em paz...
............................................................................

Quarta-feira, Março 17, 2004

"Quem sou eu"



Passeio vagamente pelo passado.
A nostalgia me prende na insônia.
Escureço, perco-me na noite
com os pés descalços e frios.
Coço meu nariz, pisco com força
para conseguir raciocinar velozmente.
Ouço o sibilar da Sinfonia n° 5 de Mahler,
visto minha carapuça
e desato meus sonhos no papel...

Luto para esquecer que existo,
luto para entender o existir,
para entender o amor, se com ele
no peito sofro a fertilidade
da eternidade, e ele sumido assim
sofro a dor sôfrega do silêncio...

Sofro com esse silêncio,
desatina-me o medo...

Coço novamente os olhos...

Dessa vez fecho-os e vejo-me
como uma sinfônica sem rumo,
sem sentido,
sem batidas,
sem o ressoar da vida,
sem o encanto,
sem a liberdade que prego,
que se esvaece das minhas mãos,
acorrenta-me neste transeunte
que chora lágrimas que não são dele...

Acorrento-o nessa letargia,
acorrento-o nessa solidão
de quem nunca conseguiu ser o que quis,
o que sempre sonhou
e sem coragem de vencer,
suicidou-se...

Apodero-me desse pobre sonhador,
dessa figura carismática,
o transformei anos atrás
para que minha carapuça desleal
não fosse descoberta...

Alegro-me pelos seus rumos,
darei a ele todos os dons que quiser,
pois ele revive a minha vida,
ele me faz potente,
ele me cura,
esse jovem maluco terá todas as portas
abertas para sonhar, para vencer...

Eu não o deixarei perder,
eu não o deixarei morrer antes de ser,
quero sentir o gosto da vitória através dele,
quero ser jovem,
quero tirar essa bala
do meu infiel e covarde peito,
quero que ele transmita
às pessoas o que eu não pude em vida,
pois ninguém entenderia na minha época...

Raros o entendem agora...

E é por isso que eu o fiz só...

Poucos o enxergam,
ele se finge não entender
e entretém com facilidade,
com o Dom que Eu e nosso Pai demos.

Sou seu irmão que não nasceu,
que se uniu pelo ventre sagrado
da nossa Mãe para te dar a chance,
a glória de poder passear
por todas as galerias da vida
sendo respeitado, aclamado...

Eu te darei as histórias,
eu te farei feliz,
realizados pelos seus feitos...

Não estranha ter tantos dons?

Como pode se julgar tão abençoado
e não duvidar de nada?

Faz-se de tonto,
eu te ensinei a ser assim,
isso eu fiz para que não sofra no futuro,
é apenas uma pequena amostra
do que esta por vir...

Faça tudo mesmo,
prepare-se, pois os palcos
irão sempre se acender para ti,
meu caro e nobre irmão...

E agora peço apenas para que coce
novamente os olhos,
relaxe ao som límpido da música,
respire,
descanse o braço, pois ele está doente,
estude e sempre fique na paz
que tanto almeja...

Busque-a...

Transgrida as regras...

Escreva seus sonhos,
eu darei seus sucessos lá,
no inconsciente,
e quando seu nome estiver nas estrelas,
abençoarei-te contra as traições,
pois eu o amo meu irmão,
eu te quero harmonioso,
e para todo o sempre rezarei
para que essas lágrimas que agora
caem dos seus olhos sejam sempre
sinônimo de fertilidade e lealdade...

Lágrimas benévolas e eternas...

Rouquidão da minha voz ao acordar do transe,
ao agradecer a quem quer que seja
por mais um belo e belo e belo texto...


Fiquem em paz...
..................................................................

Quinta-feira, Março 11, 2004

“Curiosidade da sensação”



Qual a nomenclatura existente
para a concisão perfeita
de tantos altos e baixos
residentes no amor?

Ah! Amor...
Palco de tantos livros,
palcos de tantas dúvidas
ainda nunca respondidas...

Tomaste meu coração
pela curiosidade da sensação,
do enigma que envolve
sem medo as barreiras da destruição...

Um banquete completo
para minhas mãos
e uma pergunta que nunca se calará:

- Por que as pessoas mudam
quando a recíproca é verdadeira?

Faço, quando medito, uma retrospectiva
dos fatos onde a reprocividade ocorre,
e o resultado estatístico
é meramente fatídico e Dantesco,
pois o mesmo torna-se nulo...

Nulo como devem ser essas viagens
que vivo quando medito...


Fiquem em paz...
......................................................................

Domingo, Março 07, 2004

"Ilusão rebuscada"



Ilusão tempestusoa de um ensejo
terminantemente inexequivel e irrefreável...
Decepção mostruosa e elucubrativa
do meu seio amargo de escuridão...

Inefável problemática e dissonante
alternativa de mórbida realidade
vivida, bruxuleando em minha tez
a brisa boreal do descontentamento...

Ciclópes sentimentais rondam os monumentos
labirinticos e arcaicos do meu insalubre
âmago, destoando a fábrica de sonhos

com palavras rebuscadas e desesperadas,
dissolvendo meu último resquicio de sorriso
nesse drama terrivel de não pertencer ao paraíso...


Fiquem em paz...
.........................................................................

Quarta-feira, Março 03, 2004

"Passado poético em Barcelona"



Ah! Que saudade daquele tudo,
que saudade daquele fazer nada,
que saudade daquele sentir muito,
que vontade daquela menina...

Ah! Que vontade de fazer tudo,
que vontade de não viver sem nada,
que vontade de sentir tremores,
que saudade daquela menina...

Ah! Mas que vontade de beijar,
que vontade de fazer amor,
que vontade de fazer o gosto,
que saudade daquela menina...

Ah! Que saudade daquelas tardes,
que saudade daquele encanto,
que saudade de apaixonado,
que vontade daquela menina...

Ah! Que vontade de tê-la aqui,
que saudade de senti-la aqui,
que duvida me bate aqui,
do amor que sinto por aquela menina...

Que passa exalando pétalas pelos seus mágicos olhos,
que me apaixona a cada vão momento,
que me descreve em poesia,
que me extasia,
que me alucina de tanta vontade de morde-la,
de encharcá-la com a minha vontade,
que me lambuza a fantasia,
que me suga cada energia desperdiçada
e transforma-a em paixão recolhida,
que me forma em forma de forma para acalentar
cada respingo da sua vontade,
da sua ternura,
do seu coração em cores,
do seu sorriso que encanta aos céus,
dos seus traços que encanta a Zeus,
da sua bondade que encanta aos anjos
e do seu tudo, que encanta meus desejos
com seus trejeitos, com sua voz de pequena,
com seus cabelos de boneca,
com a sua infinita história de amor....


Fiquem em paz...
..............................................................................................

Domingo, Fevereiro 29, 2004

“Cidade Nossa”



Cidade caótica, onipresente;
Cidade maluca, eloqüente;
Cidade de ouro, presente;
Cidade de luz, de amores ferventes...

Lugar rodopiante de corações
Que breves lutas acontecem
Com separações, com ideologias
Abstratas do ser e sentir pobre,

Maldito e com as crispas
Enrijecendo meu perdão,
Tornando-me um moribundo,

Narrador onisciente, vão,
Caótico e problemático, mas
Vasto conhecedor das dores do mundo...


Fiquem em paz...
...............................................................................

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004

"Morte sem enterro"



A morte
queimando-me a face
apertando-me contra o papel
com ira,
com furia,
latente e prepotente
com as quedas infimas
devorando meu respirar...

Morte,
sem rodeios me buscando
no palor da madrugada,
me inebriando,
me escurraçando desse recinto,
dessa morte sem receio,
desse tilintar sem preceito,
com o péssimo em devaneio,
com o límpido em escassez,
frio como a bruma que enreda
sua ferida....

Fim,
o fim desiludido
pela morte sem enterro,
com tanto desespero,
trazendo-me ao desterro
que jaz minha solidao,
solidao magra que degusta
do meu ser,
do meu dom,
do meu prepotente esquecer,
do meu eloquente enlouquecer...

Corpo,
corpo que nao vejo,
gélido que nao sinto,
pernúria que só vejo,
desalento que tanto desejo
nessa morte sem fim,
nesse enterro do querubim,
esse desespero querendo à mim,
nesse lavar de almas sujas,
nesse viver de sonhos límpidos,
nesse navegar de sonhos unicos,
com barocos a sós,
aeroplanos solitarios,
soleiras desgranhadas,
paredes armadas
e sonhos destroçados,
à espera do novo reencontro,
que dita os desencontros,
e que traz a esperança
para que não erre no ponto,
ainda menos que o desenho
fique apenas no conto,
que é para podermos,
sempre,
vivermos esses distantes
e inalcançáveis sonhos...

Sonhos de criança
e que nunca acontecerão... ... ...


Fiquem em paz...
...................................................

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004

"Como eu adoro você"



Como eu adoro seus cachos
Como eu adoro seu nariz
Como eu adoro seus dedos
Como eu adoro seus trejeitos
Como eu adoro sua voz
Como eu adoro sua risada
Como eu adoro a pinta da sua barriga
Como eu adoro a pinta da sua nuca
Como eu adoro o tamanho das suas pernas
Como eu adoro seu ser magrinha
Como eu adoro a cor dos seus pelos
Como eu adoro a sua bunda
Como eu adoro a parte de trás da sua coxa
Como eu adoro a batata da sua perna
Como eu adoro sua temperatura
Como eu adoro o seu abraço
Como eu adoro seu beijo
Como eu adoro a sua ardência
Como eu adoro o seu sorriso
Como eu adoro você fazendo charme
Como eu adoro você apoiada em mim
Como eu amo seus pés...


Fique em paz...
....................................................

Domingo, Fevereiro 15, 2004

"Sou"

Sou
sonhou e
comigo brincou
feriu a conjectura
do ser que sou
sendo o ser
que a sós
Sou




Fiquem em paz...
........................................................................

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004

“Caminata”



Mal muevo mis ojos
Y ya veo a mi amada a jugar
Mal muevo mis rulos
Y ya me veo amando a lamentar...

Yo vivo en mi dictador;
Yo vivo en el seno del pavor;
Yo rezo por ser Creador;
Y peco en hipo aniquilador...

Pero continuo mi caminata
Para los cielos yo poder alcanzar
Así como camino para que

En los esenarios me pueda apasionar,
Así como juego de tocar, de escribir,
Sólo faltando mismo jugar de amar...


Fiquem em paz...
.........................................................

Domingo, Fevereiro 08, 2004

"Sinestesia"



E se hoje pudéssemos falar?

Teríamos coragem de dizer sobre nojo, desejo,
raiva, fúria, amor ou margaridas?

Teríamos fôlego para nos declararmos
e percebermos e hipocrisia das nossas palavras?

Teríamos coragem de trocar nada
por qualquer coisa, assim como hoje fazemos?

Teríamos escrúpulos para sentirmos prazer
usando a fragilidade sentimental das frases poéticas?

Teríamos estomago para mentir,
mesmo podendo falar e ser compreendido?

Teríamos desejo de desejar o desejo alheio
por pura curiosidade que massageia?

Teríamos coragem de ter coragem?

E se hoje posso falar, me pergunto se falaria...

E meu vácuo silencioso responde meus devaneios...



Fiquem em paz...
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Domingo, Janeiro 25, 2004

"Cansado"




Cansado de esperar por tempos que nao me fazem feliz.

Cansado de ter que sobreviver da caridade de quem me detesta. * (Cazuza)

Cansado de querer olhar para cima e nao conseguir enxergar.

Cansado de ter liberdade de expressao.

Cansado de acordar cansado.

Cansado de sentir saudades da minha mae.

Cansado de sentir frio.

Cansado de sentir.

Cansado de carencia.

Cansado de viver.

Cansado de ir contra o mar.

Cansado de querer voltar.

Cansado de nao entender catalao.

Cansado de entender Español.

Cansado de ter tanta vontade de fazer sexo.

Cansado de so conseguir sobreviver.

Cansado da falta de cheiro de poluicao.

Cansado de fazer arroz, fervendo a agua e depois colocando arroz.

Cansado de comer tudo sem gosto.

Cansado de tomar vinho no jantar.

Cansado daqui.

Cansado dai.

Cansado de mim.........



Fiquem em paz...
..................................................

Quarta-feira, Janeiro 21, 2004

"Meu livro"



Em alguns momentos decido tirar minhas máscaras
e encarar a realidade com satisfaçao de estar livre.

Encontro-me em uma duvida cruel, e vejo que as mascaras
estao muito pesadas para se carregar sem um molde...

Tento reinventar novas formas de açoes
para uma dor ja real e concreta...

Percebo que é mais dificil viver só do que só,
e principia uma nova jornada na minha cadencia....

Reviro-me no colchao e me desespero ao saber
que os ruidos do meu inconsciente incomoda
tudo o que mais gosto nessa vida...

Tento, em vao, me calar, e faco da minha caminhada
um livro lindo de historias, com paginas em branco.........................


Fiquem em paz...
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Domingo, Janeiro 11, 2004

"Realidade"



Ordeno meu coracao a descobrir sua verdade,
juntar seus frangalhos e ir de encontro a alegria que o espera...

Este, enfraquecido por tanta vexacao,
estufa seu peito frouxo e se declara como forma
para o mundo irreal que vive.

Luta bravamente contra todas as contracoes que sente,
imagina todos os futuros possiveis,
cre que o mesmo tornar-se-a verdadeiro,
e sai desesperado e sem rumo atras da sua fantasiosa realidade...


Fiquem em paz....
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Sexta-feira, Janeiro 02, 2004

"Sinto algo"



Sinto saudades de mim mesmo aqui....
Sinto saudades de ti, mesmo aqui...
Sinto saudades de tudo, mesmo no tudo...
Sinto sozinho aqui, mesmo sozinho...

E pelas novas ruas meu corpo se movo,
transgredindo as regras que aqui nao existem....

Perco-me nos meus encontros
e desafino a velha lembrança
de se ser pleno e feliz....


Fiquem em paz...
..................................................................

Sexta-feira, Dezembro 26, 2003

"Apenas incomodo..."



Existem-me muitas alegrias
que me deixam cansado e triste...

Ter a sintonia na leveza
causa-me certo incômodo e constrangimento...

Querer o bem alheio
causa-me certos rebuliços desagradáveis...

Ter o dom do vôo
mexe demais com o brio
dos menos afortunados...

Ser e sentir segurança
desespera os eus de todos
ao ponto de enlouquecerem,
e na loucura desafiam
a liberdade, chamando-a de futilidade...

Não ter preocupação nenhuma
com as verdades e mentiras
coloca as artes como plano
vil e mesquinho de fuga...

Ser o que eu sou,
sendo Narcisista, sendo poeta,
causa incômodo...

Apenas incômodo....


Fiquem em paz...
.............................................................

Quinta-feira, Dezembro 18, 2003

"Paraíso"



Caminhava um dia desses
pelos gramados dos meus sonhos,
acreditando ainda no amor
explosivo que a surpresa
poderia nos ocasionar...

Carregando o infinito de sentimentos
que tenho como fardo, esqueci
de esquecer da realidade que vivo
e já me esqueceu...

Nesse âmbito tempestuoso
encontro-me sofrido com as situaçoes
que meus próprios sintomas
de amor fazem, deixando sempre
tristeza nas plantas regadas
pelas minhas vãs poesias.

E nessas histórias que se perderam no fim
fulguram certa paixão e existencialismo,
e dentro dessa escuridão
renasceu a luz do paraíso.

Do meu paraíso...

Interior, solitário, triste,
e, acima de tudo, apaixonado pelas dores da vida...


Fiquem em paz...
........................................................

Quarta-feira, Dezembro 17, 2003

"Rumo a Barcelona"



Desacostumei-me a viver nessa sociedade,
onde tenho que encarar e conviver
com pessoas das quais não existem
mais afinidades concretas...

Armo uma viagem para espairecer
meus ares, declaro lágrimas de poesias
para o alvo incerto dos meus dias,
com a desculpa de ser platônico o meu ser.

Planejo às escuras a realidade
que me espera de braços entreabertos,
com saudade deste corpo que esperou
outra encarnação para retornar
ao seu aconchegante e frio lugar de origem.

E nessas transições de vidas e mortes,
aprendi a aceitar as situações
simplesmente como elas são.

Destruo, a cada dia, as barreiras
que me colocaram no ostracismo...

E hoje armei a bandeira da vitória
que aqui encontrei, me encantei,
mas a levantarei naquela linda pátria Espanhola...


Fiquem em paz...
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Terça-feira, Dezembro 16, 2003

"Apaixonado pela vida"



Beijo daqui sua mão
como gesto de carinho,
e este afeto inexistencial
se rubrica por entre as estrelas.

Nesta constelação é exalada
o cheiro romântico da sua tristeza,
e em cada lágrima sua
um novo soneto deságua em mim.

E ao colocar tudo no papel,
passo a entender o carinho e a compreensão,
definidas pelo meu tesão e afeto.

Coloco-os em combate, faço-me presente
e sonho acordado para que no dia em que eu
estiver nos seus braços, eu consiga ser seu anjo abençoado...


Fiquem em paz...
.......................................................

Domingo, Dezembro 14, 2003

'Morte sem enterro"



A morte
queimando-me a face
apertando-me contra o papel
com ira,
com furia,
latente e prepotente
com as quedas infimas
devorando meu respirar...

Morte,
sem rodeios me buscando
no palor da madrugada,
me inebriando,
me escurraçando desse recinto,
dessa morte sem receio,
desse tilintar sem preceito,
com o péssimo em devaneio,
com o límpido em escassez,
frio como a bruma que enreda
sua ferida....

Fim,
o fim desiludido
pela morte sem enterro,
com tanto desespero,
trazendo-me ao desterro
que jaz minha solidao,
solidao magra que degusta
do meu ser,
do meu dom,
do meu prepotente esquecer,
do meu eloquente enlouquecer...

Corpo,
corpo que nao vejo,
gélido que nao sinto,
pernúria que só vejo,
desalento que tanto desejo
nessa morte sem fim,
nesse enterro do querubim,
esse desespero querendo à mim,
nesse lavar de almas sujas,
nesse viver de sonhos límpidos,
nesse navegar de sonhos unicos,
com barocos a sós,
aeroplanos solitarios,
soleiras desgranhadas,
paredes armadas
e sonhos destroçados,
à espera do novo reencontro,
que dita os desencontros,
e que traz a esperança
para que não erre no ponto,
ainda menos que o desenho
fique apenas no conto,
que é para podermos,
sempre,
vivermos esses distantes
e inalcançáveis sonhos...

Sonhos de criança
e que nunca acontecerão...


Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Dezembro 11, 2003

“Esperanza”



Me despierto de un sueño para el vivir de mi destino,
destino que afloja mis mágoas y arrepentimientos,
desatina ese aspecto malogrado de esperanzas...
Me siento tan desolado, pero tan desolado...

Y ni un pequeño resquicio de una sutil esperanza
viene desaguar en mi pecho inerte a las cobranzas,
a los desacuerdos, dejándome apenas el luto por el amor,
pero que aún me incendia mis pelos cuando

mordido soy por la perspicacia de la música,
de la canción predilecta en mi pecho,
urdiendo me extasia con contracciones

desesperadas de mi aprender,
usando la poesía como puente seductora
para poder apenas vivir mi amor lírico por ti...

Fiquem em paz....
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Sexta-feira, Novembro 28, 2003

"Combate interior"



Quebro as regras do destino
amando dessa forma louca
dormindo com as folhagens
da mais bela estação.

Como se os sonhos fossem verdades.
Como se os sonhos fossem verdades.

Por amar, amar, amar como eu
sem vaidade, sem ter alvo,
sem méritos...
Conquistas reais.

Leveza que sinto;
que belo, que louco;
clamo sorrisos...
Inspiração

Aquece-me a noite
sonho na vida
espero seu beijo.
Imaginação.

Descompasso a madrugada
mantém só a precisão
do meu amor
convalescente à  minha deliciosa solidão...

Por amar, amar, amar como eu
sem vaidade, sem ter alvo,
sem méritos...
Conquistas reais.

Por amar, amar, amar como eu
sem vaidade, sem ter alvo,
sem méritos...
Conquistas reais...


Fiquem em paz...
..........................................

Domingo, Novembro 23, 2003

“A Presunção do amante perfeito”




A titudes fervorando como novas

P áginas de um capítulo interminado,
R esgatando desta história uma viagem
E squizofrênica à Barcelona, onde o
S urpreendente personagem principal,
U nindo seus sentimentos com histéricas
N uances que poderiam vir a acontecer,
C oncretiza seus intrínsecos desejos,
A ntecede o futuro que o esperou assim,
O rnamentado de falsos paradigmas, com perigosos

D otes que chegam clamando por uma nova
O rdem em suas próprias vidas, vidas de

A mantes perspicazes, de destinos que acabaram
M arejando muitos rostos por não terem
A lcançado o que haviam planejado, fazendo-os
N avegar por entre os mares revoltados,
T urbulentos pela dor desse sangue que de
E scorrer não pára, dor que torna-o um

P resunçoso amante e perfeito poeta
E qüidistante dessa vida frigida,
R esplandecendo o amargo e cruel gosto do
F el em forma de palavras, tratando com indiferença
E spécies que jamais irá reencontrar, e essa
I njustiça feita não significa desafeto, mas
T emerosidade de novamente fazer com que suas
O ndulações acabem escoando lágrimas em vosso coração...


Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Novembro 20, 2003

"Gosto muito"



Gosto mesmo é de virar página,
viver amor platônico,
ouvir boa música e apreciar
a tenacidade de um bom vinho.


Gosto mesmo é de enxergar
o que as grandes pessoas não vêem...


Gosto mesmo é de sentir
a voracidade do impulso poético
e, em meio às lágrimas,
decifrar letras e transformá-las em poesia...


Gosto mesmo é dessa mulher,
cheia de ginga, que requebra no bom samba,
desfila sua cabeleira em ápice com seu canto...


Gosto mesmo é de olhá-la,
vê-la entre as estrelas refletidas
pelos seus olhos,
úmidos,
cheios,
vivos,
cantarolando uma nova música e
adocicando minha conhecida e platônica adoração...


Fiquem em paz...
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Quarta-feira, Novembro 19, 2003

"Para ser"



Para ser musa
         não basta ser bela,
                        tem que merecer...


Fiquem em paz...
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Terça-feira, Novembro 18, 2003

"Um dia"



Um dia sonhei que era feliz...
Um dia sonhei que vivia em um sonho feliz...
Um dia sonhei que sonhávamos...
Um dia acordei...
Acordei e vi esse mundo sórdido, sombrio, largado as preces das mais diferentes crenças, sonhei e com isso afetei minhas barreiras intituladas auto-protetoras, como uma jaula com medo de ser aberta, ou uma caverna onde a existência do mundo afora torna-se apenas lenda imaginária de um julgado esquizofrênico, uma patologia criada pela inteligência da solidão, essa solidão que nos torna sensíveis, nos torna únicos e, para os apurados e excêntricos olhos, especiais...
Uma fuga criada a partir da desgraça que ouvimos dizer, uma distância que tomamos pelo desgostoso aroma que a cintilante distância de olhares nos causa, a distância da falta da simplicidade implicando em todos os âmbitos que nos encontramos diariamente, para podermos vivenciar de uma forma calma e complacente com as divergências que acabamos tendo dentro dos nossos corações, das nossas atitudes, mesmo as infundadas, transtornando as tão existenciais vozes, tecendo a teia e temendo a trama simultaneamente, um déjà-vu mal explicado, temas variados de esquecimento, ilusões e receio, receio do simples incômodo que posso proporcionar, mesmo sem querer, uma paixão platônica, esse platonismo que me desgasta, assim como me inspira a tal ponto que consigo fritar meus dedos ao escrever essas viagens mirabolantes, ao tocar meus tambores com tanta fúria e enegrecer meu olhar pelas lágrimas saudosistas provocadas pelas portas fechadas da realeza do meu castelo, este castelo imaginário impregnado na minha parede, nos meus sonhos, nas minhas insistentes idealizações causadas por tantas elucubrações, muitas delas infundadas, muitas dignas do vosso respeito, respeito que parece ter sido dissipado pela inconsistência da minha mente, da minha vida, tanto ócio interligado, dia após dia na minha jornada sem descanso, uma luta constante para não nos desesperarmos quando olharmos para os lados e vermos tantas hipocrisias resvalando-nos pela nossa inocência, vermos o medo na face das pessoas, sentirmos a vergonha nos atos alheios, e ainda vermos a vergonha trespassando por terem sentido tais vergonha, uma vergonha que há muito já gostariam de ter abolido da concordante viagem que caminham, mesmo sabendo que às vezes tomaremos atitudes um tanto quanto estranhas, e lutaremos para podermos não exalar ou transparecer algo aterrorizador, para que pessoas infundadas temam a presença de algo sem significado, saindo perdedoras de momentos que poderiam ter se transformado em magia se não houvessem tantas barreiras impostas, se entendermos o quão excêntrico somos se analisarmo-nos friamente, e mesmo com tantas questões levantadas ainda fica a dúvida em meu semblante, a dúvida do porquê temos que viver em um sonho, porque sonhar que vivemos um sonho feliz, porque sonhar que sonhávamos num uníssono berrante, e ter a infelicidade de acordarmos e vermos um mundo sórdido, sombrio, largado às preces das mais diferentes crenças, ..........


Fiquem em paz...
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Domingo, Novembro 16, 2003

“Não precisa haver”



Não precisa haver beijo, para haver amor.
Não precisa haver desejo, para haver amor.
Não precisa haver abraço, para haver amor.
Não precisa haver contato, para haver amor.
Não precisa haver lágrima, para haver amor.
Não precisa haver namoro, para haver amor.
Só precisa haver amor, para haver você.
Só preciso de você para, em mim, haver amor...


Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Novembro 14, 2003

“Pelo tudo...”



Sinto-me apaixonado...

Pela vida;
pelo Jazz;
pelo vinho;
pelo místico...


Sinto-me encantado...

Pela música;
pela viagem;
pela voltagem;
pela conversa...


Sinto-me atraído...

Pelo carinho;
pelo versejo;
pelo desejo;
pela tranqüilidade...


Sinto-me abstrato
pela beleza,
pela sutileza,
pelo tudo
que me lembra você...


Fiquem em paz...
.....................................................................

Terça-feira, Novembro 11, 2003

"O que preciso?"



Para conseguir descrever sua beleza
quero ter todas as profissões dentro de mim...

Quero ter as artimanhas do artista plástico,
a força de um camponês,
a fome de um indigente,
a fúria de um lutador de boxe,
a sensibilidade de um garoto apaixonado,
a sinceridade de um cão,
para escrever de ti apenas a verdade.

Quero também pdoer sentir
os diversos temas que a vida nos proporciona...

Quero sentir a brisa leve no rosto,
a comida caseira na minha boca,
a lambida alegre de um cachorrinho,
vislumbrar um arco-iris,
correr sem rumo na chuva,
nadar no mar sem roupas,
tocar uma música em forma de serenata...

Tudo isso para mostrar ao mundo
em forma de poesia
as dificuldades que tenho para dizer
a sua altura o quanto eu adoro você...


Fiquem em paz...
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Sábado, Novembro 08, 2003

“Saudade de mim”



Chove torrencialmente nos meus delírios...

Chove incansavelmente nos meus desejos,
deixam-nos cansados por tanto em vão querer...

Transformo-me no objeto que dança
pela materialidade concreta dos transeuntes.

Transformo-me no tempo apaixonante do poeta,
na brisa inigualável ao marinheiro,
no desencontro das aves no céu,
no brilho das estrelas que me inspiram,
que iluminam as passagens do meu choro,
da minha aceitação aos meus próprios anseios...

Brindam as perspicácias que soam capazes
como demonstrações, ri das armadilhas
forçadamente recriadas para aprender,
aprender como fazer o que sonhávamos
na noite anterior,
na vida anterior,
vida que ainda relembro,
dança e olhos que ainda perduram,
fúria glamourosa que ainda enche de saudade,
como a noite escura tem saudade das plantas,
eu tenho saudade de amar os beijos já distantes,
mas nunca esquecidos, nunca deixados para trás na lembrança,
nunca deixado para o aquém,
e o ar que engloba minha respiração
palpita nomes, nomes, nomes, mas sempre
destaca-se um único no meu pensamento,
nome que denomina liberdade,
mesmo não sabendo se eu já fui capaz de ser:
liberto como uma águia e apaixonante como o seu canto...

Saudade de mim...


Fiquem em paz...
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Quinta-feira, Novembro 06, 2003

"Sentido dos olhos"



Olhos...
Por que imprimem tal magnitude
dentro dos meus sintomas pensantes?

Creio que seja pela forma labiríntica que se mostram a mim,
ou pela forma sinuosa e eloqüente,
ou pelo ardiloso exaspero de suas aparições.

A cada andança minha,
descubro novos olhos e olhares,
muitos deles me enojam
muitos me apaixonam
e muitos se apaixonam;
vejo isso tudo de uma forma
cíclica para reverenciarmos os nossos gostos pessoais.

Perguntam-me qual a minha parte predileta em uma mulher?

E eu sequer pisquei e imaginei os olhos...

Olhos doces, sutis, reais, urbanos, latinos, europeus,
cínicos, detalhistas, distantes, abusivos, cintilantes,
apaixonantes, vibrantes, inspirantes, persuasivos...

Cada qual com suas características únicas,
envolvendo-me com seu profundo e lascivo jogo,
com suas peripécias,
com suas dificuldades.

Mostram-me um mundo novo a cada olhar,
mostram-me o silêncio do conhecimento,
a ternura do amor,
o fervor da paixão,
deixa-me sempre ébrio por tanto sentir,
por tanto querer decifrar algo místico,
indecifrável,
algo que corresponde à descoberta do santo Graal,
da história da humanidade descrita pelas palavras subliminares,
pelo seu pouso manso e sutil.

Olhos...
marejados pela saudade,
delirantes pelo tesão efervescendo internamente;
tudo isso encanta o pobre transeunte e poeta,
que mal muda o campo imaginário
e já se encontra entretido por outro olhar,
descobre que aquele perdurou um segundo apenas em sua eternidade pessoal,
mas foi o suficiente,
bastou para ensinar-lhe uma nova visão da vida,
ensinou-lhe outro caminho para recomeçar àquela sua antiga poesia,
ditou-lhe uma nova regra,
um novo predicado para antigos significados,
uma nova arma para desmistificar a antiga solidão,
e uma nova palavra brota em seu peito a cada nova magia,
a cada nova visualização corpórea do interior pleno
de alguém que não existe,
de alguém que se resumiu, naquele instante,
a um par de olhos,
a um par de sentimentos,
a um par de sinceridades,
a um par de lutas internas, e brigas cotidianas,
e passado e presente estático e futuro enegrecido
pelas tantas e tantas dúvidas inexistenciais,
de tempos remotos, que ainda põem em dúvida o hoje,
o sempre,
o agora,
e em súplica regurgita seu silêncio,
o seu olhar seco e místico,
e transcende o pobre poeta, nesse único segundo encantador,
para mais uma deliciosa história de amor,
que ficará para sempre eternizada
pelos rabiscos singelos de seus papéis...

Fiquem em paz...
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Quarta-feira, Novembro 05, 2003

"Vida"



Tempo
dúvidas ao léu
encanto

Luar
suor no rosto
espanto

Desgosto
eu e você
quebranto

Pureza
meu lar
desespero

Leveza
leve canto
serenata

Algum lugar
descanso
pensante

Brumas
caracóis amarelos
sonhos

Brisa
ritmo
dança

Música
crime
fuga

Paraíso
deserto
sentimentos

Felicidade
feliz cidade
felicidade

Beleza
verdade
dolorida

Espero
consigo
acordar

Sol
viagem
morte

Procriação
devaneio
telefonema
condução
papel
luz artificial
sofrimento...

Fiquem em paz...
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Terça-feira, Novembro 04, 2003

“Sentido da vida”



O que poderia qualificar
um sentido para a vida,
quando nem mesmo
pensando racionalmente,
enxergamos um sentido
real para os sonhos,
para a fantasia,
para as nuvens
que parecem estar
tão ao meu alcance
quando hipnotizado estou
pela alquimia exalada
pelos habitantes
dos campos floridos,
dos mares sem fim,
onde os sentidos se dissipam,
sopram lembranças aguadas
nos meus olhos,
salgadas e encantadoras como ondas,
que muitas vezes,
ou se fazendo de quando em quando,
fingem estar com todas as forças guardadas,
vivem e crêem na eloqüente
esquizofrenia recriada,
mas desabam quando os dedos
que apontam para os céus
conseguem muito facilmente
parar o tempo,
tempo que tanto anseio,
pára-o e faz com que o brilho do sol
irradie apenas por sobre meu corpo,
que as nuvens,
em companhia do citado sol,
perfurem meus cachos
e com eles se encaracolem,
faz com que meu peito flua
em harmonia com o ambiente,
com a vida que procura um sentido,
sentido este que descubro
ter um significado coerente por agora,
dentre tantos buscados
o mais importante de todos,
conhecido ele como amor,
este que sinto,
que tranco,
que reprimo
e quando menos espero: Tchum !!!
resguardo-o,
faço tê-lo explosões desesperadas,
faço-o espernear magias
para que o espaço
entre o sentido e o desconhecido
se encontre apenas com a distância
das nossas auras aos nossos corpos,
faço com que os sentidos
tão aclamados nessas míseras linhas,
se tornem ponto de referência
para o que posso ser,
para sempre poder
embargar gargantas com minha voz,
para que eu sempre arrepie pêlos pelo meu desprendimento,
e principalmente,
para que eu possa devolver-te a poesia,
a música,
a dança,
e os palcos,
pois sem isso dentro dos nossos corações,
qual seria o sentido da vida?


Fiquem em paz...
...................................................................

Quinta-feira, Outubro 30, 2003

"Olhos distintos"




Olhos
negros como um vulcão
arregalaram-me os sonhos
e arrepiaram-me novamente
as asas da minha lembrança.

Olhos
castanhos como alva
embebedam-me de vontades
nessa treslouca madrugada.

Olhos
d´ouros como minha inspiração
que na noite veda minha ternura.

Olhos
ferozes como leão
e apaixonados pela minha liberdade.

Olhos
tristes como os meus
carentes como a vida.

Olhos
repugnantes como solidão
extravagantes como minha tensão.

Olhos
alvo límpido e campestre
das moradas belas da manhã.

Olhos
negros como o pranto
frios como a tempestade de amor.

Olhos
ruivos da desesperança
turvos como a lembrança.

Olhos
máquinas de arrepios
estrelas do passado.

Olhos
lágrimas do desespero
unção ao pecado.

Olhos
ternura breve e sorrateira
esperança lúgubre e opaca.

Olhos
que brilham a minha vida
que brincam a minha existência.

Olhos
brilho novo dos caracóis
pensamentos longínquos.

Olhos
transcendência do meu ar
arrependimento pelo tempo.

Olhos
passam-se como vazios
espelham-se na verdade
das inóspitas poesias.

Olhos
pássaros flamingos
neste campo sem vida e sem amor.

Olhos
lutas intensas
nesse ardor que me inflama.

Olhos
dores da minha solidão.

Olhos
sentimento de depressão.

Olhos
imagem do orvalho.

Olhos
canto dos líricos.

Olhos
comédia das praças.

Olhos
perfeição eqüidistante.

Olhos
comprometimento ausente.

Olhos
que me olham complacentes.

Olhos
que eu olho apaixonado.

Olhos
que me olham petrificados.

Olhos
que me dizem a verdade.

Olhos
que quero viver feliz.

Olhos
que me fizeram desnorteado
sentindo a delícia
e degustando o fulgor
dessa nova platônica paixão...


Fiquem em paz...
..................................................................

Terça-feira, Outubro 28, 2003

“Signos abstratos”



Estrelas
que tanto brilham,
que tanto rodeiam meus olhos,
meus caminhos, meu etéreos ideais.

Lua
tão grande que afoga minhas elucubrações
num mar de energia,
numa aurora que cisma em decifrar meus caminhos,
os caminhos mais ardilosos,
caminhos que nem meu próprio subconsciente é capaz de decifrar.

Estradas
que fogem do seu rumo procurando atalhos,
procurando caminhos flexíveis,
um futuro onde não existem fábulas,
um caminho eqüidistante,
como um sonho mal resolvido,
uma situação mal interpretada,
um beijo há muito esquecido,
um amor que nunca se acabou,
uma leve sensação introspectiva,
como uma serena brisa que apenas distancia
a infindável verdade do tortuoso destino...

Equilíbrio
desse céu,
o encanto que os violinos exercem em minha alma,
a distância que me encontro no presente,
o atroz sentimento que afoga meu peito em lágrimas negras,
as amarguras impostas pela incompreensão,
as armaduras que temo não conseguir desprender,
os gananciosos temas que desejo,
as vontades que sinto pelo vosso corpo,
pela auréola que entretém sua mente,
que compõem a mágica existente no brilho dos seus olhos,
olhar imperando como um espelho,
vendo-me refletido em minhas atitudes,
nos meus sonhos,
nos meus anseios,
nas minhas vontades incrustadas como estradas
que o destino final significa felicidade.

Ardência
desse céu cintilando esse amor incompreensível
sobre meu seio que se encontra fértil...

Esperança
do futuro com campos que me desesperam
apenas ao pensar no seu irrealismo.

Não suporto imaginar o fato de ter me enganado sobre seus cachos,
sobre nossas vidas que pensei estarem traçadas neste
paralelo e invisível destino...


Fiquem em paz...
.............................................................................

Domingo, Outubro 26, 2003

“Ímpeto de amor”




Hoje tenho amor
amanhã sou só solidão...

Hoje tenho ardor
amanhã sou só desilusão...

Hoje sou carinho
amanhã tenho compreensão...

Hoje sou caminho
amanhã morto na escuridão...

Terei apenas paciência
para cuidar do sentimento uno
e perdido nessa plena imensidão...

Um infinito que não vejo
uma história que não finda
um desejo que não vivo
e em mim eu morrerei...

Achar do que vivo,
sentir essa prisão,
berrar, gritar, chorar
e sempre ser incompreensão...

Sinto um amor que inexiste
com as auroras vou dormir aos meus pés,
vivo a brisa, o néctar, o âmbar,
mas esse amor, ele simplesmente inexiste...

Acordei amando com toda a força da minha vida
sinto uma força tão grandiosa
quanto o ímpeto da morte,
sinto o sagrado dom de Deus,
sinto inércia,
sinto a fluência do amar,
a confluência do amor,
a cumplicidade e o companheirismo,
a lealdade dos eternos,
o canto medonho dos apaixonados,
uma serenata de sentimentos
diversos e explosivos no meu âmago,
sinto-me trêmulo, trépido,
perdido por não conseguir
resistir nem disfarçar meus sentimentos,
está insuportável me conter,
está intransponível esse viver,
está dificílimo compreender,
mais difícil ainda escrever
e não rabiscar “eu amo você”,
incrustei com toda a fome
na pedra do meu peito
o seu nome rebuscado,
o meu eterno amor que sentirei
mesmo depois de morto o corpo,
sinto a sinergia d´alma
querendo vivenciar, querendo reverenciar,
querendo-te referenciar aos Deuses,
viver cada ósculo como se fosse
o primeiro da minha vida,
sentir cada parte do seu corpo
suado nos meus dentes,
e cada vez como se fosse a primeira,
não acreditando ao “olhar e ver”,
não acreditando no sentir,
assim como não acredito
no que sinto agora ao escrever,
a alegria reinando,
a eternidade beirando e devastando
minhas ignóbeis lacunas,
a brisa que brilha dos meus olhos
esvoaçando os cabelos dos transeuntes
que ao meu lado passam e exasperam-se
pelo fato, pela inveja do meu "sempre",
do meu coração amante que não tem fim,
da minha confiança que não me cala,
não me abandona, acaba com minhas forças
mas não me deixa deixar de amar,
de querer, de ser e de sentir,
o gosto de hortelã, o gosto d´orvalho
escorrendo pelas minhas lágrimas,
o cheiro da noite me eternizando,
eternizando o que sinto por você,
que não me canso de dizer que é etéreo,
é longe do "julgo da mentira",
uma adoração silvestre,
selvagem e livre
como as aves amazônicas,
como os índios arcaicos,
como os manuscritos peruanos,
uma adoração por você inexplicável,
amor fraternal, maternal, paternal, carnal,
tudo isso junto da loucura que vivo,
loucura que julga,
que erra mas não mente,
não mente quando enegrece minha mente
devido ao torpor sentido,
à lembrança sentida,
dilacerando minha complacência,
dilatando minha vida,
enrijecendo ainda mais essa bigorna
sedenta e solitária no meu ego,
esse sonho permanente de um dia poder afagar
seus cachos risonhos e intermináveis
e rubricar essa história com eternas lágrimas de saudades...

Fiquem em paz...
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Sexta-feira, Outubro 24, 2003

“Insônia”



Sinto-me completamente perdido
e embriagado pela insônia.

Rolo sem parar no colchão
imaginando o meu futuro distante,
e só consigo deliciar
o gosto da hipocrisia que me cerca.

Receio, com toda a minha força (admito),
fracassar nas escolhas e nos caminhos
a serem percorridos.

Julgo minha existência;
pergunto-me qual a serventia
da mesma se eu for apenas
Enclausurar-me em um buraco
para ganhar míseras moedas.

E onde ficarão a comédia e o drama?
Extintos?

E a música que me domina o âmago?
Morta e enterrada?

Será que sou o epitáfio das artes,
com minha balela múltipla e descomunal?

Será que meus desejos não existirão?

Em qual momento será decretada a minha morte?
Quando meu corpo se for?

Ou quando deixar de existir a eternidade,
por não existir mais a lembrança na era extinta dos homens?

Será que serei,
- assim como quero e sonho -
referência?

E quando minhas energias acabarem
e eu estiver precisando de um prato
mísero de feijão?

Nesse momento minhas palavras
ainda irão ter poder?

E minha musicalidade,
prestará para alguma coisa?

Será que exclamarei algum dia,
ao invés de apenas interrogar?

É (...), Destino louco e atormentado,
vivo-te intensamente, mas isso me apunhala,
atormenta-me como homem,
mas nos caminhos já pré-definido por você
tentarei sempre levar comigo algumas
embaralhadas palavras, para fazer poesia,
e um sorriso no rosto para encantar
e fazer ao menos alguma pessoa
nessa vida plenamente feliz...

Fiquem em paz...
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Terça-feira, Outubro 21, 2003

"O outro eu dos escritores" *



O rnamento minhas idéias com livros e poesias

R ecito textos ao léu para que assim possam
E speciais se tornarem, forçando para que pessoas
A nalfabetas poeticamente dizendo entendam e
L evem para dentro de si palavras que para mim

É picas já se tornaram, palavras tantas que custo para

O rdenar suas belezas infinitas com as épocas

M arcadas nos nossos tantos e tantos livros
A udazes de literatura, estes que quando abro vejo-me
R anger os dentes por tamanha alegria minha pelas

N unca esquecidas dedicatórias, pelo toque final
E qüidistanciando a realidade nua e crua,
L amentada e vivida nos atuais dias, dias que já foram
E squecidos pelo sonho do passado, fazendo

H omogêneo os pensamentos que se multiplicam como
Á caros no ar, idéias vivendo e lutando com esta

E squisita sensação de viver paralelamente, com
S ubliminares reações para que possam entender a
C ontracenação feita pela neurolingüística, deixando mais
R izados ainda meus cabelos por tamanho desdobramento,
I nvenções e situações onde o silêncio calou meus
T ormentos e mostrou-me o quanto minha vida
O rganiza minhas eloqüentes alucinações e faz-me
R egressar a ponto de entender tantos sentidos
E stranhos que a materialidade me traz,
S alpicando nossos anjos e demônios para que com

Q ueixos caídos em fortes situações fiquemos.
U ltimamente ando repensando na valia que estas
E xtravagantes fantasias do "fazer parte" traz

N avegando por ares desconhecidos, a simples
A udácia de um abraço em troca de um contato
D ireto, ou até mesmo indireto, mas sempre
A ntecipando mentalmente o beneficio pessoal,
M achucando corações (o meu?) carentes, abusando da

E squizofrenia imaginária de algum perdido

H umanóide urbano para elevar-se pelo futuro
A dentro, conquistando cargos, brilho, shows,

E spetáculos internacionais, usando e abusando dessa
S íntese ultrapassada e ineficaz, pois me mantém em
C árcere por ter descoberto nos olhos alheios que a
R ecíproca não fora verdadeira, que a banal
I nversão de valores e papéis foram pouco
T rovejantes no meu peito, pois o segredo das
O ndas, a que chamamos nós poetas de balança
R equintado, continua intacto, sem
E vidências nem provisões de mudanças, mesmo
S uando para que o encanto ocorra, mesmo

Q uerendo ao máximo demonstrar desprendimento,
U nião, humildade e bom gosto, o ocupar das
E squinas é um trabalho árduo, cansativo e

M alevolente para teus olhos frios, mas os
E quinócios escreverão nos céus suas verdades, as
R ealmente do âmago, para que pessoas que
G ostam de abrir os olhos e ver onde pisam
U sarem esse linguajar místico para não haver, no futuro
L amentações desgostosas que trariam a nós
H umanos sensações inexplicáveis, e não a ternura
A mável da literatura portuguesa, dos grandes
M aestros que fazem sibilar a alegria não só

M omentaneamente, mas sim perdurando suas melodias
A stutamente pela eternidade, para não precisarmos
S equer lembrar que existe a mesquinharia

A cima citada, para que esqueçamos que existem

A lguns perdedores que fazem da vida algo como o
G otejar duma ampulheta num saco insólito e
U mectado, fazendo dessas lembranças prosas poética
A ssinadas por nós mesmos, usando como inspiração o

É ter encontrado na natureza, para assim podermos

A rmar nossas verdadeiras bandeiras, construirmos

M undos só nossos, vivermos em uníssono com a
E sperteza da cumplicidade dita, falada e vivida, para o
S empre realmente ser eterno, para que o destino
M ova suas decisões, deixando-nos à mercê do
A creditar nas vozes sussurradas, que sempre a mim trazem a liberdade...


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* A frase do acróstico pertence ao grandioso mestre José Saramago, do seu livro "Cadernos de Lanzarote".

Fiquem em paz...
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Domingo, Outubro 19, 2003

“Perdido”



Perco-me na insalubridade do meu incrédulo dia.
Pego-me no repente de quem nunca amou um dia.
Faço-me presente para satisfazer alguém um dia.
E fujo para que possa ser feliz, quem sabe um dia...

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Sempre disseram que minhas palavras são muitas e os significados plausíveis das mesmas eram mínimos.
Decidi então, em pouquíssimas linhas, descrever o que sou em forma de poesia.
Quem quiser me entender, precisará entender então essas poucas palavras...

Fiquem em paz...

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Segunda-feira, Outubro 13, 2003

“Deixe-se olhar”



Sinta fluir o seu martírio perante seu anseio,
deixe vibrar os fantasmas que brigam no seu interior,
ria, brinque, seja criança novamente
e faça com que a liberdade reine no seu coração...

Transmita o que pensa pelo brilho dos olhos,
não se esconda com carapuças que conotam o cotidiano,
seja sempre transparente para que possam te enxergar,
e com a verdade sempre sendo dita,
irão verdadeiramente te observar,

mesmo que de longe, mas entenderão a energia,
a sinergia,
a paz de espírito,
e entenderão, ao mesmo tempo, que não poderão
ser o que sempre são...

Seriam pequenos demais...

E com isso eles se veriam inferiorizados,
inferiorizados de dentro para dentro deles mesmos,
eles se sentiriam incapazes,
e tentarão mudar...

Mas quando as mudanças ocorrerem
não poderá ser simplesmente cética,
terá que compreender com a grandiosidade da fantasia,
com a alegria da alusão,
mexer tudo num pote, com um arco-íris,
despejar o toque mágico das bruxas
e entender finalmente o que é a felicidade...

Fiquem em paz...
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Sábado, Outubro 11, 2003

“Fragmentos”



O teatro devolveu-me a vida
e eu devolvo-a a dramaturgia...

Há uma relatividade
muito extensa entre
a beleza do ser
e a leveza do ser...

Nada é certo
quando trabalhamos o incerto...

O verdadeiro artista
enxerga e compreende
uma obra de arte até mesmo
quando ela não existe em si
como expressão artística...

Podemos ser belos aos olhos nus
como podemos ser intérpretes
de um mundo que inexiste,
para alcançarmos a plenitude
aos olhos alheios...

Eu observo o canto lírico dos pássaros,
eu observo a natureza metropolitana,
a sua força de querer ser,
a sua dedicação em querer estar
mesmo não sendo o seu lugar,
o lugar que lhe é garantido
pela natureza das coisas...

Podemos ser, entre todos os seres,
o mais presunçoso...

Sou um zumbi solitário...

Sou um estrangeiro de mim mesmo.
vejo-me em pontos distantes da terra,
estando inerte no meu descontentamento...

Apenas sou um homem
com a consciência
vestida como um maltrapilho.....


Fiquem em paz...

* NA. --> Esse texto foi inspirado no site da Tasha Brujas .
Eu estava andando ontem, dia 09/10/03 pelo meu bairro às 00:30 da madrugada, pensando e conversando comigo mesmo, uma luta entre meus eus, e anotei algumas frases que achei, no meio da guerra interna, que valeriam a pena serem lidas depois...
Estão aí...

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Quinta-feira, Outubro 09, 2003

“Ser Poeta é...”



Ser poeta é descobrir
os caminhos intrínsecos
das pessoas que nos envolvem
com a leveza de uma brisa do outono...

Ser poeta é saber enxergar
a docilidade dentro das armaduras cotidianas...

Ser poeta é saber amar como se deve...

Amar alguém por ser livre, boa e compreensiva...

Ser poeta é sentir os chamados da vida
desabrochando por entre a confusão
dos dias ínfimos que nos atordoa...

Ser poeta é ter sempre um fio
de esperança para a felicidade...

Ser poeta é ter a sensibilidade
de arrancar um sorriso
de onde há muito não surgia
e ainda eternizá-lo com rabiscos no papel...

Ser poeta é amar como criança...

Ser poeta é brotar a adormecida lembrança...

Ser poeta é gritar aos mundos
o amor verdadeiro
e ser aceito e puramente reconhecido...

Ser poeta é sorrir nos piores momentos
da vida e transformá-los em lembranças coloridas...

Ser poeta é saber ser amado...

Ser poeta é ser músico, ator, escultor,
pintor, astrólogo e extravasar todos
esses sentimentos em harmoniosas palavras...

Ser poeta é ser tenro e eterno...

É não fazer nada fazendo tudo...

Ser poeta é viver a vida como ela é,
ora difícil ora fácil, mas sempre
tirar o melhor proveito de todas
as situações, sejam quais forem...

E para ser Poeta eternamente
basta um pingo de sensibilidade,
predisposição à felicidade
e ter, envolto nos braços e lençóis,
alguém tão bela e livre como você... ...

Fiquem em paz...
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Quarta-feira, Outubro 08, 2003

“Buquê de flores”




Oh! Doce regia, que enrubesce
as águas escuras do meu sonho,
levanta tuas orelhas para ouvir
a serenata sutil das borboletas...

Venha sentir o doce aroma
de liberdade que planto
com carinho para que possas
colhê-lo e fazê-lo de morada...

Oh! Doce canto que não cala,
palpita-me o peito pela lembrança,
vislumbro cada parte do seu corpo
com a imagem do orvalho por ele escorrendo,

vibrando em cada curva do seu sonho,
emudecendo em cada sorriso da saudade,
em cada brilho da verdade dos seus olhos,
em todo ato que se eterniza...

Oh! Doce regia, faz da minha vida fantasia,
reges como orquestra minha vontade,
ilumina com velas o meu caminho,
afaga meus sinceros sentimentos com música,
e faz da imagem do meu coração
um eterno buquê de flores para você...


Fiquem em paz...
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Terça-feira, Outubro 07, 2003

"Estou de volta"




Tento sempre com textos
mostrar a verdade do garoto sem coragem,
cabisbaixo e solitário...

Fico tentando camuflar minha tristeza imensa,
fico tentando me aparecer por todos os lados,
subo aos palcos, pois preciso de luz
para continuar vivo...

Sem vontade....

De nada...

Estou rancoroso por sentir tanta angústia,
as repetições ocorrem a todo momento
na minha escassa vida,
esqueço-me de tudo por achar
que não terá serventia a minha lembrança...

Acordo aqui e na realidade,
vejo-me completamente doado e sugado
até o último fio de cabelo de energia,
não poupam e não percebem o porquê faço isso...

Eu quero só cantar,
não quero disputar mais nada com ninguém,
quero só voar,
não quero disputar mais nada com ninguém,
quero só partir,
não quero disputar mais nada com ninguém,
quero só sorrir,
não quero disputar mais nada com ninguém,
quero só amar,
quero deixar de ter que até isso disputar com o aquém...

Quero viver em paz, mas não me deixam tê-la,
quero deixar de dizer “quero” e escrever coisas coerentes,
mas só consigo pensar e pensar e pensar e pensar nisso,
nessa dor que inverte as minhas virtudes
e me faz um fraco ditador de palavras,
acabo com isso decepcionando as almas
que rezam e ajudam-me nessa jogatina barata e suja que é viver....

Cansei, só isso....

Cansei de fazer papel,
de ser o "perfeitinho",
de tentar compreender,
de ser calmo,
de ser leve,
quero dar porrada em quem merece também,
quero xingar quem tem que ser excomungado,
tenho que ser e ter o que foi quisto pelos antepassados meus,
quero deixar de alucinar ouvidos alheios com papo tão bizarro,
quero apenas flanar pelas penumbras dos meus sonhos,
eles são líricos,
eles são doces,
eles são belos como sorvete,
eles são puros como recém-nascido,
e não me enganam,
e não mentem à mim,
atende aos meus pedidos,
aos meus desejos,
as minhas súplicas,
atende por entender que quero pouco,
um pouco de papo barato,
um pouco de desejo repentino,
um pouco de falsidade e crueldade,
um pouco de verdade e sensibilidade,
tudo para que eu possa,
no meio da madrugada perceber que tenho sono
e não ter a consciência pesada,
saber que poderei ir dormir sem ter dó de mim mesmo,
dos meus atos do dia,
dos meus surtos da semana,
das minhas lamúrias do mês,
saber que poderei deixar rolar a última lágrima
e saber que ela será a separadora de épocas
da minha sabedoria com minha indecência....

Algo que não sei explicar....
Algo que não sei dizer reina no meu coração....

Ontem mesmo era amor....

Hoje???
Não sei o quê...........


Fiquem em paz...
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